quinta-feira, 22 de outubro de 2020

SPEA Açores recebe duas novas estagiárias

A SPEA Açores recebeu este mês duas estagiárias provenientes de Espanha e que permanecerão em São Miguel até dezembro. A Yasmin Redolosis Pearce e Andrea Prada Manzanilla irão colaborar em diversos projetos da SPEA Açores de forma a aumentarem o seu leque de aptidões e poderem regressar a casa com uma experiência mais vasta na área da conservação.

Neste momento a Yasmin e a Andrea estão a trabalhar nos viveiros de produção de plantas fazendo testes de germinação das sementes das plantas endémicas. Após a recolha das sementes no verão, estas foram limpas e classificadas para posterior conservação e uso. 

Os testes de germinação são utilizados para monitorizar a viabilidade dos lotes das sementes recolhidas.  Assim saberemos com certeza se estas sementes estão prontas para serem usadas nas nossas estufas e assim continuar a produzir plantas endémicas para a reconversão de áreas de conservação na ZPE Pico da Vara / Ribeira do Guilherme.


Fica aqui uma pequena biografia de cada uma.

A Yasmin tem 26 anos e é natural de Cadiz, Espanha, é licenciada em biologia pela Universidade de Málaga e tem um Mestrado em Diversidade Biológica e do Meio Ambiente. 

Experiência profissional: nas ilhas Galápagos (Ecuador) participou no Projeto "Galápagos Verde 2050" nomeadamente na restauração ecológica de várias espécies de plantas endémicas. Também trabalhou no Projeto "Apicampus" em Espanha no qual desenvolveu diversas experiências em colmeias com abelhas urbanas, alimentação, extração e aproveitamento das abelhas.

Com um bolsa Erasmus Practicas, com duração de 3 meses vai a estar a trabalhar connosco na SPEA Açores. Após várias experiências decidiu que a sua área de trabalho é a conservação de espécies e habitats. Para já, ela está muito feliz com o seu início nos Açores e com muita vontade de aproveitar a sua estadia cá.

A Andrea Prada Manzanilla de 26 anos é natural de Madrid, Espanha, tendo completado os seus estudos de Grau Médio de Formação Profissional na Escola de Capatazes Florestais de Coca, Segóvia, uma das melhores escolas de Espanha para capatazes florestais, tendo mais tarde feito uma Formação Profissional na Escola de Capacitación Agraria de Villaviciosa de Odón em Madrid. 

Experiência profissional: fez um estágio no “Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Hábitat “(GREFA) em Majadahonda, Madrid, onde trabalhou em educação ambiental, na criação em cativeiro, na reabilitação da fauna e no Projeto "Control Biológico del Topillo Campesino". 

No segundo ano na Escola de Capacitación Agraria de Villaviciosa teve a oportunidade de se candidatar à bolsa Erasmus + com uma duração de 3 meses, para vir para os Açores.

Com esta oportunidade de trabalhar na SPEA Açores ela pretende ampliar os seus conhecimentos e pôr em prática tudo o que aprendeu nos seus cursos, assim como aprender mais sobre a flora endémica açoriana e continuar a melhorar a sua formação no manuseamento de fauna, neste caso com as aves.

Nestes primeiros dias nos Açores, a Andrea está apaixonada pela paisagem e pela amabilidade dos açorianos e espera poder ficar mais tempo, depois de terminada a sua bolsa.


Bem-vindas Andrea e Yasmin!! 




Junte-se às Brigadas SOS Cagarro

 


Ilha do Corvo apaga a iluminação pública para salvar aves marinhas

Durante a próxima semana de 26 a 30 de outubro, todas as noites entre as 21h e as 4h haverá um apagão geral no Corvo: a iluminação pública da ilha será desligada, para proteger o grupo de aves mais ameaçadas do mundo, sensibilizar para a problemática da poluição luminosa e dar o exemplo para outros municípios da região.  

Esta iniciativa da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e da Câmara Municipal do Corvo foca-se num período crítico para as aves marinhas. Nesta altura do ano, aves como a cagarra (conhecida nos Açores por cagarro) estão a abandonar os ninhos e a fazer-se ao mar. Para evitar predadores, fazem-no de noite, mas as luzes das nossas vilas e cidades deixam-nas muitas vezes encandeadas, desorientando as jovens aves que acabam por cair por terra, não só nos Açores mas também na Madeira e nas Canárias, por exemplo. 


Este apagão de uma semana é uma expansão face a iniciativas anteriores nesta ilha onde as autoridades têm reconhecido cada vez mais o impacto da poluição luminosa nas aves e a importância de uma política de eficiência energética para proteger estas espécies e alcançar as almejadas metas de conservação e turismo sustentável. Já o ano passado a Câmara Municipal do Corvo e a SPEA promoveram um apagão numa noite, e desde 2017 que o município desliga a iluminação pública durante os períodos mais críticos da campanha SOS Cagarro, em que dezenas de voluntários ajudam a encaminhar para o mar as aves desnorteadas.

