quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Nova cara na equipa marinha da SPEA Açores

 A equipa marinha da SPEA Açores tem novo elemento, chama-se Ana Raposo e é licenciada em Biologia pela Universidade de Coimbra e tem um mestrado em Biologia da Conservação, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Depois de vários voluntariados com a equipa na conservação das aves marinhas dos Açores, a Ana junta-se agora a equipa para um estágio (Estagiar L) no qual pretende continuar a contribuir para a conservação das aves marinhas no âmbito dos vários projetos nos quais a SPEA está inserida mas em particular no LIFE IP Azores Natura. Esta jovem, de sorriso fácil e com uma tranquilidade invejável, amante da conservação, do mar, ilustração científica e do desporto, sediada na Graciosa, está pronta para os desafios e aventuras que as colónias de aves marinhas nos trazem. Bem-vinda Raposo! 

Ana Raposo com cria de painho-de-monteiro Hydrobates monteiroi no ilhéu da Praia, Graciosa


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Estagiários despedem-se da SPEA e fazem balanço da experiência

Chega ao fim a estadia de Angel, Cristóbal, José Luís e Santiago na SPEA Açores. Estes alunos do curso profissional de Gestão Florestal de duas escolas de Madrid estiveram a realizar o estágio de fim de curso connosco nos últimos três meses e fazem aqui o balanço da experiência.


Angel: "Trabalhar com a SPEA nos Açores tem sido uma experiência única e inesquecível, pude ver em primeira mão como uma equipa de pessoas trabalha para proteger e conservar esta jóvia da natureza que é o arquipélago dos Açores. Durante a minha estadia na ilha, trabalhei com os meus colegas no viveiro, encarregado da produção de plantas nativas para o repovoamento da ilha. Gostei muito de trabalhar num lugar tão bonito, com pessoas fantásticas.

Cristóbal: "Nunca teria imaginado trabalhar tão longe de casa, 1850 km para ser exato, mas pensando nisso, que grande decisão, este lugar é belo para pessoas que gostam realmente da natureza e também trabalhando na SPEA uma ONG dedicada à conservação da natureza com uma equipa maravilhosa que torna o trabalho muito mais agradável e divertido, pela minha parte não posso pedir mais." 

José: "A única coisa má desta estadia nos Açores foi o pouco tempo que durou. Parece que foi ontem que chegámos ao Nordeste sem saber realmente o que iríamos fazer durante os próximos três meses. Tem sido muito enriquecedor, seja a ONG, onde conheci grandes pessoas a que agora posso chamar amigos; o trabalho, fazendo parte de um projeto de conservação mais vasto e o estilo de vida, longe da cidade, num ambiente que permite pensar e descobrir lugares incríveis. A oportunidade de trabalhar com a SPEA fez-me lembrar os meus anos de voluntariado, trabalhando num ambiente muito semelhante, e a combinação disso com a novidade de poder colaborar fazendo trabalhos de que gosto é uma grande experiência. O lado negativo vem agora com as despedidas e o fim, mas haverá sempre oportunidades para mais experiências.

Santiago: "Embora no início possa parecer um pouco assustador mudar para uma região tão remota e isolada como os Açores, é uma dessas oportunidades que não se pode perder devido à sua natureza excecional. Estas são ilhas únicas que vale a pena visitar pelo menos uma vez na vida e um ambiente ideal para crescer e desenvolver-se profissionalmente no campo das ciências ambientais. Um lugar inesquecível para qualquer amante da natureza. Uma das melhores decisões que já tomei na minha vida, a qual serei sempre grato a todos aqueles que o tornaram possível, tanto ao meu tutor como à excelente equipa da SPEA. Obrigado".

A SPEA Açores deseja-vos muito sucesso na vossa vida profissional e agradece pelo empenho demonstrado. As nossas portas estarão sempre abertas quando nos quiserem vir visitar. Até breve!


"Segue a tua Natureza" nas Terras do Priolo

A iniciativa "Segue a tua Natureza" visitou os Açores e veio conhecer o trabalho que a SPEA desenvolve nas Terras do Priolo para o restauro ecológico da Floresta Laurissilva. 

Vejam o webinar e se és aluno do 3º ciclo, do secundário ou do ensino profissional equivalente, participa nesta iniciativa. 

Assiste aos vídeos e cria uma equipa para realizares o teu próprio vídeo sobre a tua Natureza.


Veja o video AQUI  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Laboratórios de Poluição Luminosa nas Escolas de São Miguel

No decorrer do mês de Dezembro a SPEA, no âmbito do projeto EELABS,  tem vindo a criar Laboratórios de Poluição Luminosa nas Escolas de São Miguel. Esta iniciativa pretende contribuir para obter mais informação sobre a Poluição Luminosa do nosso céu noturno mas também sensibilizar a comunidade escolar para esta ameaça silenciosa que é desconhecida de grande parte da população.

