quinta-feira, 14 de junho de 2018

Ano Letivo com balanço positivo

Termina amanhã o ano letivo 2017/ 2018 e a SPEA faz um balanço positivo das ações de educação ambiental do programa escolar do Centro Ambiental do Priolo (PECAP). 

Estas ações, integradas no projeto Life+ Terras do Priolo, são na sua maioria palestras escolares, ações no terreno e eventos gratuitos nos quais anualmente participam várias escolas e instituções educativas de São Miguel e não só. Estas tratam de temáticas relacionadas com a biodiversidade e recursos naturais dos Açores, em especial avifauna, como é o caso do Priolo; habitats naturais,  como é o caso da Laurissilva dos Açores e as turfeiras. Servem de complemento ao currículo regular e são ações que visam educar e sensibilizar a população escolar desta ilha para as problemáticas da conservação da natureza e a sua importância.

Neste ano letivo, realizaram-se no total 59 atividades envolvendo 1431 alunos. Sendo a sua maioria ações no terreno que permitem aos alunos observar in situ algumas das problemáticas tratadas no PECAP. É o caso da visita guiada realizada hoje ao Planalto dos Graminhais com 2 turmas de 8º ano da EBS do Nordeste, que permitiu a cerca de 40 alunos conhecer as turfeiras do Planalto dos Graminhais, discutir a sua importância e contribuir para a limpeza do troço inicial do trilho do Planalto dos Graminhais - Pico da Vara. 




O nosso obrigado a todas as instituições que colaboraram connosco ao longo deste ano letivo e até para o ano!


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Lua-de-mel no Corvo VI

O casal de cagarros Calonectris borealis mais famoso do mundo está de volta para mais uma Lua-de-mel directamente da ilha do Corvo. Esta é já a 6ª edição que este casal que já teve 4 crias (2 das posturas não tiveram sucesso, a primeira em 2011 tendo a cria sido predada por um gato e a 4 que não chegou a eclodir, uma vez que o ovo partiu-se acidentalmente) que com sucesso abandonaram o ninho é seguido em directo e online através da rede 4G cedida pela Altice, um dos parceiros que colabora neste projecto desde 2011 no âmbito do projecto e pós-projecto LIFE Ilhas Santuário para as Aves Marinhas. Este projecto tem ainda a parceria da Direcção Geral dos Assuntos do Mar e da Câmara Municipal do Corvo.

Progenitora antes da postura do ovo

Junte-se a nós e aos mais de 69 000 seguidores de 70 nacionalidades diferentes e ajude-nos a chegar aos 100 000 seguidores, dando a conhecer aquela que é a ave marinha mais abundante e mais emblemática dos Açores. 

Para o fazer basta ir a http://cagarro.spea.pt/, onde neste preciso momento a fêmea se encontra no ninho para a postura do ovo que está para breve, sendo depois substituída pelo macho, nesta que é uma incubação partilhada de cerca de 50-55 dias, e se tudo correr como esperado a cria eclodirá no final de Julho (à partida entre o dia 20-25), com mais uma vez os progenitores a partilharem os cuidados parentais até aproximadamente 1-2 semanas antes da mesma abandonar o ninho (final de outubro) rumo ao Brasil, regressando à colónia onde nasceu 5-7 anos depois para também ela iniciar a sua lua-de-mel.

A bordo com as aves marinhas dos Açores

De 11 a 21 de Maio uma equipa da SPEA esteve a bordo do navio NRP “Almirante Gago Coutinho” que se encontra nos Açores a realizar o mapeamento hidrográfico do fundo marinho no âmbito da extensão da plataforma continental. O convite a colaborar nos trabalhos surgiu por parte da Fundação Oceano Azul e teve como objectivo monitorizar a população de aves marinhas nas águas açorianas, sendo que maioritariamente a monitorização ocorreu na maior IBA (área importante para as aves) marinha dos Açores (IBA marinha Corvo e Flores PTM05, 2.104km2). A monitorização baseou-se na metodologia ESAS (European Seabirds at Sea, Camphuysen & Garthe, 2004) que desde o início dos anos 80 permite uma recolha de informação uniforme na Europa, através de censos a bordo e censos aéreos.

