quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Estudo da comunidade biológica da Ribeira do Guilherme como indicador de qualidade ambiental

As ações de recuperação da floresta Laurissilva, no âmbito do projeto Life+ Terras do Priolo, estão a ser implementadas ao longo de um gradiente altitudinal na Serra da Tronqueira. A área recuperada abrange desde o bosque ribeirinho da Ribeira do Guilherme até a Malhada.

Com o objetivo de mitigar os efeitos da intervenção na Ribeira do Guilherme, diferentes indicadores de qualidade ambiental estão a ser monitorizados desde 2016, incluindo a caracterização de sua comunidade biológica. Na vegetação das zonas ribeirinhas encontram-se organismos intimamente ligados aos cursos de água que utilizam o corredor fluvial para refúgio, alimentação, migração e reprodução durante todo ou parte de seus ciclos de vida. Pode se considerar que a biodiversidade dos cursos de água é o resultado da heterogeneidade e conectividade de habitats, da qualidade das águas e do regime de caudais.

 

O estudo da comunidade biológica da Ribeira do Guilherme compreende dois grupos funcionais: os invertebrados bentónicos e as diatomáceas. Os padrões de diversidade destes organismos são indicadores de qualidade de água e da disponibilidade de habitats fluviais. Em relação aos invertebrados bentónicos foi possível identificaraté o presente momento 52 espécies, incluídas em cinco Filos: Arthropoda, Mollusca, Annelida, Nemertea e Plathyhelminthes.Para além da Ribeira do Guilherme, o presente estudo abrange outras duas linhas de água da Serra da Tronqueira que foram criteriosamente escolhidas para a comparação da estrutura de suas comunidades biológicas.
 
O presente estudo cumpre os requisitos estabelecidos pela Diretiva Quadro da Água para a reabilitação fluvial e é desenvolvido através da parceria entre a SPEA e o InBIO (Laboratório Associado do Polo dos Açores do CIBIO - Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos), Departamento de Biologia, Universidade dos Açores.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

SPEA desenvolve açoes de sensibilização para a proteçao do cagarro

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) colaborou com o projeto Ler Verde, através de ações de sensibilização do projeto LuminAves, e visitou várias escolas durante a campanha SOS Cagarro a sensibilizar os mais jovens do Nordeste.

Foram no total, 11 atividades de sensibilização com um total de 137 alunos visados, desde o 1º ciclo até ao 2º ciclo. Nestas, deu-se a conhecer mais informação sobre o cagarro, outras aves marinhas que visitam o nosso arquipélago, e a importância da sua conservação. Os alunos foram ainda sensibilizados para as ameaças que estes enfrentam e como podem colaborar. 

Em baixo, partilhamos um pequeno video pelas docentes responsáveis do projeto Ler Verde que demonstra o trabalho realizado ao longo de um mês pelos técnicos da SPEA. 


A SPEA agradece o convite e o interesse demonstrado e espera que estes jovens sejam os  voluntários de amanhã.



quinta-feira, 15 de novembro de 2018

SOS Cagarro 2018: balanço final São Miguel e Corvo

Como vendo sendo habitual desde 2009 e no âmbito do projecto LuMinAves desde 2017 com o intuito de mitigar o impacto da poluição luminosa sobre as populações de aves marinhas, a SPEA tem vindo a colaborar com a Direcção Regional dos Assuntos do Mar e respectivos Parques de ilha (São Miguel e Corvo), na Campanha SOS Cagarro.

Juvenil de Cagarro na ilha do Corvo

Esta colaboração é mais evidente na ilha de São Miguel (Vila Franca do Campo, Nordeste, Povoação, Lagoa e Ribeira Grande) e na ilha do Corvo onde temos uma presença contínua que nos permite continuar a Salvar Cagarros e Fazer Amigos!

Libertação de Cagarros na ilha do Corvo

No total foram salvos 369 Cagarros Calonectris borealis em São Miguel e 210 na ilha do Corvo, infelizmente foram ainda encontrados 19 e 7 mortos respectivamente, foram ainda salvos dois cagarros previamente anilhados nas colónias próximas da Vila do Corvo, o que comprova o impacto que a poluição luminosa tem sobre estas aves no seu primeiro voo. De ressalvar o constante apoio de todos os voluntários que colaboraram na Campanha, onde diariamente participaram em brigadas nocturnas para salvar cagarros, de ressalvar ainda a iniciativa de todas as entidades e municípios que desligaram as luzes para mitigar o impacto da luzes artificiais, acrescentando ainda que a Câmara Municipal do Corvo, sócia participante no projecto, desligou por completo as luzes da Vila do Corvo, pelo segundo ano consecutivo no período das 3-6 horas da manhã, além das ruas mais "críticas" como já é habitual há vários anos.

Voluntários a Salvar Cagarros na ilha do Corvo
Foto: Rui Pimentel

Mais uma vez nos despedimos com um MUITO OBRIGADA a todos os que continuam a contribuir para preservar aquela que é a mais emblemática ave marinha dos Açores.


Monitorização da Ribeira do Guilherme: Controlo dos efeitos da recuperação da floresta Laurissilva

No âmbito do projeto LIFE+ Terras do Priolo, a Ribeira do Guilherme está a ser monitorizada com o intuito de se mitigar os impactos decorrentes da recuperação da floresta Laurissilva num gradiente altitudinal de vegetação, na Serra da Tronqueira. A monitorização consiste no estudo da erosão das encostas adjacentes, análise de parâmetros físico-químicos de qualidade de água, avaliação através de índices fluviais e caracterização da comunidade biológica.


