quinta-feira, 9 de julho de 2026

V Atlas do Priolo: amizade, ciência e conservação

Entre os dias 22 e 26 de junho, a SPEA realizou a quinta edição do Atlas do Priolo, uma iniciativa que tem como objetivo atualizar a estimativa populacional do priolo (Pyrrhula murina), avaliar a sua tendência populacional e conhecer melhor a distribuição desta ave única dos Açores.

Priolos: Pedro Neto

Como refere Tarso Costa, técnico da SPEA e responsável pelo Atlas, esta iniciativa permite obter uma verdadeira “fotografia” da população mundial de priolos, uma vez que a espécie existe apenas numa pequena área da ilha de São Miguel. Por essa razão, trata-se de um projeto singular, com poucas comparações a nível internacional.


Esta edição reuniu 60 voluntários de nove países, que aceitaram o desafio de ajudar a contar todos os priolos do mundo num único dia. Antes das contagens, os participantes receberam formação para aprender a identificar a espécie e familiarizar-se com a metodologia de monitorização utilizada. Houve também tempo para conhecer os locais de amostragem e aplicar no terreno os conhecimentos adquiridos.


Em paralelo com o Atlas, os voluntários colaboraram na instalação de 50 gravadores AudioMoth, no âmbito de um estudo desenvolvido por Ricardo Jorge Lopes (ce3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Estes equipamentos permitem realizar monitorização acústica passiva, registando os sons da floresta ao longo do tempo. A informação recolhida complementará os dados obtidos pelas equipas de campo, abrindo novas possibilidades para o estudo do priolo através da bioacústica e de ferramentas de Inteligência Artificial.


No dia do Atlas, ao nascer do sol, os voluntários distribuíram-se pela área de ocorrência do priolo para realizar as contagens. Cada observação registada contribui para acompanhar a evolução desta espécie emblemática, um verdadeiro símbolo do sucesso da conservação da natureza nos Açores.

Mas o Atlas é muito mais do que ciência. Ao longo da semana, houve espaço para criar amizades, partilhar experiências e viver momentos inesquecíveis na Laurissilva açoriana. Muitos participantes observaram um priolo pela primeira vez e destacaram o ambiente acolhedor, a aprendizagem e o espírito de equipa como alguns dos aspetos mais marcantes da experiência.


A SPEA agradece profundamente a todos os voluntários e monitores que tornaram possível esta edição do Atlas, bem como às entidades parceiras que apoiaram a iniciativa: o Governo dos Açores, a EBS do Nordeste, o Município do Nordeste, a Wayzor Rent a Car, a Accional, a Melo Travel e o Grupo Bensaude.

Terminamos esta edição com mais conhecimento sobre o priolo e o seu habitat, novas amizades criadas e a certeza de que a conservação se faz com o contributo de muitas pessoas. Até ao próximo Atlas!

Priolo: Alexandre Dolgner

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Ciência Viva no Verão leva famílias à descoberta do priolo e dos oceanos em São Miguel


Este verão, a SPEA Açores volta a participar no programa Ciência Viva no Verão, com um conjunto de atividades promovidas através do Centro Ambiental do Priolo, em colaboração com o Expolab – Centro Ciência Viva dos Açores. A programação convida famílias, crianças e adultos a descobrir a biodiversidade da zona Este de São Miguel, conhecer melhor o priolo e o seu habitat, e participar em ações de sensibilização para a proteção dos oceanos no âmbito do projeto INTERREG MAC CircularOcean.


As atividades decorrem entre julho e setembro e combinam ciência, natureza e participação cidadã, levando os participantes desde a Laurissilva e os viveiros de plantas nativas até às praias da Povoação, onde o lixo marinho e as beatas estarão no centro da conversa.

A programação arranca com a atividade “À descoberta da Laurissilva”, nos dias 25 de julho e 15 de agosto, às 10h45, com ponto de encontro no Centro Ambiental do Priolo. Esta visita, com cerca de duas horas de duração, decorre na área protegida do Pico da Vara/Ribeira do Guilherme e propõe uma caminhada até ao Jardim de Endémicas da Reserva Florestal da Cancela do Cinzeiro, dando a conhecer a importância desta floresta única e da biodiversidade que acolhe.

Jardim de Endémicas @Ana Mendonça

No dia 1 de agosto, e novamente a 5 de setembro, às 10h30, realiza-se a atividade “Conhecer o priolo – Tour pela Tronqueira”. Nesta visita guiada, os participantes são convidados a percorrer a Serra da Tronqueira em busca do priolo, uma espécie endémica de São Miguel que apenas ocorre na zona Este da ilha. A atividade tem duração de três horas e permite conhecer melhor esta ave emblemática, o seu habitat e o trabalho de conservação desenvolvido na região.

