quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Apagão geral na ilha do Corvo para salvar aves marinhas


No passado dia 1 de novembro a SPEA em parceria com a Câmara Municipal do Corvo e o Parque Natural de ilha procedeu ao apagão geral da iluminação pública da Vila do Corvo, de modo, a sensibilizar a população corvina sobre o impacto da poluição luminosa sobre as aves marinhas, e neste caso, o cagarro Calonectris borealis em particular. Esta ação enquadra-se nas ações já implementadas no âmbito do projecto LuMinAves, com apagões gerais desde 2017 e 2018 das 03h00-06h00, tendo o período sido alargado em 2019, das 01h00-05h00 e culminando com o apagão geral das 21h00-05h00 no dia 1. Além do apagão, foram realizadas algumas atividades com a colaboração de voluntários, na qual estiveram presentes cerca de 100 pessoas, além da habitual brigada pela Vila do Corvo para salvar cagarros encandeados, como medida de controlo, onde não foram encontrados juvenis de cagarro encandeados. A noite terminou com um concerto no Bar dos Bombeiros do Corvo que se associou à iniciativa.

Cagarro juvenil

Atividade Glow realizada por voluntários

O Lusco-Fusco Fest como foi denominado é apenas mais um passo para o que deveríamos almejar, ou seja, minimizar o impacto da poluição luminosa nas aves marinhas através da implementação de iluminação pública adequada, com luzes mais amarelas LEDs PC Âmbar ou pelo menos LEDs brancas neutras, 3000k ou inferiores, com luminárias direcionadas para baixo, iluminando apenas o chão e sem dispersão para cima ou lados, com filtros, com redução de intensidade nos períodos críticos e porque não em algumas áreas críticas realizar apagões por alguns períodos seguindo o exemplo dado pela ilha do Corvo, mantendo assim, as metas da eficiência energética e minimizando esta ameaça nas aves marinhas.

O Corvo é assim um santuário para as aves marinhas, não só pelas espécies que aqui nidificam mas por dar o exemplo, por estar disposto a fazer um pouco mais, por perceber que há causas que nos transcendem e que ao proteger a sua biodiversidade está também a proteger e a valorizar o seu valor natural.

Despeço-me com um agradecimento a todos os que contribuíram e deram o exemplo, mas em particular à Câmara Municipal do Corvo, por ter tomado a iniciativa.

Veja a noticia da RTP Açores sobre o apagão no Corvo AQUI


SPEA BirdLife Portugal completa 26 anos

A SPEA Bidlife Portugal completa 26 anos de existência no próximo dia 25 de novembro.  Nestes dias, um pouco de história é relembrada pensando no futuro, sentindo orgulho no caminho percorrido até hoje.



Esta é uma altura em que relembramos todo o trabalho realizado em prol da conservação das aves e dos seus habitats em todo o país mas em que aproveitamos para agradecer a todos os que colaboraram conosco, as diversas direções SPEA, técnicos SPEA, os sócios SPEA, voluntários SPEA, parceiros SPEA e todas as entidades que ao longo de todos estes anos contribuíram para o sucesso desta organização. 

Nos Açores ,  o trabalho da SPEA BirdLife Portugal está intimamente ligado à conservação do priolo, espécie de ave endémica dos Açores. Um esforço que decorre há mais de uma década e que resultou no aumento da sua população e melhoria do seu estatuto de conservação , descrito hoje como Vulnerável e com uma população estimada em cerca de 600 casais. Mas não só!

Olhando para o mar e para as espécies de aves marinhas foram vários e são ainda alguns os projetos desenvolvidos em prol da conservação das aves marinhas dos Açores , em particular o cagarro mas não esquecendo o estapagado , frulho e o paínho-de-monteiro. Sendo este último, uma espécie endémica dos Açores que a par do priolo merece ainda a nossa atenção e esforço. 

A SPEA BirdLife Portugal irá desenvolver diversas iniciativas comemorativas desta data em vários pontos no país e convida a todos a participar e ainda a juntar-se ao Big Day SPEA, a decorrer no dia 30 de novembro.


Ainda pode fazer parte desta grande família , faça-se sócio da SPEA e contribua !