Relativamente ao estudo da erosão, parcelas de sedimentos com estacas graduadas foram afixadas no solo das encostas, para se comparar a perda de solo entre áreas intervencionadas e áreas de controle. Um pluviômetro, instalado próximo à área monitorizada, permitirá relacionar a erosão com o regime de chuvas. Devido à localização das parcelas de sedimentos, que consistem em áreas com grandes declives, a monitorização está a ser realizada com recurso a técnicas verticais. Além da leitura das estacas, amostras de solo estão a ser periodicamente recolhidas para análises em laboratório (granulometria, matéria orgânica, pH e densidade aparente).



De acordo com os critérios estabelecidos pela Diretiva Quadro da Água, a comunidade biológica da Ribeira do Guilherme está a ser monitorizada para dois grupos funcionais: macroinvertebrados bentônicos e diatomáceas. A análise da comunidade biológica, juntamente com as análises físico-quimicas, será útil para comparar a qualidade da água nos períodos anterior e posterior aos trabalhos de recuperação da floresta Laurissilva. A monitorização abrange também outras duas ribeiras da Serra da Tronqueira, que estão a ser utilizadas para efeitos de comparação. Através do estudo comparativo entre as ribeiras será possível desenvolver uma análise mais precisa do efeito causado pela intervenção na comunidade biológica.


A monitorização da Ribeira do Guilherme corresponde a uma ação específica do projeto Life+ Terras do Priolo e será útil para avaliar a recuperação dos serviços ecossistêmicos da Ribeira do Guilherme a partir das ações de recuperação da vegetação da floresta Laurissilva.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Juvenil da Lua-de-mel no Corvo VI abandona o ninho

E foi no dia 25 de Outubro pelas 19h que o juvenil de Cagarro Calonectris borealis da Lua-de-mel no Corvo VI, denominado de LIPA saiu do ninho tendo partido para a sua grande aventura pelo Oceano Atlântico com destino ao Sul (Brasil) onde passará o inverno. E se tudo correr bem dentro de 6-7 anos voltará ao local onde nasceu para também ele/ela iniciar a sua Lua-de-mel.

LIPA
Foto: Rui Pimentel
Última imagem do juvenil denominado LIPA

Muito Obrigada a Todos os que acompanharam em directo mais uma
Lua-de-mel no Corvo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Atividade GIRO decorreu na Mata dos Bispos

Decorreu no passado dia 19 de outubro uma ação de plantação de espécies nativas e endémicas da Floresta Laurissilva dos Açores e limpeza de espécies invasoras. Esta plantação foi realizada na Mata dos Bispos, no âmbito da atividade GIRO promovida pela Associação GRACE, em parceria com a SPEA Açores, e contou com a participação de 10 voluntários.


A Associação GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial - é uma associação sem fins lucrativos e exclusivamente dedicada à promoção da Responsabilidade Social Corporativa. O GRACE reúne mais de 150 empresas, das mais variadas dimensões e setores de atividade, empenhadas em aprofundar o seu papel no desenvolvimento social das pessoas e das organizações, partilhando a missão há muito assumida: refletir, promover e desenvolver a responsabilidade social corporativa em Portugal.



Nos últimos anos, a GRACE tem promovido ações de voluntariado empresarial em parceria com a SPEA Açores. No passado dia 19 de outubro, 10 voluntários de duas empresas diferentes participaram  na plantação de plantas nativas e endémicas da Laurissilva dos Açores, numa área do projeto Life+ Terras do Priolo: Mata dos Bispos.


Durante a atividade GIRO os voluntários foram divididos em dois grupos para a limpeza de espécies invasoras na Mata dos Bispos, uma área já recuperada pelo projeto Life+ Terras do Priolo, e plantação de espécies endémicas.


Durante este dia, os 10 voluntários plantaram cerca de 350 plantas endémicas, limparam uma área de Laurissilva de 600m², retirando as espécies invasoras lá existentes, como por exemplo a conteira, e limparam ainda cerca de 600m de trilho.




O nosso muito obrigada aos voluntários pelo empenho demonstrado ao longo deste dia. Esperamos contar convosco novamente no próximo ano.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Recuperação e manutenção de um gradiente altitudinal de vegetação

No âmbito das ações de recuperação de Floresta Laurissilva, o projeto  Life+ Terras do Priolo levou a cabo uma das ações de recuperação mais ambiciosas dos últimos anos. O objectivo dessa recuperação era restaurar um gradiente altitudinal de vegetação natural (350-900 m de altitude). Nas zonas de maior altitude a vegetação nativa competia com a vegetação invasora (conteira, cletra e incenso) que ia aumentando de ano para ano, deste modo, o objetivo era controlar estas espécies para que a vegetação nativa recuperasse por si própria.




Infelizmente nas zonas mais baixas, abaixo dos 500m de altitude, a vegetação era composta por incenso e conteira, restando alguns indivíduos nativos que tentavam sobreviver no meio da invasão total. Controlaram-se cerca de 12 ha de vegetação invasora e plantaram-se no inverno seguinte cerca de 110.000 plantas endémicas e nativas da Laurissilva. A densidade de plantação utilizada foi bastante elevada de forma a que as plantas invasoras não voltassem a entrar e pusessem em causa a plantação.


A manutenção da plantação é um processo moroso e que envolve muitos meios humanos. É portanto fundamental que esta manutenção se efectue 2 a 3 vezes por ano durante pelo menos os primeiros 5 anos após a plantação.

A SPEA  e as 110.000 plantas agradecem a atenção de retirar vizinhos indesejáveis!