Priolo @Pedro Neto

Também no dia 15 de agosto, às 10h30, a atividade “Da Semente à Planta” leva os participantes aos viveiros de plantas nativas dos Açores, em Santo António Nordestinho. Nesta visita será possível perceber como são produzidas as plantas utilizadas no restauro ecológico do habitat do priolo, um trabalho essencial para a recuperação da floresta nativa e para a conservação desta espécie ameaçada.
Tamujo @spea

O programa inclui ainda duas ações do projeto CircularOcean, dedicadas à sensibilização para o lixo marinho e para a importância de manter as praias limpas. A primeira, “Oceanos circulares: praias limpas – Faial da Terra”, realiza-se no dia 31 de julho, às 14h30, junto às Piscinas do Faial da Terra. Durante a ação, a SPEA estará no terreno para informar, sensibilizar e envolver a população na prevenção do lixo marinho, alertando para o impacto de resíduos como plásticos, embalagens e beatas nos oceanos.

A segunda ação CircularOcean, “Oceanos circulares: Praias Limpas – Ribeira Quente”, decorre no dia 28 de agosto, às 11h00, na Praia do Fogo, na Ribeira Quente. Esta atividade pretende reforçar a mensagem de que grande parte do lixo encontrado no mar tem origem em terra e que pequenas ações individuais podem fazer uma grande diferença na proteção da vida marinha e das zonas balneares.

Atividade de sensibilização em praia @Ana Mendonça

Com estas iniciativas, a SPEA Açores pretende aproximar a ciência da comunidade, promover o contacto direto com a natureza e incentivar escolhas mais responsáveis no dia a dia. Da floresta Laurissilva ao areal, o verão será uma oportunidade para descobrir, aprender e agir pela conservação da biodiversidade e dos oceanos.

As atividades decorrem no âmbito do programa Ciência Viva no Verão 2026 e algumas ações requerem inscrição prévia. Mais informações e inscrições estão disponíveis na página oficial da Ciência Viva no Verão e na agenda do Centro Ambiental do Priolo.



Eco-Guardiões 2025/2026: mais de 500 pessoas envolvidas na proteção do oceano

 
O ano letivo 2025/2026 trouxe-nos novos Eco-Guardiões dos Açores e resultados que mostram como a educação ambiental pode ganhar forma nas mãos dos alunos, dos professores e das comunidades escolares.

Desenvolvido pela SPEA Açores no âmbito do projeto INTERREG MAC CircularOcean, o Eco-Guardiões desafiou escolas e grupos educativos a olhar para o lixo marinho, a reutilização de materiais e a proteção do oceano de forma criativa, participativa e transformadora. Ao longo do ano, cinco turmas/grupos aceitaram este desafio, envolvendo diretamente e indiretamente mais de 500 pessoas entre alunos, professores, famílias, comunidade escolar e visitantes das exposições.

Na EB/JI Monsenhor João Maurício Amaral Ferreira, com o apoio da professora Maria de Jesus Ferreira, os alunos aceitaram o desafio das “Criações Circulares” e deram nova vida a materiais reutilizados, criando presépios com uma forte componente criativa e ambiental. Os trabalhos foram expostos na escola e no Posto de Turismo da Povoação, chegando a cerca de 100 visitantes e levando a mensagem da reutilização para além da sala de aula.

Exemplos de presépios reutilizando materiais 

Na Escola Secundária Domingos Rebelo, com  o apoio da professora Maria do Carmo e sua equipa, os alunos desenvolveram trabalhos de arte criativa com reutilização de materiais e organizaram as Jornadas do Dia do Oceano, envolvendo a comunidade educativa numa reflexão sobre lixo marinho, consumo e responsabilidade ambiental. As criações resultantes deste trabalho estarão patentes nos próximos meses no Terminal Marítimo das Portas do Mar, em Ponta Delgada, dando continuidade à sensibilização junto de um público mais alargado.

Exposição Patente nas Portas do Mar pelos alunos da EBS  Domingos Rebelo

Na Escola EBI 2/3 dos Ginetes, as turmas 6.ºA e 6.ºB, com o apoio da professora Fátima Costa, mergulharam no tema do oceano através da arte. A partir de plásticos, papéis, cartão e outros materiais recicláveis, os alunos criaram “pequenos oceanos” e animais marinhos, num processo que passou pela pesquisa, esboço, desenho, ilustração e construção. Algumas destas criações foram ainda integradas em novos materiais de sensibilização do projeto CircularOcean, mostrando como o trabalho dos alunos pode chegar à comunidade e inspirar novas atitudes.

