quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Calonectris plasticus: um exemplo do futuro?


No mês de janeiro a Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira e o Jardim de Infância "Planeta Azul" receberam uma visita muito especial. Um cagarro Calonectris borealis que foi o primeiro a chegar à ilha do Corvo este ano, este cagarro "Calonectris plasticus" tornou-se num símbolo para o futuro se continuarmos com o uso desmedido de plástico.

Construção Calonectris plasticus.
Foto: Bárbara Ambros

A sensibilização para a problemática do lixo marinho baseou-se nas estimativas de que até 2050, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico (Wilcox et al. 2015) e ainda da informação recolhida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, no âmbito do projeto LIXAZ que até 2019 vai monitorizar a evolução do lixo marinho no arquipélago e o impacto deste em várias espécies, desde tartarugas (83% dos indivíduos analisados tinham ingerido plástico) a aves marinhas (86% dos indivíduos ingeriram plástico). Estas espécies estão assim sujeitas a intoxicação devido aos elementos químicos presentes no plástico, obstrução das vias respiratórias e trato digestivo e ainda ao ficar presas nos aparelhos de pesca, inclusive nas redes fantasmas que se encontram perdidas pelo oceano fora (Efferth and Paul, 2017).

Assim, esta actividade pretendeu consciencializar a população mais jovem para o excesso de uso de plástico, que se encontra praticamente em todas as suas tarefas diárias, onde um simples iogurte (no lanche) que é consumido uma única vez, demora 50 anos a desaparecer completamente no mar.  E este é um dos melhores exemplos no que concerne à escala temporal de degradação deste material.Tendo um impacto nefasto no ecossistema e resultando também para diminuição da nossa qualidade de vida, seja pela poluição das praias e mar, tão apreciadas como zonas de lazer, na perda da biodiversidade que é a "alma" deste planeta (pessoas são mais felizes se contactarem mais com a natureza, MacKerron and Mourato (2013)) e particularmente para a nossa saúde (ainda que essa ingestão tenha que ser em grandes quantidades) através do consumo de pescado que vai acumulando elementos químicos provenientes dos microplásticos ao longo da teia trófica (Vethaak and Leslie, 2016).

Para isso, além de sensibilizarmos os alunos para o impacto e tempo de degradação do plástico, foi-lhes pedido que trouxessem o plástico utilizado por eles durante um dia, para construir a nossa mascote, o Calonectris plasticus (construído pela Câmara Municipal do Corvo, a quem desde já agradecemos a colaboração). No final, o nosso Calonectris plasticus agregou o plástico utilizado por 37 alunos que participaram na sua elaboração e a estimativa de degradação do mesmo no mar é de 7200 anos. Facto que despertou os alunos para o problema, resta-nos agora passar das palavras à ação e esperar que estas tenham de facto tido algum efeito.


Jardim de infância "Planeta azul" a agregar os materiais
Foto: T.Pipa

Não se esqueçam, é essencial que a redução de consumo deste material seja uma realidade, evite produtos embalados em plástico e se tiverem que o fazer, reutilizem-nos e reciclem. Mas sempre por esta ordem, Reduzir, Reutilizar e Reciclar, o Planeta agradece e todos nós também, precisamos de um planeta saudável para sermos mais felizes, ninguém quer morar numa casa "doente".


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