SOS Cagarro 2019: do Corvo, a Vila Franca do Campo às Terras do Priolo


A Campanha SOS Cagarro é a mais emblemática Campanha de sensibilização ambiental e conservação que é coordenada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, na qual a SPEA tem colaborado desde 2009 até ao presente. A nossa área de atuação começa pela mais pequena ilha dos Açores, o Corvo, (um santuário para as aves marinhas e onde tudo começou em 1991), Vila Franca do Campo (com o Anel da Princesa, o ilhéu, uma importante colónia para esta ave marinha), e termina nas Terras do Priolo (Povoação, Faial da Terra e Nordeste, neste período o cagarro ganha protagonismo nas Terras onde o Priolo é Rei).


No total no Corvo foram salvos 633 cagarros juvenis Calonectris borealis (630 anilhados e medidas biométricas registadas) encandeados pelas luzes artificiais em 2019, em colaboração com o Parque Natural de ilha e a ajuda essencial da população corvina, em particular a mais jovem que como habitual é fundamental para o sucesso da Campanha. De ressalvar ainda o apoio fundamental da Guarda Nacional Republicana na libertação dos juvenis de cagarro. E claro está agradecer à Câmara Municipal do Corvo pela minimização do impacto da poluição luminosa ao proceder ao apagão geral da iluminação pública das 01h00-05h00 e o apagão geral no dia 1 de novembro das 21h00-05h00 no âmbito do Projeto LuMinAves. Ainda no âmbito deste, obteve-se uma taxa de recaptura de 25 % de juvenis anilhados nos ninhos monitorizados por nós na ilha e que foram encandeados pelas luzes da Vila do Corvo.

Cagarro juvenil salvo na ilha do Corvo. Foto: Tânia Pipa

Voluntários na Brigada pela Vila do Corvo

Equipa SOS Cagarro, SPEA/PNI e voluntário

Apesar das medidas de mitigação infelizmente o número de mortos foi alto para o esforço de 24h realizado pela equipa SPEA/PNI e voluntários, com 19 mortos, comparativamente com anos anteriores, com 37% destes a corresponderem a cagarros encandeados com a forte iluminação do porto, situação só revertida após o apagão destas luzes pela Portos dos Açores, a pedido da Câmara Municipal do Corvo.


Vídeo da iluminação da Vila do Corvo, no qual se vê a diferença entre as luzes da iluminação pública e do Porto, LEDs Brancas muito fortes. Vídeo: Tânia Pipa




Do Corvo seguimos para Vila Franca do Campo onde no total foram salvos 735 cagarros que foram anilhados e as biometrias registadas, tendo ainda sido recapturados 14 juvenis anilhados no Ilhéu de Vila Franca do Campo, com uma taxa de recaptura de 7% de juvenis do ilhéu encandeados pelas luzes da marina de Vila Franca do Campo. Infelizmente também aqui à semelhança do Corvo as luzes da Porto e marina não são adequadas e contribuíram para um maior encandeamento.

Brigada SOS Cagarro na marina de Vila Franca do Campo

Cagarro ferido após colisão com as luzes LEDs Brancas muito fortes em Vila Franca do Campo. Foto: Ana Mendonça

E de Vila Franca do Campo continuamos a salvar cagarros e a fazer amigos nas Terras do Priolo, na Povoação onde foram salvos 130 juvenis de cagarro com a colaboração fundamental da PSP e voluntários, em especial 4 que foram presença constante nas brigadas. Passando pelo Nordeste, com 23 juvenis salvos com a colaboração da PSP. Terminando no Faial da Terra, com 81 salvamentos durante toda a Campanha SOS Cagarro.

Libertação de Cagarros no Nordeste


Cagarros salvos na Povoação. Foto: Ana Mendonça

Em 2019 e como esperado dado o período da lua nova e condições climatéricas o número de quedas foi largamente superior aos anos anteriores (2017, 2018), onde o pico de quedas ocorreu em lua cheia e por esta razão o encandeamento é menor. No entanto, de ressalvar que os novos LEDs Brancos superiores a 3000K colocados nos portos e que provocam maior encandeamento, podem ter contribuído para um maior número destas quedas e da mortalidade, como aconteceu na ilha do Corvo, onde nos dois últimos anos as luzes do porto estavam desligadas, não ocorrendo encandeados e mortos na área. 