            
Criações dos alunos da EBI 2/3 dos Ginetes

Também o ATL da Lomba do Botão, com o apoio da professora Cristina Vasconcelos e da equipa ATL, voltou a seguir a via criativa, demonstrando que todos podem ser Eco-Guardiões quando há vontade de aprender, imaginar e agir pelo ambiente.

Trabalho final dos Alunos do ATL da Lomba do Botão

Mais do que trabalhos finais, este projeto revelou processos: alunos que observaram, questionaram, criaram, comunicaram e transformaram resíduos em mensagens. Cada criação trouxe consigo uma chamada de atenção para a importância de reduzir o lixo, valorizar os recursos, proteger as praias e impedir que os resíduos cheguem ao mar.

Para a SPEA Açores, estes resultados mostram o papel essencial das escolas na construção de uma cidadania ambiental ativa. O Eco-Guardiões é uma semente lançada nas salas de aula, mas que cresce nas comunidades, nas praias, nos espaços públicos e nas escolhas do dia a dia.

A todos os alunos, professores, educadores e parceiros que fizeram parte desta edição, o nosso muito obrigado. O oceano precisa de guardiões atentos, criativos e persistentes, e este ano ficou claro que eles já estão no terreno.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Agência para a Energia e Agência para o Clima visitaram os Graminhais

Elementos da Agência para a Energia e Agência para o Clima, que vieram a apresentar o Mercado Voluntário de Carbono em São Miguel, visitaram o Planalto dos Graminhais. 


Esta visita visou ver de perto o trabalho de restauro de turfeiras desenvolvido naquela área pela SPEA. Apesar do nevoeiro, tiveram oportunidade de perceber alguns dos métodos utilizados para restaurar aquele habitat, que contribui para diversos serviços dos ecossistemas, entre os quais o armazenamento de carbono.


Durante a sessão, a apresentação realizada pela Agência para a Energia e Agência para o Clima, a sua Presidente fez questão de referir o trabalho desenvolvido pela SPEA no Planalto dos Graminhais e a sua importância.


Projeto SpongeBoost lança segundo episódio da sua banda desenhada

O projeto SpongeBoost lançou o segundo episódio da sua série de banda desenhada educativa, dando continuidade às aventuras de “Spongy”, a personagem criada para sensibilizar o público para a importância da conservação e restauro de ecossistemas de turfeiras.

Depois do primeiro episódio, onde Spongy explora o papel fundamental das esponjas e das turfeiras saudáveis na retenção de água, armazenamento de carbono e promoção da biodiversidade, a nova edição acompanha Spongy numa nova missão: inspirar pessoas e comunidades a unirem-se em torno de soluções baseadas na natureza.

Os dois episódios encontram-se disponíveis gratuitamente para download no site oficial do projeto, em várias línguas.

A banda desenhada foi ilustrada por Melissa Harms e Nele Schacht, da Parzelle34.

Os episódios podem ser descarregados AQUI


quarta-feira, 27 de maio de 2026

SPEA leva o trabalho dos Açores ao Fórum Internacional MARLICE

A SPEA participou no Fórum Internacional MARLICE 2026, que decorreu de 19 a 21 de maio, em Puerto de la Cruz, Tenerife, levando ao encontro o trabalho que está a desenvolver nos Açores no âmbito do projeto CircularOcean.

Este é um dos principais espaços internacionais dedicados ao debate sobre lixo marinho e economia circular. Ao longo de três dias, o fórum reuniu entidades públicas, investigadores, empresas, organizações da sociedade civil e projetos ligados à conservação marinha, criando um espaço de partilha de conhecimento, boas práticas e soluções para reduzir a quantidade e o impacto dos resíduos que chegam ao mar.

Para a SPEA, esta participação foi uma oportunidade importante para mostrar que, nos Açores, a prevenção do lixo marinho começa muito antes de o resíduo chegar ao oceano. Começa nas ruas, nas ribeiras, nos portos, nas zonas balneares, nas escolas e nas escolhas diárias de cada pessoa.

Apresentação SPEA Açores no Fórum Marlice @Azucena de la Cruz

No âmbito do CircularOcean, a SPEA tem vindo a desenvolver várias ações de sensibilização, educação ambiental, monitorização e envolvimento comunitário em São Miguel. O trabalho apresentado no MARLICE destacou uma abordagem prática e próxima das comunidades: transformar preocupação em ação, recolher dados para apoiar decisões e envolver escolas, voluntários, municípios e setores ligados ao mar na procura de soluções circulares.

