quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Menos luzes para salvar mais cagarros e fazer amigos!

2020 será para sempre recordado como um ano diferente, e no caso das aves marinhas e da minimização do nosso impacto nos Açores pelas melhores razões, é sempre bom ver que a conservação das aves marinhas não pára! Mais uma Campanha SOS Cagarro terminou e mais amigos foram salvos. Desde 2009 já é habitual a nossa colaboração ativa na Campanha SOS Cagarro coordenada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, em particular nas ilhas onde temos uma colaboração mais direta, em extremos opostos, na mais pequena e na maior a dedicação é sempre a mesma, faça chuva, faça sol...se há cagarros para salvar nós estamos prontos para ajudar!

Na ilha do Corvo temos a sorte de em conjunto com o Parque Natural de ilha com o qual colaboramos, ter uma população e voluntários (em média 20 por dia) tão acérrimos que desde dia 12 de outubro até dia 31 de outubro (após esse período e uma vez que o pico de quedas foi no dia 21 de outubro a equipa esteve de prevenção) estiveram ativamente em brigadas para salvar cagarros e fazer amigos, no total foram salvos 662 cagarros Calonectris borealis (660 anilhados, biometrias e georreferenciação das quedas registadas), 9 foram recapturas, tendo 7 destes sido juvenis anilhados nos ninhos previamente e desorientados pela iluminação pública da Vila do Corvo, infelizmente temos a lamentar 17 mortos (2 destes ainda encontrados vivos, recebendo tratamento no centro de recuperação por parte do Parque Natural de ilha mas não sobrevivendo infelizmente), na maioria por afogamento na ETAR, colisão e ainda 2 atropelamentos.

Equipa maravilha no Corvo

Voluntários na ilha do Corvo

   Juvenil de cagarro salvo no Corvo  
                                     

Há ainda a ressalvar o apagão realizado pelo Município do Corvo o que contribuiu para um menor número de quedas a partir do dia 26 outubro a 30 de outubro (21h00-04h00) e de 31 a 7 de novembro (01h00-05h00), afinal na semana do apagão geral, houve apenas 9 quedas a registar após o apagão.

Apagão no Corvo

Seguindo para o lado oposto, voamos até à ilha maior, São Miguel, onde dedicamos o nosso tempo a salvar aves marinhas nas Terras do Priolo, mais precisamente no Nordeste, Povoação, Faial da Terra e com maior destaque na terra do anel da Princesa, em Vila Franca do Campo, onde no total foram salvos 519 cagarros (também eles anilhados, e com biometrias e georreferenciação registadas), 25 mortos (na maioria por colisão) e 5 feridos. E também aqui os voluntários são indispensáveis para o aumento do número de salvamentos, em particular de 22 a 30 de outubro através da Campanha de voluntariado, na qual participaram 31 voluntários (contribuíram para o salvamento de 342 cagarros, 2 feridos e recolha de 14 mortos, observando in situ esta ameaça) que além de salvarem cagarros e fazerem amigos, ficaram a conhecer mais sobre os novos projetos que estamos a desenvolver para a conservação de aves marinhas, nomeadamente o EElabs, para a minimização da poluição luminosa e o OceanLit para a sensibilização do impacto do lixo marinho nas aves marinhas. De ressalvar ainda a preciosa ajuda do Clube Naval de Vila Franca do Campo que cedeu as suas instalações para estação de amostragem, assim como, um local seguro para guardar os nossos amigos e ainda o Município de Vila Franca do Campo que também se juntou a iniciativa e desligou parte da iluminação costeira contribuindo para diminuir as quedas.

Equipa maravilha em Vila Franca do Campo. @Anxo Cao


Voluntários em Vila Franca do Campo. @Maria Huaman

Para terminar, fica mais uma vez um MUITO OBRIGADA a todos os que de alguma forma colaboraram para Salvar Cagarros e Fazer Amigos! E ainda mais aos que atuaram diretamente na fonte do problema, com os apagões e minimização da poluição luminosa (Município do Corvo, Portos dos Açores no Corvo, Município de Vila Franca do Campo, Município da Madalena, EDA entre outras entidades), esperemos que para o ano mais ações destas sejam realizadas por todas as ilhas, e que contribuam para que os números de cagarros desorientados sejam cada vez menores, pois infelizmente nem todos conseguem ser salvos e há mortes a lamentar, que poderiam ser evitadas com o simples desligar do interruptor nas áreas críticas já identificadas no âmbito do projeto LuMinAves.

    Juvenil de cagarro salvo no Corvo  


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