sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Estagiar L/T em conservação das aves e habitats dos Açores

A SPEA está a disponibilizar várias vagas de estágio no âmbito do programa Estagiar L e T da Região Autónoma dos Açores. As vagas disponíveis pretendem encontrar profissionais interessados em colaborar em diversas áreas com os vários projetos de conservação de aves e habitats que desenvolvemos nos Açores. 




As vagas disponíveis são para:

  • Monitorização e conservação de avifauna;
  • Sensibilização de visitantes e educação ambiental;
  • Produção e monitorização de flora nativa dos Açores;
  • Comunicação ambiental e de ciência;
  • Engenheiro Florestal/ Agrónomo para restauro ecológico de habitats;
  • Arquiteto paisagista para restauro de percurso pedestre.

Se tens formação em alguma destas áreas e vontade de integrar uma equipa multidisciplinar dedicada à conservação da biodiversidade dos Açores, podes enviar o teu CV para acores@spea.pt

O prazo de apresentação de candidaturas através da plataforma do programa (https://empregojovem.azores.gov.pt/) está aberta até 30 de Novembro.


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

SPEA Açores lança Programa Escolar dedicado às aves marinhas

Nos Açores, já todos ouviram falar do cagarro, mas o frulho, estapagado, alma-negra e painhos são ainda desconhecidos para os açorianos. Até o painho-de-monteiro, que é outra ave que apenas pode ser encontrada nos Açores, é pouco conhecida. A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) está a lançar à comunidade escolar e outras instituições educativas, um conjunto de propostas para dar a conhecer estas aves e descobrir como as proteger, protegendo ao mesmo tempo a saúde dos nossos oceanos.

A SPEA trabalha na conservação das aves marinhas nos Açores e desenvolve ações de educação ambiental e literacia dos oceanos na ilha do Corvo há mais de 10 anos. Este ano, pela primeira vez, esta proposta alarga-se à ilha de São Miguel (em formato presencial e online) e a outras ilhas dos Açores em formato online.

Para o ano letivo de 2020/2021 a SPEA propõe o Concurso Escolar “ECO-GUARDIÕES” que convida as turmas do 2º e 3º ciclo a investigar a problemática do lixo marinho e desenvolver junto da comunidade escolar ações de sensibilização e voluntariado para a diminuição do problema. As turmas interessadas poderão ainda contar com uma sessão de apresentação da temática e uma sessão de acompanhamento da turma no desenvolvimento das ações do concurso.

O Programa Escolar propõe atividades adaptadas para os diversos níveis de ensino sobre as Aves marinhas dos Açores e algumas das suas principais ameaças, como por exemplo o lixo marinho e a poluição luminosa. Este Programa Escolar para 2020/2021 vem chamar a atenção para algumas problemáticas importantes, que afetam diretamente os açorianos e que são o alvo dos projetos INTERREG EELabs e OCEANLIT, dos quais a SPEA é parceira.

Este Programa Escolar será em breve complementado com uma proposta de atividades já tradicionais do Centro Ambiental do Priolo sobre o Priolo e a Laurissilva dos Açores e sobre as Aves dos Açores disponíveis também para todas as escolas da ilha de São Miguel.

O Programa Escolar pode ser consultado aqui neste Blogue e as atividades podem ser marcadas contactando com o Centro Ambiental do Priolo através do e-mail: centropriolo@spea.pt  ou do número 918536123.

DIA NACIONAL DO MAR NA EBI GINETES

No dia 16 de Novembro, a SPEA Açores esteve a comemorar o Dia Nacional do Mar na Escola Básica Integrada dos Ginetes, São Miguel. Realizamos uma palestra para introduzir a 4 turmas do 5º ano as aves marinhas que nidificam nos Açores. As crianças ficaram a conhecer estas aves, o seus pesos e tamanhos , os seus sons e quais são os perigos que elas enfrentam tanto no mar como na terra. 





No âmbito dos nossos dois projetos a decorrer, OceanLit e EELabs, realizamos esta palestra educativa para sensibilizar as crianças de como ao mudar os nossos hábitos podemos reduzir tanto o nosso impacto na poluição luminosa como na geração de lixo marinho. Ambos principais problemas na vida das aves marinhas. 

Após as palestras, teve lugar a Cerimônia Eco Escola e o Hastear da Bandeira . Cerimonia que certifica que a EBI de Ginetes forma parte deste projecto educativo internacional promovido pela organização não governamental europeia Fundação para a Educação Ambiental e apoiado pela Comissão Europeia.