Entre as ações já desenvolvidas, destacam-se as limpezas costeiras, a monitorização dos resíduos recolhidos, os inquéritos e ferramentas de participação pública em zonas balneares, as contagens de utilizadores das praias e a produção de informação de apoio aos municípios. Este trabalho permite conhecer melhor a origem, quantidade e tipo de resíduos encontrados, contribuindo para medidas mais eficazes de prevenção e gestão.

Limpeza de praia na Povoação @Ana Mendonça

Um dos focos principais tem sido também a problemática das beatas de cigarro, um resíduo pequeno, mas com grande impacto. Em apenas 14 ações de limpeza em São Miguel, a SPEA recolheu mais de 6 000 beatas de cigarro, com o envolvimento de perto de 300 voluntários. Estes números mostram que muitos resíduos que acabam no mar começam por ser descartados em terra, muitas vezes perto da costa, sendo depois transportados pelo vento, pela chuva ou pelas linhas de água.

Beatas de cigarro no chão . @José Sena Golão/Lusa

A campanha “Oceanos sem Fumo” e a instalação de cinzeiros CircularOcean em zonas costeiras pretendem responder a este problema através da prevenção, da recolha seletiva e da sensibilização da população. A mensagem é simples: uma beata no chão não desaparece. Pode transformar-se em microplásticos, libertar substâncias tóxicas e acabar no oceano.

Cartaz da Campanha Oceano Sem Fumo

O trabalho com as escolas tem sido outro pilar essencial. Através de atividades educativas, desafios de cidadania ativa e iniciativas como os Eco-Guardiões, a SPEA procura envolver crianças e jovens na proteção dos oceanos. A prevenção começa onde se constroem hábitos, e as escolas são espaços fundamentais para despertar pensamento crítico, criatividade e vontade de agir.

Trabalho no âmbito do Eco Guardioes 2025/2026 da EBIdos Ginetes

Trabalho no âmbito do Eco Guardioes 2025/2026 do ATL da Lomba do Botão

A participação no MARLICE permitiu ainda reforçar a importância da cooperação entre regiões insulares. Açores, Madeira e Canárias enfrentam desafios comuns: a distância, a dependência do mar, a pressão sobre zonas costeiras e a chegada de resíduos transportados por correntes oceânicas. Mas partilham também uma enorme capacidade de inovação, mobilização comunitária e construção de soluções adaptadas aos territórios.

Ao levar a experiência dos Açores a Tenerife, a SPEA contribuiu para mostrar que o combate ao lixo marinho exige ciência, educação, participação pública e ação no terreno. Mais do que retirar resíduos das praias, é preciso evitar que cheguem ao mar, valorizar materiais sempre que possível e transformar os resíduos em ponto de partida para novas formas de pensar a economia circular.

Saiba mais sobre o projeto CircularOcean em https://spea.pt/projetos/circularocean/ e acompanhe o trabalho do projeto em https://circularoceanproject.com/ 

Veja  o vídeo resumo do Forum 


quinta-feira, 14 de maio de 2026

A SPEA colabora no projeto LAURIMEL

A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) está a colaborar no projeto LAURIMEL, uma iniciativa científica coordenada pelo Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), em parceria com o Apiário Margaridas, a Universidade de Cardiff (Reino Unido), a Universidade Positivo e as Faculdades Pequeno Príncipe (ambas do Brasil). O projeto pretende investigar o potencial do mel produzido em áreas de floresta Laurissilva dos Açores, estudando de que forma a flora endémica, os solos vulcânicos e o microbioma das abelhas podem influenciar as propriedades biológicas e medicinais deste mel produzido em ecossistemas da Laurisilva.


Foto: Carolina Ferráz

Durante as últimas semanas, a equipa do projeto realizou a instalação de nove colmeias em três zonas diferentes da Serra da Tronqueira (São Miguel, Açores). Esta fase inicial representa um passo fundamental para compreender como os habitats de Laurissilva podem influenciar a composição do mel e a saúde das colónias de abelhas. 

Foto: Yasmin Redolosis 

Foto: Lucía Hevia López

Além da instalação das colmeias, foram também recolhidas amostras de solo, folhas e abelhas provenientes de cada colmeia em cada uma das áreas de estudo. Estas amostras serão posteriormente analisadas através de diferentes técnicas laboratoriais, com o objetivo de estudar características microbiológicas, moleculares e físico-químicas associadas ao mel neste ecossistema de Laurissilva.


Fotos: Yasmin Redolosis

Para mais informações sobre o projeto LAURIMEL por favor consulte: https://trnexus.org/laurimel ou  https://www.ciimar.up.pt/projects/laurimel/