quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Acompanhar as colmeias para conhecer melhor a Laurissilva

 Na Serra da Tronqueira, a SPEA continua a acompanhar de perto as colmeias instaladas em áreas de floresta Laurissilva, em colaboração com o Apiário Margaridas e o CIIMAR, no âmbito do projeto LAURIMEL.

Nesta altura do ano, as colónias encontram-se particularmente ativas. Segundo Carolina Ferraz, do Apiário Margaridas, “as nove colmeias instaladas na Serra da Tronqueira, após um período de adaptação, têm vindo a evoluir positivamente“. O acompanhamento regular permite avaliar o estado das colónias e garantir que se mantêm em boas condições, incluindo a manutenção dos acessos e das áreas envolventes às colmeias.


Ao longo do projeto, estão também a ser recolhidas amostras de plantas, solo, abelhas e mel, enquanto se acompanha a evolução das colónias.


Uma das componentes deste acompanhamento é a observação da fenologia das plantas existentes nas áreas envolventes às colmeias. Segundo os técnicos da SPEA, “ao longo do ano, as espécies vão alterando os seus períodos de floração, disponibilizando diferentes recursos às abelhas”. O registo destas alterações permite acompanhar a disponibilidade de recursos florais na Serra da Tronqueira ao longo das diferentes épocas do ano e ter uma melhor percepção das mudanças que ocorrem na vegetação.  


O projeto LAURIMEL procura, assim, contribuir para um maior conhecimento das relações entre as abelhas, o solo, a vegetação e o mel, valorizando o conhecimento sobre a Laurissilva, “os resultados das amostras que estamos a recolher no âmbito deste projeto permitirão conhecer melhor as relações entre a flora da Laurissilva, os solos vulcânicos, o microbioma das abelhas e as características do mel produzido nesta região”. 

Este projeto é coordenado pelo CIIMAR e conta com a colaboração da SPEA, do Apiário Margaridas, da The Resilience Nexus Initiative e de diversos parceiros científicos nacionais e internacionais.

Fotos: Lucia Hevia e Yasmin Redolosis.


Requalificação do Trilho do Pico da Vara alia turismo sustentável e proteção da biodiversidade

No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Conservação da Natureza, assinalado a 28 de julho, a SPEA Açores apresentou os trabalhos de requalificação do trilho do Pico da Vara, com especial destaque para o troço Graminhais – Pico da Vara com 3.5km intervencionados. A iniciativa contou com a presença do Secretário Regional do Ambiente, Alonso Teixeira Miguel e o vice-presidente da Câmara Municipal do Nordeste, Marco Mourão, bem como de representantes da Direção Regional dos Recursos Florestais e Direção Regional de Turismo, Diretores dos Parques Naturais de Ilha dos Açores e a Gestora do Projeto LIFE IP Azores Natura, Diana Pereira.

A visita teve início nos Graminhais, junto à área recuperada pela SPEA, onde foi feita uma breve apresentação dos trabalhos desenvolvidos. A intervenção integrou a ação C14.2 do projeto LIFE IP Azores Natura e teve como principal objetivo promover uma utilização mais sustentável do trilho, conciliando a experiência dos visitantes com a conservação dos habitats e das espécies protegidas da Zona de Proteção Especial Pico da Vara/Ribeira do Guilherme, integrada na Rede Natura 2000.




“Esta ação surgiu como resposta ao crescimento significativo da procura turística da área ao longo da última década e à degradação da biodiversidade do espaço envolvente. Enquanto em 2014 foram registados cerca de 2.000 visitantes, em 2025 o número ultrapassou os 20.000. Este aumento intensificou problemas como a erosão do solo, o pisoteio da vegetação e a degradação geral do percurso, tornando necessária uma intervenção imediata com medidas de mitigação que irão permitir uma melhor gestão da área no futuro”, referiu Rui Botelho, Coordenador da SPEA Açores.


Para responder a estes desafios, foi desenvolvido um conjunto integrado de intervenções destinadas a reduzir os impactos da utilização turística e melhorar as condições de visitação e promover a recuperação dos habitats naturais. Entre os principais trabalhos realizados destacam-se a construção de mais de 400 metros de passadiços nas zonas mais sensíveis, a consolidação de taludes com técnicas de engenharia natural, a requalificação do trilho e dos sistemas de drenagem para reduzir os processos erosivos, a recuperação ecológica das áreas intervencionadas através da remoção de espécies invasoras e plantação de espécies nativas e endémicas, a instalação de contadores automáticos de visitantes para monitorização da utilização do percurso e o reforço da sinalização e da informação disponibilizada aos utilizadores.



Ao longo do percurso até ao Pico da Vara, os participantes tiveram a oportunidade de observar os novos passadiços e conhecer os desafios associados à sua construção. Foram também apresentadas as diferentes soluções técnicas adotadas, incluindo os materiais utilizados e os respetivos processos de tratamento.


Durante a visita, foi explicado que os diferentes tipos de madeira e métodos de tratamento estão atualmente a ser avaliados em condições reais, com o objetivo de determinar a sua resistência e durabilidade face às condições climatéricas adversas características da Região. Esta experiência permitirá recolher informação relevante sobre o desempenho dos materiais ao longo do tempo e identificar as soluções mais adequadas para futuras intervenções, assim como a possibilidade de replicar noutros trilhos dos Açores. 

Paralelamente, foi implementado um programa de monitorização destinado a avaliar a eficácia das medidas adotadas e a acompanhar a recuperação dos habitats naturais. A informação recolhida contribuirá para melhorar a gestão futura do Trilho do Pico da Vara e servirá de base à aplicação de soluções semelhantes noutros trilhos localizados em áreas protegidas dos Açores.