A iniciativa, que mereceu apoio unânime num inquérito realizado pela SPEA a 207 corvinos, realiza-se no âmbito dos projetos Interreg EElabs, dedicado ao uso sustentável da iluminação artificial, e Interreg LuMinAves, que visa especificamente mitigar o impacto da poluição luminosa nas aves marinhas. A SPEA e os seus parceiros nestes projetos esperam que outros municípios e ilhas por toda a Macaronésia venham a seguir o exemplo do Corvo, desligando as luzes em períodos críticos.

A SPEA promove também outras iniciativas, com a parceria do Parque Natural de Ilha do Corvo, como a campanha SOS Estapagado. Através desta campanha, nos últimos 10 anos durante o mês Agosto, salvou-se esta outra ave marinha, mais pequena e desconhecida nos Açores, mas que também sofre de encadeamento, contribuindo para tornar a ilha do Corvo num santuário para as aves marinhas.


quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Reduzir a poluição luminosa é prioridade na Macaronésia

No dia 15 de outubro será realizada a apresentação pública do projeto Interreg EElabs “Laboratórios de Eficiência Energética” na ilha do Corvo. Este projeto pretende resolver o problema da poluição luminosa que pode afetar espécies, como por exemplo os cagarros, e ecossistemas, para além de não permitir a observação do céu noturno.

Nos Açores estamos familiarizados com a campanha SOS Cagarro onde resgatamos os juvenis de cagarro, entre 15 de outubro e 15 de novembro, mas sabemos o que causa estas quedas? “O principal motivo são as luzes artificiais. Em particular para os exemplares mais jovens de pardelas e painhos”, explica a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), parceiro do projeto EELabs nos Açores e na Madeira, “Quando estas aves abandonam o ninho, ficam desorientadas, o que pode levar à colisão contra infraestruturas, serem atropeladas, tornarem-se presas de cães e gatos e até perecerem por desidratação”.


Mas os efeitos da poluição luminosa não ficam por aí, uma vez que esta interfere na observação astronómica, nos ecossistemas e até nos próprios ciclos circadianos (que controlam o sono) humanos. Por isso, a SPEA recorda que é essencial a adoção de uma iluminação pública adequada, que tenha em conta a eficiência energética, mas também o impacto na biodiversidade. 

Um dos objetivos do projeto EELabs é promover a elaboração de regulamentos municipais com base em melhores práticas: orientação das luminárias sempre apontando para o solo, sem vidro, para evitar a dispersão da luz, e com temporizadores e redutores de intensidade. Assim como a utilização preferencial de lâmpadas de cor quente, amarela ou âmbar (<3.000K) ou a colocação de filtros. Sugere-se ainda, desligar as luzes durante períodos sensíveis para as aves e nas zonas mais críticas, sempre que compatível com a segurança.

Neste sentido, existem nos Açores exemplos de boas práticas, nomeadamente na ilha do Corvo, que foi a primeira a realizar um apagão em 1991, tem realizado apagões em áreas críticas durante a Campanha SOS Cagarro e, no ano passado, realizou um apagão geral por uma noite. Além disso, o município do Corvo e a EDA irão proceder à substituição da iluminação pública de toda a ilha seguindo as diretrizes do Guia de Boas Práticas para a Poluição Luminosa desenvolvida no projeto Interreg LuminAves.

“Os principais objetivos de EELabs são medir a contaminação luminosa dos ecossistemas naturais protegidos da Macaronésia através de laboratórios de poluição luminosa; criar um mínimo de quatro experiências de poluição luminosa com o objetivo de averiguar como se propaga a luz artificial noturna; envolver os mais jovens na procura de soluções criar e aplicar legislação nos municípios que participarão do projeto, para proteger os ecossistemas noturnos”, enumera Miquel Serra-Ricart, astrónomo do IAC e coordenador do projeto.

EELabs, é financiado através do programa Interreg MAC 2014-2020, medirá a escuridão das noites de, pelo menos, cinco ilhas macaronésicas, através de equipamentos autónomos e não invasivos chamados fotómetros. A instalação destes sensores iniciou-se no passado mês de julho na ilha de Tenerife e La Palma. Ainda este ano serão feitos os primeiros testes na ilha do Corvo e no município de Santa Cruz na Madeira.

Os fotómetros do projeto EElabs permitirão a avaliação do impacto da poluição luminosa na população adulta de aves marinhas. Ou seja, permitirão compreender se este tipo de poluição afeta os cagarros adultos na fase de alimentação das crias, quando há visitas mais regulares às colónias e se estas visitas estão condicionadas pela iluminação pública, algo que ainda não foi testado. 


