quinta-feira, 26 de março de 2020

A Natureza não pára: estapagados como inspiração

Devido à pandemia do Covid-19 a conservação é agora feita a partir de casa e através das teclas do computador ferramenta primordial nestas horas para continuar o trabalho. No entanto, um pouco por todo o lado a Primavera vai dando ar da sua graça com a maioria das aves a preparem-se para mais uma época reprodutora.

E as aves marinhas não são excepção, deixamo-vos um exemplo da monitorização acústica devido à inacessibilidade das colónias (é este o método utilizado para monitorizar esta espécie que nos Açores apenas nidifica no Grupo Ocidental) realizada no início de Março na ilha do Corvo, onde os estapagados Puffinus puffinus já chegaram às colónias para mais uma azáfama reprodutora...escusado será dizer...a Natureza não pára...e nós mesmo nas condições especiais em que nos encontramos também não! Deixamos-vos com o som de cagarros Calonectris borealis e de um macho de estapagado a chegar à colónia na ilha do Corvo que este vos inspire e dê ânimo, depois da tempestade vem a bonança...depende de todos nós!

Estapagado na ilha do Corvo

A Primavera chegou aos viveiros da SPEA

Não parece, mas a primavera chegou! As plantas começam a florir, os dias começam a ficar mais longos, a vida continua. Fazem-se as sementeiras e cuidam-se os terrenos. A vida surge numa pequena semente que começa a rebrotar à procura de luz. As plantas continuam o seu ciclo, tal como nós vamos continuar.

É o caso dos viveiros de produção de plantas da SPEA na ilha do Corvo e em São Miguel, onde já se podem observar as primeiras germinações de plantas nativas dos Açores.

No caso dos viveiros da SPEA no Corvo já podemos ver o Saguinho (Frangula azorica), a Urze (Erica azorica), a Faia (Morella faia) e a tão rara e belíssima Não-me-esqueças (Myosotis maritima).
A produçao atual conta com 1264 não-me-esqueças (Myosotis maritima), 15 sanguinhos (Frangula azorica), 647 urzes (Erica azorica) e 64 faias (Morella faya).

Faia (Morella faya)

Não-me-esqueças (Myosotis maritima)

Sanguinho (Frangula azorica)

Urze (Erica azorica)

No caso dos viveiros de produção de plantas do projeto LIFE IP Azores Natura, em São Miguel, já se pode observar germinação das espécies nativas e ao longo das próximas semanas irá ser feita a contagem da plantas existentes e que mais tarde serão utilizadas na recuperação do habitat natural do priolo, a Floresta Laurissilva dos Açores.


Queiró (Calluna vulgaris)

Malfurada (Hypericum foliosum)

Sargasso (Luzula purpureosplendens)

Malvavisco (Pericallis malvifolia)


A produção de plantas nativas continua!

quinta-feira, 12 de março de 2020

GRACE promove atividade de plantação com a SPEA

No passado dia 28 de fevereiro decorreu uma ação de plantação de espécies endémicas e nativas da Floresta Laurissilva dos Açores, no âmbito de uma atividade promovida pela Associação GRACE em parceria com a SPEA.

Esta atividade contou com a presença de 8 participantes e decorre na Mata dos Bispos, Povoação, numa das áreas intervencionada pela SPEA no projeto Life+ Terras do Priolo. A atividade teve inicio com um briefing sobre o trabalho da SPEA  e do apoio prestado pela Associação GRACE na atividade do GIRO 2.0 de plantação e manutenção das áreas já anteriormente plantadas.


A primeira parte prática desta atividade passou pela limpeza de espécies exóticas no local onde seria efetuada a plantação, trabalho este levado a cabo com precisão e rapidez por parte dos voluntários. Seguidamente, e apesar da chuva que se fazia sentir, iniciou-se a plantação de espécies nativas dos Açores e cada planta foi marcada com uma cana.



Esta marcação serve para que no futuro seja mais fácil visualizar a localização das plantações, já que as plantas exóticas desenvolvem-se de forma mais rápida que as plantas nativas. 


Apesar da atividade ter acabado mais cedo que o previsto devido à chuva intensa que se fazia sentir, foram plantadas cerca de 100 plantas em pouco menos de 45 minutos.



A SPEA agradece, uma vez mais à Associação GRACE pelo interesse demonstrado e a todos os voluntários que com a sua boa disposição e trabalho ajudaram a preservar a Floresta natural dos Açores.



Viu um Mocho?

O Mocho (Asio otus) é a única espécie de rapina noturna residente nos Açores. Devido à dificuldade na sua deteção, é uma das espécies menos conhecidas do arquipélago, pois não existem dados sobre a sua abundância a nível regional ou a sua tendência populacional.

