quinta-feira, 21 de maio de 2020

SPEA Açores regressa aos trabalhos de campo

No âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura, a SPEA desenvolve trabalhos de conservação de espécies e restauro de habitats naturais no SIC da Tronqueira e Planalto dos Graminhais e ZPE Pico da Vara/ Ribeira do Guilherme e como tantas outras entidades viu o seu trabalho truncado como consequência da pandemia do COVID 19.

Numa primeira fase, os trabalhos de intervenção no terreno estiveram interrompidos devido à imposição de cercas sanitárias em São Miguel. Uma vez ultrapassada esta fase mais critica, foram preparados planos de contingência que têm como objetivo proteger as nossas equipas no retomar das intervenções no campo. Estas ações foram retomadas no dia 5 de maio.

Estes planos incluem, para além das questões de segurança recomendadas (distanciamento, máscaras, limpeza de mãos, etc.), a reestruturação no formato de trabalho destas equipas, criando pequenas equipas autónomas de entre 2 e 5 elementos tanto para o transporte como para o trabalho. Igualmente, foram revistas as características de cada intervenção para identificar potenciais riscos e minimiza-los.



Para além disso, todos os trabalhadores cujas funções o permitem, mantiveram-se em regime de teletrabalho, com deslocações mínimas e estritamente necessárias ao escritório. Para este fim, foi também necessário dotá-los das ferramentas necessárias para tal e permitir um período de adaptação.

A manutenção dos trabalhos de restauro ecológico é para a SPEA uma prioridade, sem descurar a saúde e bem-estar dos nossos colaboradores, das suas famílias e da comunidade, pelo que continuamos a acompanhar o evoluir da situação nos Açores e vamos adaptando-nos às medidas de proteção necessarias.

Porque um ambiente saudável é necessário para todos nós e faz parte da missão da SPEA!

terça-feira, 19 de maio de 2020

Recuperação de habitat na Reserva Biológica do Corvo



A recuperação de habitat é um trabalho contínuo e na Reserva Biológica do Corvo (RBC) é realizado desde 2009. Uma parte das ações passa pelo controlo manual de vegetação invasora como é o caso do espinafre-da-nova-zelândia (Tetragonia tetragonoides), de modo, a evitar a sua propagação além das 4 áreas onde se restringe. 

Espinafre-da-nova-zelândia antes de ser controlado manualmente

A segunda fase assenta, na sementeira direta de espécies nativas como é o caso do bracel (Festuca petraea) e da vidália (Azorina vidalli), no total foram semeados 12kg de bracel e 432g de vidália com o intuito de competir com o espinafre e contribuir para a sua erradicação e permitir continuar a recuperação de habitat da RBC.

Espinafre-da-nova-zelândia após controlo manual e sementeira direta de bracel


Juvenis de frulho estão a abandonar os ninhos

O Frulho Puffinus lherminieri é um dos "primos" do cagarro Calonectris borealis que nidifica nos Açores, e passa toda a sua vida ao largo ao contrário do cagarro que migra para sul pela informação disponível, regressando à colónia apenas na época de reprodução (Dezembro a Maio), apesar de haver visitas regulares a partir de meados de agosto. Esta espécie com cerca de 140-275g (média 172g) caracteriza-se por ter um bico e patas azuis, e o branco se estender até acima do olho, põe um único ovo entre fim de janeiro a fevereiro, e a incubação decorre por 45 dias onde ambos os progenitores se vão revezando, comportamento que é mantido na alimentação das crias que abandonam os ninhos em fim de maio até início de junho. A população nos Açores (nidifica em todas as ilhas à exceção da Terceira, tendo recentemente sido ouvida mas sem confirmação de nidificação) é de cerca de 840-1530 casais (Monteiro et al., 1999).

Juvenil de frulho

Assim como, o seu "primo" o cagarro estes também são afetados pela poluição luminosa da iluminação pública das nossas vilas e cidades, pelo que desde este momento pretendemos despertar-vos para a saída destes juvenis.

Como exemplo, na ilha do Corvo temos vindo a recolher informação dos frulhos desorientados pelas luzes uma vez que é regular 1-2 desorientados por ano desde 2009 em colaboração com o Parque Natural de ilha, havendo ainda registos na Graciosa e em Santa Maria, onde se encontram as colónias acessíveis e alvo de monitorização.

Caso encontrem algum desorientado à semelhança da Campanha SOS Cagarro. contactem os vigilantes da natureza, pois a informação recolhida é extremamente importante para podermos minimizar o impacto desta ameaça nesta espécie tão vulnerável.

Esta informação está a ser recolhida no âmbito do Projeto LuMinAves que tem como principal objectivo a definição de uma Estratégia para mitigar o impacto da poluição luminosa sobre as aves marinhas na Macaronésia.

Nós e os frulhos agradecemos a colaboração!













terça-feira, 12 de maio de 2020

Salvo cagarro com 7 anos na ilha do Corvo


No dia 11 de maio de 2020 foi salvo um cagarro Calonectris borealis na ilha do Corvo pelo vigilante da natureza, Rui Pimentel, do Parque Natural de ilha após ter sido desorientado pela iluminação pública. Este havia sido anilhado por nós em novembro de 2013 durante a Campanha SOS Cagarro, tem por isso 7 anos. Esta informação é muito essencial pois pode indicar a eficácia das Campanhas de salvamento, assim como, a taxa de sobrevivência destes juvenis e o seu contributo para a população reprodutora. Como se sabe os cagarros vem a terra pela primeira vez com 5-6 anos para se reproduzirem mas só a partir dos 7-9 anos são reprodutores experientes. 