Observador a realizar contagem seguindo a metodologia ESAS
Foto: T.Pipa
Observadora a registar a informação da contagem seguindo a metodologia ESAS
Foto: Carlos Silva

Esta metodologia permitir obter padrões de distribuição, abundância relativa, identificar áreas de forageio, observar comportamentos e associações entre espécies na teia trófica (exemplo, aves marinhas, tunídeos, cetáceos) e também interacções com as actividades humanas (frota pesqueira, transporte, etc.). Informação relevante para a actualização das áreas marinhas importantes para as aves marinhas (IBAs marinhas) e incrementam a informação recolhida no âmbito do projecto
MISTIC SEAS II  (coordenado pelo Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, tendo como parceiro a Direcção Regional para os Assuntos do Mar, nos Açores) que está neste momento a testar as metodologias de monitorização nas colónias de nidificação de algumas das espécies observadas  no âmbito do 2º ciclo da implementação da Directiva Quadro Estratégia Marinha.

Transecto junto à Ponta do Marco, ilha do Corvo
Foto: T.Pipa

Foi ainda possível recolher informação sobre a observação de cetáceos, tartarugas e lixo marinho, seguindo a metodologia do Programa de Observação para as Pescas dos Açores . 

No total foram observadas regularmente 9 espécies de aves marinhas, sendo 8 delas nidificantes (cagarro Calonectris borealis, estapagado Puffinus puffinus, gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis atlantis, garajau-comum Sterna hirundo, garajau-rosado Sterna dougalliifrulho Puffinus lherminieri, alma-negra Bulweria bulwerii e painhos Hydrobates sp. por ordem decrescente de abundância), e uma pardela sombria Ardenna grisea um migrador de passagem que se desloca para o Atlântico Noroeste após terminar a época de nidificação (outubro a abril) nas Malvinas/Falklands para efectuar a muda de penas no período não reprodutor. E ainda cetáceos (cachalote Physeter macrocephalus, baleia-de-bossas Megaptera novangliae, baleia-comum Balaenoptera physalus, roaz-corvineiro Tursiops truncatus e golfinho-comum Delphinus delphis) e a tartaruga-boba Caretta caretta.

Cagarros pousados na água

Para terminar fica um agradecimento especial a toda a tripulação do navio 
NRP “Almirante Gago Coutinho”  pela excelente recepção e desejar bom resto de campanha a todos.

Priolo - Ave do ano em 2008

Há dez anos atrás, o priolo foi escolhido pela SPEA como ave do ano 2008. Esta campanha de divulgação anual teve a sua primeira edição em 2007, sendo o roque-de-castro Hydrobates castro (roquinho para os amigos) a ave escolhida nesse ano.
Publicação no âmbito do LIFE Priolo
Foi igualmente  reconhecido através de uma emissão filatélica, lançada pelos CTT a nível mundial a 28 de maio de 2008, dedicada unicamente ao priolo.  Tendo especial simbolismo visto que coincidiu com a campanha da SPEA e permitiu que a imagem do priolo circulasse por todo o mundo sendo um importante contributo para a divulgação da espécie.
Selo com ilustração de José Projecto.
Nesta altura, em 2008, o primeiro projeto LIFE, coordenado pela SPEA, para a proteção do priolo (LIFE Priolo) já se encontrava na fase final. E o priolo era o passeriforme mais ameaçado na Europa e a segunda ave mais rara deste continente. Com efeito, o projeto LIFE Priolo foi o primeiro passo para o início da recuperação desta espécie que hoje, após 15 anos de trabalho e três projetos LIFE, aumentou o seu efetivo populacional e viu o seu estatuto de conservação revisto duas vezes e melhorado de «Criticamente Ameaçado» para «Em Perigo» e hoje para «Vulnerável» (IUCN). O priolo pode ser encontrado unicamente na ilha de São Miguel, nos Açores, nas belas montanhas da zona este desta ilha, na floresta Laurissilva dos Açores. Saiba mais sobre o projeto a decorrer para a sua conservação - LIFE Terras do Priolo.

Em 2018, a escolha da Ave do Ano recaiu sobre outra espécie ameaçada, considerada Em Perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal - a Águia-perdigueira ou Águia de Bonelli (Aquila fasciata). Esta espécie é visada noutro projeto LIFE do qual a SPEA é parceira – LIFE RUPIS, com várias ações de divulgação e sensibilização na Zona do Douro Internacional e em Sintra no Festival ObservArribas.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

“Ilhas Santuário para as Aves Marinhas” e “Terras do Priolo” reconhecidas como solução para as Áreas Protegidas da Europa na plataforma PANORAMA

Os casos de estudo das “Terras do Priolo” e das “Ilhas Santuário para as Aves Marinhas”, coordenados pela SPEA nos Açores, foram reconhecidos com solução para um planeta mais saudável na plataforma PANORAMA - Soluções para um Planeta Saudável.