Há claramente que repensar as estratégias e ter em conta o impacto da poluição luminosa na biodiversidade e em particular nas aves marinhas, antes de implementar nova iluminação. É neste âmbito que o projeto LuMinAves tem como principal resultado uma Estratégia para a Poluição Luminosa na Macaronésia e que estamos a colaborar ativamente com a EDA, DRAM, FRCT e Okeanos para que sejam tomadas as melhores medidas, que tenham em conta, não só a eficiência energética mas também o impacto desta ameaça na biodiversidade, nomeadamente, as aves marinhas, dada a importância da região para estas espécies e o valor incalculável que estas espécies dão à região.

Para terminar, fica um Muito Obrigada a todas as entidades com as quais colaboramos, desde os Parques Naturais de ilha (Corvo e São miguel), Câmara Municipal do Corvo, GNR, PSP e a todos os voluntários que contribuíram para o salvamento de 1602 juvenis de cagarro. Agora resta-nos esperar 6-7 anos para o seu regresso e até à próxima Campanha. Em 2020 cá estaremos para mais um ano a Salvar Cagarros e a Fazer Amigos, na esperança de que ao menos possamos ter minimizado o impacto desta ameaça nas zonas críticas identificadas.

Cagarro juvenil





Resultados da BirdRace Açores 2019

A BirdRace Açores é um evento que decorre no arquipélago dos Açores com organização SPEA Birdlife Portugal em parceria com o website Aves dos Açores e que já vai na sua 6º edição. Tem como principal objectivo promover a observação de aves nos Açores como atividade que proporciona o contacto com a natureza e contribuir para o aumento dos registos de aves no arquipélago. Em 2019 , contou com o apoio da Amazing Azores e Atlântico Line.

Trata-se  de uma competição por equipas (até 3 elementos) a quem se pediu o registo do máximo de espécies de aves observadas na região durante o fim-de-semana de 05 a 06 de outubro. Este ano, e como habitualmente, fez parte do Eurobirdwatch 2019, uma iniciativa a nível europeu que é promovida pela BirdLife International desde 1993, que em Portugal é coordenada pela SPEA Birdlife Portugal, desde 1999. Em 2019, no âmbito desta iniciativa participaram mais de 28 000 observadores e contaram -se mais de 4 , 2 milhões de aves.

Nos Açores, participaram 11 equipas , totalizando 24 participantes, nos quais se incluem famílias que dedicaram o seu fim-de-semana a observar aves, tendo havido participantes em todas as ilhas com a excepção da ilha das Flores. No total , foram contadas 68 espécies de aves diferentes nos Açores, em que as rolas-do-mar, pintassilgos, pombo-da-rocha, pombo-torcaz, tentilhões, gaivotas, alvéolas, pardais, canários, garajau-comum, estorninhos e melros foram os mais comuns. Nas espécies apenas registadas uma vez pelas equipas estão espécies como a ibis-preta , a codorniz, falcão peregrino, maçarico galego spp americano, escrevedeiras-das-neves, mergulhão-caçador, periquito-rabo-de-junco, galinhola, perna-verde-comum, maçarico-solitário e claro o priolo, uma das aves endémicas dos Açores.
Algumas das equipas participantes na edição de 2019.

Apurados os resultados, a equipa que concretizou uma lista com maior número de espécies observadas a nivel regional é oriunda da ilha Terceira - Team Owls, com 51 espécies de aves observadas no fim-de-semana do concurso. A quem damos os parabéns e poderão expandir as suas observações a outras ilhas através de uma viagem de barco à sua escolha na operação de 2020, patrocínio da Atlântico Line.

Interessa dizer que este ano , o trabalho dos júris não foi tarefa fácil  visto que algumas listas foram muito aproximadas e a competição foi renhida, sendo pouca a diferença entre o 1º e 2º lugar. A organização dá os parabéns também às equipas vencedoras a nível de ilha que  também serão contempladas por um pequeno prémio de participação, pela Amazing Azores.: equipa Bingo Just Now- São Miguel , Blue Island Birders - Faial, É. Regulus sanctaemariae -Santa Maria, Angry Birds - Graciosa, Pilritos do Corvo - Corvo , Arenaria Picarota - Pico e GonGon - São Jorge.