Da nossa parte quisimos ofrecer a escola plantas da Floresta Laurissilva e junto com a turma de Operadores de Jardinagem realizamos uma pequena plantação no jardim da Escola.



Parabéns Escola Básica Integrada de Ginetes e muito obrigada pelo convite!

Sons da Macaronésia já estão no campo!

Na passada semana iniciamos o trabalho de campo do projeto Seabird Macaronesian Sound (SMS) para atualizar as populações de aves marinhas nos Açores através do som. O projeto inspirado no trabalho realizado na década de noventa pelo investigador Luís Monteiro e seguindo a sua base teve início na ilha do Corvo, acrescida às áreas de ação (através do co-financiamento do Governo Regional) já integrantes, caso da ilha das Flores, Santa Maria, Graciosa e São Jorge.

Foi na ilha preta que se ouviram os primeiros roques-de-castro Hydrobates castro e frulho Puffinus lherminieri (temos vindo a detetar desde 2011 com regularidade) da época as espécies que nidificam neste período de inverno e que se esperava encontrar, finda a ilha preta a equipa está agora na ilha Rosa, mais conhecida como Flores, em busca de mais Sons da Macaronésia, para a semana estaremos por São Jorge, será que vamos ter surpresas na ilha castanha?


Roque-de-castro. @Tânia Pipa
Roque-de-castro. @Tânia Pipa

Frulho. @Tânia Pipa

Uma coisa é certa, no meio das aves marinhas a companhia é sempre boa! 

Menos luzes para salvar mais cagarros e fazer amigos!

2020 será para sempre recordado como um ano diferente, e no caso das aves marinhas e da minimização do nosso impacto nos Açores pelas melhores razões, é sempre bom ver que a conservação das aves marinhas não pára! Mais uma Campanha SOS Cagarro terminou e mais amigos foram salvos. Desde 2009 já é habitual a nossa colaboração ativa na Campanha SOS Cagarro coordenada pela Direção Regional dos Assuntos do Mar, em particular nas ilhas onde temos uma colaboração mais direta, em extremos opostos, na mais pequena e na maior a dedicação é sempre a mesma, faça chuva, faça sol...se há cagarros para salvar nós estamos prontos para ajudar!

Na ilha do Corvo temos a sorte de em conjunto com o Parque Natural de ilha com o qual colaboramos, ter uma população e voluntários (em média 20 por dia) tão acérrimos que desde dia 12 de outubro até dia 31 de outubro (após esse período e uma vez que o pico de quedas foi no dia 21 de outubro a equipa esteve de prevenção) estiveram ativamente em brigadas para salvar cagarros e fazer amigos, no total foram salvos 662 cagarros Calonectris borealis (660 anilhados, biometrias e georreferenciação das quedas registadas), 9 foram recapturas, tendo 7 destes sido juvenis anilhados nos ninhos previamente e desorientados pela iluminação pública da Vila do Corvo, infelizmente temos a lamentar 17 mortos (2 destes ainda encontrados vivos, recebendo tratamento no centro de recuperação por parte do Parque Natural de ilha mas não sobrevivendo infelizmente), na maioria por afogamento na ETAR, colisão e ainda 2 atropelamentos.

Equipa maravilha no Corvo

Voluntários na ilha do Corvo

   Juvenil de cagarro salvo no Corvo  
                                     

Há ainda a ressalvar o apagão realizado pelo Município do Corvo o que contribuiu para um menor número de quedas a partir do dia 26 outubro a 30 de outubro (21h00-04h00) e de 31 a 7 de novembro (01h00-05h00), afinal na semana do apagão geral, houve apenas 9 quedas a registar após o apagão.

Apagão no Corvo

Seguindo para o lado oposto, voamos até à ilha maior, São Miguel, onde dedicamos o nosso tempo a salvar aves marinhas nas Terras do Priolo, mais precisamente no Nordeste, Povoação, Faial da Terra e com maior destaque na terra do anel da Princesa, em Vila Franca do Campo, onde no total foram salvos 519 cagarros (também eles anilhados, e com biometrias e georreferenciação registadas), 25 mortos (na maioria por colisão) e 5 feridos. E também aqui os voluntários são indispensáveis para o aumento do número de salvamentos, em particular de 22 a 30 de outubro através da Campanha de voluntariado, na qual participaram 31 voluntários (contribuíram para o salvamento de 342 cagarros, 2 feridos e recolha de 14 mortos, observando in situ esta ameaça) que além de salvarem cagarros e fazerem amigos, ficaram a conhecer mais sobre os novos projetos que estamos a desenvolver para a conservação de aves marinhas, nomeadamente o EElabs, para a minimização da poluição luminosa e o OceanLit para a sensibilização do impacto do lixo marinho nas aves marinhas. De ressalvar ainda a preciosa ajuda do Clube Naval de Vila Franca do Campo que cedeu as suas instalações para estação de amostragem, assim como, um local seguro para guardar os nossos amigos e ainda o Município de Vila Franca do Campo que também se juntou a iniciativa e desligou parte da iluminação costeira contribuindo para diminuir as quedas.