Fica aqui a imagem da Campanha de 2013 e do Cagarro encontrado 7 anos depois:

Cagarro com 7 anos salvo por Rui Pimentel na ilha do Corvo. Foto: Rui Pimentel

Tânia Pipa a anilhar juvenil na Campanha SOS Cagarro 2013

Caso encontrem um cagarro com ou sem anilha, lembrem-se chamem os vigilantes pois esta informação é muito importante para aumentarmos o conhecimento sobre a espécie de ave marinha mais emblemática dos Açores.

Esta informação está a ser recolhida pela Direção Regional dos Assuntos do Mar e é também essencial no âmbito do projeto LuMinAves para elaborar a Estratégia sobre o impacto da Poluição Luminosa sobre as aves marinhas na Macaronésia, e integrada na tese de dourotamento da investigadora Elizabeth Atchoi.


quinta-feira, 9 de abril de 2020

O som para saber quantos há?

A nossa equipa está neste momento a analisar a informação dos últimos 3 anos no âmbito do projeto LuMinAves e Mistic Seas II para estimar a abundância através da monitorização acústica passiva. Esta informação é recolhida com as unidades de gravação autónomas (ARUs) e calibrada com a captura-marcação-recaptura com recurso a redes verticais, baseada na premissa de que o número de cantos corresponde ao número de ninhos e consequentemente, casais reprodutores. 

Equipa a preparar-se para uma ida ao campo no ilhéu da Vila, Santa  Foto: Elizabeth Atchoi

Espera-se com este método estimar quantos painhos-de-monteiro Hydrobates monteiroi e painho-da-madeira Hydrobates castro há nas principais colónias nos Açores e atualizar a informação existente. Aplicando assim uma metodologia uniforme e de baixo custo que poderá ser implementada no futuro e a longo prazo contribuindo para o aumento do conhecimento das espécies e das alterações do estado das populações promovendo a sua conservação e as medidas necessárias a implementar para proteger as espécies que representam o som dos Açores.

Painho-da-madeira
Painho-de-monteiro

Para terminar, um agradecimento especial a todos os que contribuíram para a recolha de informação e apoio nos trabalhos de campo, desde os Parques Naturais de ilha, Hotel Ocidental (Carlos Mendes), Clube Naval de Vila Franca do Campo e um especial à nossa colega e terceiro elemento desta equipa maravilha, Elizabeth Atchoi (FRCT/DRAM/OKEANOS). 

SPEA inicia estudos prévios para as ações do projeto LIFE IP Azores Natura

No âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura, a equipa da SPEA Açores está a realizar  trabalhos de campo para o levantamento de informações das áreas de intervenção. O reconhecimento em pormenor no terreno constituirá uma das fontes de informação necessárias para a elaboração dos planos operacionais das ações coordenadas pela SPEA neste projeto.


As áreas de intervenção em questão são a Mata dos Bispos, o Planalto dos Graminhais e a Serra da Tronqueira (Trilhos Novos). As ações previstas incluem a reconversão da vegetação exótica invasora em Floresta Laurissilva dos Açores, requalificação de trilhos pedestres e restauro de linhas de água. A partir das intervenções espera-se recuperar serviços ecossistémicos, diminuir impactos da visitação em áreas naturais e conservar a biodiversidade nativa e endémica dos Açores.



No caso da Mata dos Bispos, onde a intervenção incindirá na secção superior da bacia hidrográfica da ribeira da Lomba Grande, um dos principais cursos de água da Caldeira da Povoação, foi necessário realizar o reconhecimento das linhas de água, com vista à identificação do curso principal e linhas secundárias, características dos seus leitos e margens, o seu estado de degradação atual e inventariação da vegetação existente.



Devido à dificuldade de acesso neste local foi necessária a utilização de equipamento de escalada, estando a equipa da SPEA habilitada para a realização de trabalhos em altura. A informação recolhida é vital para um bom planeamento das intervenções a realizar, bem como, da identificação das necessidades logísticas, com vista a assegurar que os objetivos inicialmente traçados sejam alcançados.

Os trabalhos de campo preparatórios para as ações do projeto LIFE IP Azores Natura estão temporariamente suspensos devido à presente crise sanitária que atravessamos atualmente.

quinta-feira, 26 de março de 2020

A Natureza não pára: estapagados como inspiração

Devido à pandemia do Covid-19 a conservação é agora feita a partir de casa e através das teclas do computador ferramenta primordial nestas horas para continuar o trabalho. No entanto, um pouco por todo o lado a Primavera vai dando ar da sua graça com a maioria das aves a preparem-se para mais uma época reprodutora.

E as aves marinhas não são excepção, deixamo-vos um exemplo da monitorização acústica devido à inacessibilidade das colónias (é este o método utilizado para monitorizar esta espécie que nos Açores apenas nidifica no Grupo Ocidental) realizada no início de Março na ilha do Corvo, onde os estapagados Puffinus puffinus já chegaram às colónias para mais uma azáfama reprodutora...escusado será dizer...a Natureza não pára...e nós mesmo nas condições especiais em que nos encontramos também não! Deixamos-vos com o som de cagarros Calonectris borealis e de um macho de estapagado a chegar à colónia na ilha do Corvo que este vos inspire e dê ânimo, depois da tempestade vem a bonança...depende de todos nós!

Estapagado na ilha do Corvo