Serão ainda divulgados no website Aves dos Açores os resultados por ilha com mais pormenor. Mais se informa que as equipas serão contactadas brevemente pela organização para distribuição dos prémios.

A maior recompensa é participar e poder partilhar uma atividade em que podemos usufruir da natureza e beleza das aves com amigos e familiares, respeitando a natureza para que outros também o possam fazer. Em nome da organização, agradecemos a todos os que participaram e contamos convosco para continuar a observar aves nos Açores e naturalmente aos patrocinadores, sem os quais não seria possível premiar os vencedores.

A organização agradece a todos e até para o ano.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

SPEA presente no encontro Nacional de Ciência Cidadã

Nos dias 24 e 25 de Outubro, decorreu o 2º Encontro Nacional de Ciência Cidadã na Academia das Ciências de Lisboa. A Ciência Cidadã é baseada na participação voluntária dos cidadãos interessados, que partilham o seu conhecimento e resultados para um projeto cientista.

Este tipo de Ciência tem vindo a afirmar-se como uma área em crescente expansão nas diversas áreas do conhecimento.



A SPEA esteve presente no Encontro e apresentou o projeto “Censo de Milhafres e Mantas nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira”. Este censo é, sem dúvida, uma das maiores iniciativas de Ciência Cidadã nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e contou até à data com mais de 2.200 voluntários que registaram mais de 8.600 aves.


No Encontro, foram divulgados diferentes projetos em curso e discutidos os desafios e futuro desta Ciência, assim como a importância da construção de uma rede de Ciência Cidadã em Portugal, que permita unir projetos, iniciativas e cidadãos interessados.


Estimativa populacional de Milhafres e Mantas 2019

Após a análise dos dados obtidos no Censo de Milhafres e Mantas nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira em 2019 pela equipa da SPEA, foi possível calcular a estimativa populacional destas aves por arquipélago e por ilha.

Assim, no arquipélago da Madeira, atualmente, a população de Mantas está estimada em 352 aves. Houve um aumento de 134 aves de 2018 para 2019. Sendo a estimativa de 283 indivíduos para a ilha da Madeira e 69 para a ilha do Porto Santo.

No arquipélago dos Açores, estima-se que a população atual seja de 3197 aves, menos 583 aves do que em 2018, esta descida poderá estar relacionada com uma menor participação de voluntários na edição do Censo este ano (135 voluntários individuais em 2019 em comparação a 196 em 2018).

A ilha com mais indivíduos é a ilha de São Miguel, com 835 milhafres, seguindo-se o Faial com 827.







O relatório do projeto irá ser divulgado aos voluntários que participaram nesta edição e publicado no site da SPEA

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Voluntários constroem um compostor para viveiros de produção de plantas SPEA

O voluntários do projeto LIFE Volunteer Escapes  construíram um novo compostor para os viveiros de produção de plantas SPEA, neste último mês de trabalho. 

Depois de algumas reuniões foi aprovada a construção de um novo compostor para os viveiros de produção de plantas da SPEA, uma infrastrutura de apoio, essencial para o trabalho desenvolvido no campo em prol do restauro da floresta Laurissilva dos Açores.  Este trabalho foi totalmente desenvolvido pelos voluntários, desde o planeamento da construção, aquisição de materiais até a própria construção. 
Uma das fases iniciais de construção do novo compostor.

O compostor existente, nos viveiros SPEA , encontrava-se já em avançado estado de degradação sendo que a sua substituição era essencial. A construção deste compostor levou cerca de uma semana e a nova estrutura foi dividida em três secções, com a finalidade de efectuar o composto em três tempos diferentes, ao contrario do que acontecia com o compostor anterior. Este permitirá, ainda, a selecção de um composto mais especifico para as novas repicagens das plantas do viveiro.

A equipa técnica da SPEA agradece todo o trabalho efectuado neste compostor totalmente feito pelos voluntários do projeto Life Volunteer escapes.