Estufim: uma ferramenta para educar no Corvo

O estufim continua a ser uma ferramenta fundamental na ilha do Corvo, mesmo após o projeto são já 10 anos na produção de flora nativa (para a requalificação das áreas de intervenção do projeto e áreas verdes na ilha) e na educação e sensibilização ambiental. À semelhança de anos anteriores, a SPEA celebrou um protocolo com a Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira no ano letivo 2020/2021, no âmbito do Programa Despiste e Orientação Vocacional (DOV), que pretende promover o desenvolvimento de competências pessoais e sociais do aluno David. Assim sendo, o aluno colaborará semanalmente (2 h 25 min) na oficina de jardinagem, na produção de flora nativa e requalificação dos espaços verdes da escola com o acompanhamento técnico da SPEA.

David a mondar as plantas nativas presentes no estufim

Até ao momento, o David colaborou na sementeira, transplante e identificação dos canteiros da flora nativa faia-da-terra (Morella faya) , sanguinho (Frangula azorica) e urze (Erica azorica) e ainda procedeu à preparação e fertilização de um canteiro onde terá a Horta do David.

David com um pau-branco Picconia azorica


terça-feira, 29 de setembro de 2020

SPEA promoveu atividades de limpeza costeira

O lixo marinho é uma das maiores ameaças sobre as aves marinhas, tendo sido identificada como uma das prioritárias para a região da Macaronésia. Sendo por esta razão uma das áreas de ação que temos vindo a desenvolver desde 2014 na ilha do Corvo, e agora especificamente no âmbito do projeto OceanLit, um projeto complementar ao projeto LIFE IP AZORES NATURA, que tem como principais objetivos aumentar o conhecimento, melhorar as ações já implementadas, em particular a gestão de resíduos e no nosso caso em particular a sensibilização da população em geral, usuários e população escolar, tendo como principal missão a minimização desta ameaça. 

Desta forma no dia 26 de setembro realizamos a 1ª ação de limpeza costeira na ilha do Corvo, das 4 previstas para cada estação do ano, de modo, a avaliarmos a presença de lixo ao longo do ano nas áreas costeiras, sensibilizando para o problema e disponibilizando esta informação para as entidades competentes, nomeadamente a Direção Regional dos Assuntos do Mar, de forma a responder às diretrizes do descritor 10 da Diretiva Quadro Estratégia Marinha.


Voluntários presentes na limpeza. Foto: Parque Natural do Corvo


No total foram 11 os voluntários que se juntaram a nós, ao Parque Natural de ilha e à Câmara Municipal do Corvo, onde ao longo de 1 hora foram recolhidos 30kg de plástico em 150 metros. De ressalvar que apenas cerca de 25% do lixo foi recolhido, uma vez que a maior parte se encontrava demasiado fragmentada para o efeito. De uma forma geral, os itens encontrados eram constituídos na maioria por escovas de dentes, pentes, isqueiros, tubos refletores, beatas, garrafas e tampas, fragmentos de plástico, chinelos, cotonetes e cordas.


Voluntários na limpeza
Voluntários em limpeza. Foto: Parque Natural do Corvo


Na ilha de São Miguel a SPEA também juntou-se à iniciativa com a colaboração do Agrupamento de Escuteiros da Pedreira e com o apoio da Câmara Municipal do Nordeste fomos limpar a orla costeira entre Fajã de Araújo e a Praia de Lombo Gordo. 


Mesmo numa das praias mais afastada de núcleos urbanos, encontramos bastante lixo marinho: muitos pedaços grandes de plástico, esferovites, garrafas de plástico, cabos de embarcações, beatas, máscaras e inclusive microplásticos na areia da praia. 






Após a recolha e classificação do lixo conversamos com os escuteiros sobre o que pode ser feito por cada um de nós para evitar que todo este lixo vá parar para o mar. Para terminar, fica um agradecimento especial a todos os voluntários e parceiros. Lembrem-se há que repensar, recusar, reduzir, reutilizar e só por fim reciclar, é essencial que mudemos atitudes se queremos minimizar o nosso impacto no ecossistema.







quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Estudo sugere nova subespécie de estapagado

A SPEA colaborou num estudo que agora foi publicado no Jornal of Avian Biology no qual se sugere uma nova subespécie de estapagado Puffinus puffinus canariensis ssp. nova. O estudo foi baseado no trabalho realizado no âmbito da Campanha SOS Estapagado de 2009 a 2019 na ilha do Corvo e também na ilha da Madeira, através da amostragem dos indivíduos desorientados pela poluição luminosa.  Tendo sido verificado que os estapagados das Canárias são diferentes das populações do "norte" (Corvo e Mallaig, Escócia), nomeadamente, reproduzem-se em períodos diferentes, na morfologia, plumagem, vocalizações e em termos genéticos, a plumagem é diferente, as vocalizações também o são e claro geneticamente! Sugerindo-se assim, uma nova subespécie para as Canárias.

Estapagado Puffinus puffinus juvenil salvo na ilha do Corvo após desorientação pela iluminação pública


Para terminar fica um agradecimento especial, em particular à Sandra Hervías, Bárbara Ambrós, Sérgio Marín, ao Parque Natural de ilha, em especial ao Rui Pimentel e a todos os que colaboraram para salvar estapagados!