O desafio de se tornar um Laboratório de Poluição Luminosa foi lançado no mês de Novembro e foram várias as escolas que aceitaram.  Este passa pela colocação de um dispositivo sensor nas escolas que irá medir e partilhar estes dados na plataforma online https://stars4all.eu/ contribuindo para os dados recolhidos nas ações do projeto EELABS.

Fotómetro instalado na EBI da Maia.


Atualmente, já estão instalados três Laboratórios de Poluição Luminosa em escolas da ilha de São Miguel. Tendo-se concretizado a primeira instalação na Escola Básica Integrada dos Ginetes , seguida da Escola Básica Integrada da Maia e recentemente a Escola Básica e Secundária Armando Cortês-Rodrigues em Vila Franca do Campo. Prevêem-se que sejam criados mais laboratórios no próximo ano.

"É com grande satisfação que instalámos estes 3 equipamentos nas escolas e muito embora seja necessária alguma preparação, temos sentido o apoio incondicional dos executivos das escolas e professores com quem temos lidado. Estas escolas são pioneiras e não se retraem com as dificuldades. Em alguns casos foi pedido o apoio de entidades municipais para a concretização da instalação" diz Ana Mendonça, Técnica da SPEA envolvida na criação dos Laboratórios de Poluição Luminosa.

Instalação do Fotómetro na EBI dos Ginetes com o apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada

Instalação do Fotómetro na EBS Armando Cortes-Rodrigues envolvendo uma turma de especialização vocacional


A SPEA agradece a participação destas escolas e irá continuar a desenvolver ações e atividades de sensibilização para que a poluição luminosa deixe de ser uma ameaça desconhecida, contribuindo assim para a mitigação dos seus efeitos nas aves marinhas dos Açores.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Ninhos artificiais já ocupados por painho-da-madeira

Instalados em junho e já com hóspedes! Os primeiros painhos-da-madeira Hydrobates castro já ocupam o novo Hotel no ilhéu da Praia, Graciosa e no ilhéu da Vila, Santa Maria. 


Ninho artificial ocupado com adulto e ovo de painho-da-madeira no ilhéu da Praia. Foto: PNG

Na Graciosa, temos dois ninhos ocupados com ovo e em Santa Maria temos um ninho com cria. Este resultado é fruto do da localização dos ninhos, uma vez que foram colocados nas zonas mais ocupadas dos ilhéus e inclusive da abundância da espécie, sendo estas 2 colónias acessíveis, as maiores da Região, além do ilhéu de Baixo na Graciosa. No entanto, não deixa de ser relevante, pois normalmente a ocupação de ninhos artificiais demora entre 2-3 anos e estes foram apenas instalados em junho, o que vislumbra um futuro esperançoso para que breve os 100 ninhos disponíveis em cada ilhéu possam vir a ser totalmente ocupados, pelas restantes espécies-alvo, painho-de-monteiro Hydrobates monteiroi, alma-negra Bulweria bulwerii e frulho Puffinus lherminieri, contribuindo para aumentar o habitat disponível para estas espécies, diminuir os eventos de predação e inclusive potenciar a monitorização e avaliação do estado das populações destas espécies.

Ninho de painho-da-madeira ocupado com adulto e cria no ilhéu da Vila



Este foi um esforço conjunto de toda a equipa do projeto LIFE IP AZORES NATURA, na qual se enquadra a DRAAC, DRAM, SPEA, PNI da Graciosa e PNI de Santa Maria.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Task Force Monteiroi 2021

Na semana passada a Task force Monteiroi ou como quem diz o Grupo de Trabalho (SPEA, DRAM, DRAAC, PNG, CMSCG, Universidade dos Açores/IMAR, Universidade de Coimbra/MARE e Universidade de Cardiff, além do investigador Joel Bried/OKEANOS, ART, e da marítimo-turística Nautigraciosa) que tem vindo a desenvolver trabalho sobre a Ave do Ano, o endémico painho-de-monteiro Hydrobates Monteiroi reuniu-se mais uma vez no âmbito do Plano de Ação Internacional para a espécie aprovado há 3 anos.

Cria de painho-de-monteiro

Durante a reunião as várias entidades presentes com responsabilidade e interesse nas ações de conservação, monitorização, investigação e sensibilização pública relacionadas com o painho-de-monteiro apresentaram o trabalho realizado até ao momento.