Nesta altura do ano, podem-se observar em alguns jardins urbanos, pastagens e pequenos matos após o pôr-do-sol. Se tem observado algum Mocho e deseja ajudar no estudo desta magnífica ave, convida-mo-lo a inserir as suas observações no eBird . No caso de não utilizar a plataforma eBird, pode preencher o questionário disponível no blog da SPEA Açores.

Foto: Alba Villarroya

Ter mais dados sobre esta espécie e a sua abundância ajuda a que sejam tomadas medidas para a sua protecção e conservação. 

Para mais informação, não hesite em nos contactar através do email: alba.villarroya@spea.pt

Vamos contar Milhafres!

No fim de semana do 4 e 5 de Abril irá decorrer mais uma edição do Censo de Milhafres nos Açores, sendo que este ano é ainda mais especial, pois estamos a celebrar a XV edição do censo. 

O censo consiste na realização de percursos nas várias ilhas, de modo a registar dados sobre os milhafres/queimados (Buteo buteo rothschildi). Estes percursos podem ser realizados a pé, de bicicleta ou de automóvel, e devem ser efetuados entre as 10 e as 14 horas, período coincidente com a maior atividade das aves. A participação no censo está aberta a todos os cidadãos interessados em colaborar, independentemente da sua idade e grau de conhecimento.

 Foto: Alba Villarroya

Para consultar informação relativa ao censo, e o estado atual da população de Milhafres, podem visitar o seguinte link: http://www.spea.pt/pt/estudo-e-conservacao/censos/censo-de-milhafres-mantas/



Para participar no censo, basta fazer a sua inscrição através do email acores@spea.pt ou através do número de telefone 914 212 449, e pré-definir a sua rota. 

Boas contagens!

domingo, 8 de março de 2020

Priolo é personagem principal em obra literária açoriana

Foi no passado fim-de-semana que ficámos a conhecer uma obra literária infanto-juvenil na qual o priolo figura como personagem principal.

Allegro, é um priolo surdo que irá dar vida a uma história cujo tema não poderia ser mais atual - inclusão social. Esta obra bem conseguida por Susana Almeida Rodrigues leva-nos a ponderar sobre o tema de uma forma engenhosa e a autora partilha connosco a sua visão distinta, recorrendo a algumas das aves mais mediáticas dos Açores. A obra com edição de Letras Lavadas, intitula-se Um bando nas Cócegas do vento e está disponível para quem a desejar conhecer e quem sabe saber um pouco mais sobre o priolo.


Foi durante uma visita ao Centro Ambiental do Priolo ,no dia 7 de março, que a autora e também docente nos Açores presenteou a SPEA com um exemplar da obra e nos deu a conhecer a sua paixão pelo priolo. Uma ave açoriana cuja história de resiliência não deixa ninguém indiferente.
Autora da obra , Susana Rodrigues à direita com a Ana Mendonça, técnica da SPEA, à esquerda.

Foi pelo carinho que tem pelo priolo desde criança que Susana Rodrigues incluiu o priolo neste livro e é com muita satisfação que a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves recebe esta oferta.

Agradecemos desde já a visita e convidamos a todos à leitura do livro ''Um Bando nas Cócegas do Vento''.

Saiba mais em https://www.facebook.com/events/953311895061183/?active_tab=discussion




quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

E as Rainhas do Carnaval foram as Aves!


O Carnaval é época de folia e ninguém leva a mal! E os desfiles escolares são exemplo disso mesmo, mas é muito gratificante quando algumas escolas tomam iniciativas que permitem sensibilizar, mesmo num ambiente de festa. Deixamos aqui alguns exemplos de escolas nos Açores que foram criativas com as aves como rainhas da festa e que parabenizamos pela sensibilização e promoção de aves emblemáticas da região, como o Cagarro Calonectris borealis (Madalena do Pico) e o Priolo Pyrrhula murina (Nordeste).


Na Madalena do Pico foi escolhida a temática da campanha SOS cagarro, com os cagarrinhos perfeitamente acomodados nas suas caixas à espera de serem libertados junto ao mar.

Turma da Madalena do Pico com o SOS Cagarro como tema de Carnaval
A EBS do Nordeste teve como mote principal do seu desfile de Carnaval o tema "Os desafios ecológicos" e a turma do 5ºB escolheu as espécies em perigo de extinção, tendo duas crianças escolhido o priolo, ave endémica desta zona da ilha de São Miguel

O priolo entre as espécies em perigo de extinção do mundo inteiro

Ainda, na ilha do Corvo, a SPEA apoiou o Jardim de Infância "Planeta Azul" no desfile de Carnaval como tem vindo a fazer desde 2013. Apesar de este ano não terem optado pelas aves como fantasia, optaram por utilizar materiais reutilizados e fizeram um Carnaval amigo do ambiente.

Técnica do Corvo a colaborar no Desfile de Carnaval escolar
Foto: Joana Patrício
Conhece outros exemplos no arquipélago?  Envie-nos a foto para incluirmos na noticia!