Entre os dias 22 e 26 de junho, a SPEA realizou a quinta edição do Atlas do Priolo, uma iniciativa que tem como objetivo atualizar a estimativa populacional do priolo (Pyrrhula murina), avaliar a sua tendência populacional e conhecer melhor a distribuição desta ave única dos Açores.
Como refere Tarso Costa, técnico da SPEA e responsável pelo Atlas, esta iniciativa permite obter uma verdadeira “fotografia” da população mundial de priolos, uma vez que a espécie existe apenas numa pequena área da ilha de São Miguel. Por essa razão, trata-se de um projeto singular, com poucas comparações a nível internacional.
Esta edição reuniu 60 voluntários de nove países, que aceitaram o desafio de ajudar a contar todos os priolos do mundo num único dia. Antes das contagens, os participantes receberam formação para aprender a identificar a espécie e familiarizar-se com a metodologia de monitorização utilizada. Houve também tempo para conhecer os locais de amostragem e aplicar no terreno os conhecimentos adquiridos.
Em paralelo com o Atlas, os voluntários colaboraram na instalação de 50 gravadores AudioMoth, no âmbito de um estudo desenvolvido por Ricardo Jorge Lopes (ce3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Estes equipamentos permitem realizar monitorização acústica passiva, registando os sons da floresta ao longo do tempo. A informação recolhida complementará os dados obtidos pelas equipas de campo, abrindo novas possibilidades para o estudo do priolo através da bioacústica e de ferramentas de Inteligência Artificial.
No dia do Atlas, ao nascer do sol, os voluntários distribuíram-se pela área de ocorrência do priolo para realizar as contagens. Cada observação registada contribui para acompanhar a evolução desta espécie emblemática, um verdadeiro símbolo do sucesso da conservação da natureza nos Açores.
Mas o Atlas é muito mais do que ciência. Ao longo da semana, houve espaço para criar amizades, partilhar experiências e viver momentos inesquecíveis na Laurissilva açoriana. Muitos participantes observaram um priolo pela primeira vez e destacaram o ambiente acolhedor, a aprendizagem e o espírito de equipa como alguns dos aspetos mais marcantes da experiência.
A SPEA agradece profundamente a todos os voluntários e monitores que tornaram possível esta edição do Atlas, bem como às entidades parceiras que apoiaram a iniciativa: o Governo dos Açores, a EBS do Nordeste, o Município do Nordeste, a Wayzor Rent a Car, a Accional, a Melo Travel e o Grupo Bensaude.
Terminamos esta edição com mais conhecimento sobre o priolo e o seu habitat, novas amizades criadas e a certeza de que a conservação se faz com o contributo de muitas pessoas. Até ao próximo Atlas!




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