Esta plataforma, implementada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), a GRID-Arendal, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e a UN Environment (UNE), pretende documentar e promover exemplos de soluções inspiradoras e replicáveis em uma série de tópicos sobre conservação e desenvolvimento sustentável, possibilitando a aprendizagem e inspiração intersectorial.

SAIBA MAIS

Conheça os casos de estudo:

Ilhas Santuário para as Aves Marinhas: http://panorama.solutions/en/solution/safe-island-seabirds

Terras do Priolo: Gestão integrada para salvar uma ave, recuperar habitats e promover a sustentabilidade: https://panorama.solutions/en/solution/lands-priolo-integrated-management-save-bird-recover-natural-habitats-and-promote

Novo projeto de voluntariado ambiental português incluí São Miguel e o Priolo

A SPEA está envolvida num novo projeto LIFE - Life Volunteer Escapes - alusivo ao Voluntariado Ambiental, que teve início a 1 de janeiro de 2018 e prolongar-se-á por 3 anos. É um projeto preparatório, pioneiro em Portugal, que visa apoiar a utilização do European Solidarity Corps para a Conservação da Natureza.
 
Prevê-se que consiga envolver cerca de 200 voluntários, para atividades diversas, que abrangem o território do Continente e Regiões Autónomas. Os voluntários irão não só dar respostas concretas a necessidades de conservação existentes, como ainda alavancar a dinamização de atividades de voluntariado com outros públicos.

Este projeto é coordenado pela Montis e conta com uma parceria alargada e diversificada que integra entidades do setor privado (BCSD Portugal e Playsolutions), administração pública (ARH-Algarve e Município de Torres Vedras), associações e ONGA (Plantar uma Árvore, SPEA, MARCA e Rota Vicentina). Conta ainda com o co-financiamento dos Municípios de Montemor-o-Novo e Vila Pouca de Aguiar.

Saiba Mais

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Reserva Biológica do Corvo: 8 anos a ganhar vida


A recuperação de habitat foi e continua a ser um dos pilares de todo o trabalho realizado pela SPEA na ilha do Corvo, em particular nas áreas de intervenção do projecto e pós-projecto LIFE Ilhas Santuário para as Aves Marinhas, uma vez que a destruição de habitat é uma das ameaças que tem vindo a contribuir para o declínio destas aves, que hoje em dia estão na sua maioria confinadas a ilhéus e zonas inacessíveis. Assim, a SPEA em colaboração com o Parque Natural de ilha e a Câmara Municipal do Corvo realizou mais uma plantação na Reserva Biológica do Corvo, a primeira vedação antipredadores da Europa, a modo de restaurar o habitat  como e melhorar assim as condições de nidificação das aves marinhas.

No dia 20 de Abril foram plantadas 408 plantas de espécies nativas dos Açores na Reserva Biológica do Corvo e na área circundante, nomeadamente 200 urzes Erica azorica, 21 paus-brancos Picconia azorica e 187 faias-da-terra Myrica faya, produzidas no pequeno estufim localizado na Escola Básica e Secundária Mouzinho de Silveira.


Urzes plantadas junto aos ninhos artificiais de Cagarro
Foto: Bárbara Ambrós



Desde 2011 até ao momento, foram plantadas mais de 9000 plantas nativas que tem contribuído para  a recuperação de habitat que não só é evidente, como vem dar outra vida a uma área que antes não era mais do que um local de entulho. E que inclusive desde 2016 conta com o regresso de 2 casais de cagarro Calonectris borealis, que nidificaram pela primeira vez na Reserva, um sinal claro de que a as acções desenvolvidas tem possibilitado à natureza continuar o seu caminho. E que podem indiciar no futuro a ocupação dos 250 ninhos artificiais para cagarro Calonectris borealis, estapagado Puffinus puffinus, frulho Puffinus lherminieri e paínhos (roque-de-castro Hydrobates castro, painho-de-monteiro Hydrobates Monteiroi) espécies protegidas pela Directiva Aves.

Assistente operacional do Parque Natural de ilha a abrir os buracos para as plantações
Foto: Bárbara Ambrós

Se visita a ilha do Corvo e tem interesse em ver de perto as acções de conservação realizadas na Reserva ou inclusive em participar nas mesmas podem enviar um email para tania.pipa@spea.pt ou então visitar o Centro de Interpretação Ambiental e Cultural da ilha do Corvo e  mostrar-se interessado. Caso haja disponibilidade das técnicas teremos todo o gosto em mostrar-lhe a área ou agendar a visita.