Nos últimos 3 anos o progresso dos trabalhos é notório e permitiu atingir os objetivos deste plano de ação com alguma satisfação, através dos vários projetos e iniciativas implementadas pelas diversas entidades. Há mais conhecimento sobre a distribuição desta espécie no mar, mesmo fora da época de reprodução. Por outro lado, foram dados passos importantes na preservação dos principais ilhéus onde a espécie nidifica, quer pela manutenção e construção de novos ninhos artificiais, como na garantia de que estas áreas se mantêm seguras para a espécie.
É no entanto de salientar que ainda temos um longo caminho pela frente, que todos os intervenientes parecem estar cientes e comprometidos a caminhar em conjunto e fica clara a importância deste tipo de ferramentas - os planos de ação - para garantir a preservação do bom estado das nossas populações de aves selvagens.
Para terminar, deixamo-vos com uma obra de ficção baseada em factos verídicos sobre a Ave do Ano, com a participação de alguns dos investigadores, vigilantes e técnicos que tem vindo a colaborar na conservação do painho-de-monteiro.


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Salvar Cagarros e Fazer Amigos do Corvo, ao Anel da Princesa e às Terras do Priolo!

Como habitual a SPEA colaborou ativamente na Campanha SOS Cagarro no âmbito do projeto EELabs no Corvo (252 e 4 mortos), Vila Franca do Campo (622 e 10 mortos), Povoação (91), Faial da Terra (82) e Nordeste (6 e 1 morto). No total foram salvos 1113 juvenis de Cagarro Calonectris borealis durante a Campanha SOS Cagarro. As brigadas começaram no dia 15 de outubro e terminaram no dia 10 de novembro, tendo sido anilhados 781 juvenis de cagarros aos quais também foram registadas as biometrias para avaliação da condição corporal, cada juvenil foi ainda georreferenciado para identificar os pontos críticos em termos de poluição luminosa.

Juvenil de Cagarro salvo na ilha do Corvo

Durante esta Campanha houve avanços significativos na minimização do impacto da poluição luminosa o que contribuiu para o menor número de cagarros desorientados na ilha do Corvo, onde o apagão geral da iluminação pública das 21h00-04h00 e das 00h00-06h00 por parte do Município do Corvo e da Portos dos Açores, permitiu ter apenas 256 juvenis desorientados, tendo havido apenas 4 mortos, o número mais baixo de mortos já registado no Corvo desde 2009. Contrariamente aos números de juvenis de Cagarros desorientados em Vila Franca do Campo, que apesar da colaboração do Município de Vila Franca do Campo com apagões que contribuíram para um decréscimo nas quedas e ainda que com alguma ação da Portos dos Açores (primeiro passo de sensibilização foi dado este ano), a iluminação do porto pouco eficiente e alto impacto (LEDs brancos de cor fria, luminárias direcionadas para o ar) nas aves marinhas continua a contribuir para o elevado número de cagarros desorientados, 622, destes havia 21 feridos, 10 mortos e ainda 9 recapturas, na sua maioria aves já salvas na Campanha que voltaram a ser atraídas para terra. Espera-se agora que durante o próximo ano possam ser feitas melhorias significativas e que a Guia de Boas Práticas para a mitigação da poluição luminosa seja seguida, de forma a minimizar o impacto da poluição luminosa nos juvenis de Cagarro junto ao Anel da Princesa.

Juvenil de Cagarro a impermeabilizar as penas antes de voar para o mar

De frisar ainda que, os esforços encetados na minimização desta ameaça que foram em parte impulsionados pelo Município do Corvo estão a dar frutos e inclusive tem sensibilizado e contribuído para uma maior sensibilização de outros Municípios ou freguesias, sendo de louvar a iniciativa em São Miguel, por parte do Município de Vila Franca do Campo e também da Freguesia do Faial da Terra, nas áreas onde também tivemos uma ação diária nas brigadas de salvamento.

Juvenil de Cagarro

Para terminar fica um MUITO OBRIGADA a todos os que contribuíram para Salvar Cagarros e Fazer Amigos, nomeadamente, Parque Natural do Corvo, Parque Natural da ilha de São Miguel, PSP, GNR, Terra Azul, Futurismo,  Clube Naval de Vila Franca do Campo (por mais uma vez nos cederem o espaço para processar os juvenis de cagarro e os manter em segurança até os vigilantes os libertarem)e claro está aos Voluntários, que diariamente nos acompanharam nas brigadas, naquela que é a mais emblemática Campanha de Conservação e Educação Ambiental da região, onde salvar a mais abundante e carismática ave marinha é o símbolo da cidadania e ativismo dos açorianos.

Voluntários na libertação no Corvo