Equipa maravilha em Vila Franca do Campo. @Anxo Cao


Voluntários em Vila Franca do Campo. @Maria Huaman

Para terminar, fica mais uma vez um MUITO OBRIGADA a todos os que de alguma forma colaboraram para Salvar Cagarros e Fazer Amigos! E ainda mais aos que atuaram diretamente na fonte do problema, com os apagões e minimização da poluição luminosa (Município do Corvo, Portos dos Açores no Corvo, Município de Vila Franca do Campo, Município da Madalena, EDA entre outras entidades), esperemos que para o ano mais ações destas sejam realizadas por todas as ilhas, e que contribuam para que os números de cagarros desorientados sejam cada vez menores, pois infelizmente nem todos conseguem ser salvos e há mortes a lamentar, que poderiam ser evitadas com o simples desligar do interruptor nas áreas críticas já identificadas no âmbito do projeto LuMinAves.

    Juvenil de cagarro salvo no Corvo  


quinta-feira, 5 de novembro de 2020

SPEA inicia monitorização da vegetação na Mata dos Bispos

No âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura, a SPEA iniciou a monitorização da vegetação na Mata dos Bispos, com vista a acompanhar e aferir a eficácia das intervenções a realizar nesta área, que têm como objetivo o controlo de espécies exóticas invasoras e restauro de linhas de água em habitas naturais macaronésios. 



Nesta bacia hidrográfica, vão ser intervencionados 29,3 hectares em um gradiente altitudinal compreendido entre 400 e 600 metros de altitude, onde foram identificadas diferentes comunidades vegetais com diferentes fitofisionomias: Floresta Laurissilva Mésica, com coberto arbóreo dominado por louros (Laurus azorica); floresta Laurissilva húmida, com elevada diversidade florística, com destaque para o azevinho (Ilex azorica); Matos macaronésicos endémicos dominados por urze (Erica azorica); floresta Laurissilva Mésica invadida, com coberto arbóreo dominado por incenso (Pittosporum undulatum); manchas puras de incenso, com subcoberto dominado por conteiras (Hedychium gardnerianum); e áreas de clareira dominada por espécies herbáceas invasoras. 

Em cada uma destas áreas foram instaladas três parcelas de monitorização para a avaliação da eficácia do controlo da flora invasora e do sucesso das plantações realizadas. Parcelas localizadas em floresta Laurissilva restaurada pelo projeto LIFE Laurissilva Sustentável (2009-2013) serão utilizadas como controlo, ou seja, como referência de bom estado ecológico, o qual espera-se que as demais áreas alcancem como resultado das intervenções efetuadas. 

Esta área da Mata dos Bispos engloba a secção superior de uma bacia hidrográfica, com ribeiras de fluxo contínuo e intermitente, sendo a recuperação da vegetação natural nesta zona a forma de se conservar alguns dos serviços ecossistémicos desta área, entre eles o controlo do fluxo e da qualidade da água desta bacia do município da Povoação. 

EElabs: uso sustentável de iluminação artificial na ilha do Corvo

 A ilha do Corvo será um laboratório de medição do brilho do céu e da poluição luminosa (medição com fotómetros, aparelhos autónomos), assim como, do impacto da poluição luminosa sobre a população adulta de cagarros na época de alimentação das crias, de modo, a verificar se as visitas às colónias neste período crítico são condicionadas pela iluminação pública da Vila do Corvo.

Fotómetros em teste nas Canárias

Estas ações decorrem no âmbito do projeto Interreg MAC EElabs e decorrerão simultaneamente na ilha da Madeira e nas Canárias. Uma vez que o Corvo tem características únicas, afinal tem apenas um "local crítico/foco luminoso" a Vila do Corvo, pretende-se responder à seguinte questão: Será a ilha do Corvo o Santo Graal das noites naturais na Macaronésia? Uma questão que esperamos responder até 2022 e que aguçou a curiosidade dos 60 corvinos presentes na apresentação pública do projeto.

Para ver a reportagem basta clicar https://fb.watch/1zGsBfQlxq/