“Este trabalho representa uma ação muito importante no projeto LIFE IP Azores Natura e marca a conclusão da requalificação do trilho Graminhais-Pico da Vara, uma ação que realizada ao longo dos últimos 4 anos. No entanto a SPEA, numa parceria com a Direção Regional dos Serviços Florestais, requalificou também o troço Santo António Nordestinho-Pico da Vara, levando o total das intervenções para 6.35km”, explicou Rui Botelho, que também fez questão de salientar que “este é um exemplo de como o esforço aliado ao conhecimento técnico são essenciais para a conservação da natureza”.









Ao assinalar o Dia Mundial da Conservação da Natureza com esta apresentação, a SPEA destaca o esforço realizado na proteção dos valores naturais da Região, ao mesmo tempo que chama a atenção para os desafios que o crescimento do turismo coloca à conservação da natureza e à gestão sustentável das áreas protegidas.



quarta-feira, 22 de julho de 2026

Pepe Brix acompanha trabalho do LIFE IP Azores Natura

O premiado fotojornalista e fotógrafo açoriano Pepe Brix visitou recentemente algumas das ações desenvolvidas pela SPEA Açores no âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura.


Natural da ilha de Santa Maria, Pepe Brix é um dos mais reconhecidos fotojornalistas açorianos da atualidade, destacando-se pelo seu trabalho documental sobre o mar, as pescas, a biodiversidade, as comunidades insulares e a relação entre o ser humano e o oceano. Vencedor do Prémio Gazeta de Fotojornalismo 2015 com a reportagem Código Postal: A2053N, publicada na National Geographic Portugal, tem desenvolvido ao longo da sua carreira um vasto trabalho ligado à divulgação de temas científicos e ambientais.

Atualmente, encontra-se a filmar os trabalhos realizados em diversas ilhas dos Açores no âmbito do projeto LIFE IP Azores Natura. Durante a sua visita a São Miguel, teve a oportunidade de conhecer os trabalhos de conservação de turfeiras e as intervenções nas linhas de água no Planalto dos Graminhais, assim como as ações de conservação da floresta Laurissilva dos Açores na Mata dos Bispos, uma área intervencionada pela SPEA.



A Mata dos Bispos assume especial relevância no projeto, não só pelos trabalhos de recuperação e conservação da Laurissilva, mas também pela aplicação de diversas técnicas de engenharia natural para a consolidação de taludes, contribuindo para a recuperação ecológica e para o aumento da resiliência deste ecossistema.

A visita de Pepe Brix contribuirá para dar maior visibilidade ao importante trabalho de conservação da natureza desenvolvido nos Açores, permitindo divulgar junto de um público mais vasto os resultados e a importância das ações implementadas no âmbito do LIFE IP Azores Natura.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Formação “Oceanos Circulares” leva docentes ao Ilhéu de Vila Franca do Campo

 

Entre os dias 13 e 16 de julho, a SPEA Açores dinamizou a ação de formação “Oceanos Circulares”, dirigida a docentes e promovida em colaboração com o Centro de Formação de Professores de Ponta Garça, no âmbito do projeto Circular Ocean.

Realizada no final do ano letivo 2025/2026, esta formação constituiu um momento de aprendizagem, partilha e reflexão sobre a importância do oceano e sobre o papel da educação na promoção de comportamentos mais responsáveis. Ao longo das diferentes sessões, os participantes tiveram oportunidade de aprofundar conhecimentos e explorar ferramentas e atividades que poderão ser adaptadas ao contexto escolar.

A formação começou por abordar a importância do oceano para a vida no planeta, o seu papel na regulação do clima e as características particulares do mar dos Açores. Foram também explorados temas relacionados com a biodiversidade marinha, as aves marinhas, os ecossistemas costeiros e as principais ameaças que atualmente afetam o oceano.

Cagarro no ninho @Tania Pipa

O lixo marinho teve um lugar central no programa. Os docentes refletiram sobre a origem dos resíduos, os seus percursos até ao mar e os impactos provocados nos ecossistemas e na vida selvagem. Foram ainda abordados os microplásticos, as beatas de cigarro, o consumo de produtos descartáveis e a importância da prevenção, reutilização e economia circular. Mais do que transmitir informação, pretendeu-se reforçar a capacidade dos docentes para envolver os alunos na procura de soluções e na adoção de boas práticas com diversas sugestões e ferramentas.

Resíduos na praia @Ana Mendonça

A ação culminou com uma visita de barco ao Ilhéu de Vila Franca do Campo, permitindo consolidar, em contexto real, os conhecimentos adquiridos durante a formação.

Visita guiada ao Ilhéu de Vila Franca @Ana Mendonça

Este espaço natural constitui um importante refúgio para a biodiversidade marinha e para várias espécies de aves marinhas, que utilizam o ilhéu como local de descanso e reprodução. Durante a visita foi possível observar o território a partir do mar, identificar ninhos de cagarro e refletir sobre a importância da conservação destes habitats, bem como sobre os impactos que o lixo, a perturbação humana e outras ameaças podem representar para as espécies que deles dependem.

Encerrar o ano letivo com esta experiência permitiu reforçar uma ideia essencial: a educação ambiental é uma ferramenta fundamental para aproximar as pessoas do oceano e transformar conhecimento em ação.

Grupo de docentes da Formação Oceano Circular 2026 @Ana Mendonça

A SPEA Açores agradece ao Centro de Formação de Professores de Ponta Garça pela colaboração e pelo apoio à realização desta iniciativa, bem como a todos os docentes que participaram, partilharam experiências e demonstraram disponibilidade para continuar a levar a proteção do oceano para dentro das escolas.

A formação foi realizada no âmbito do projeto Circular Ocean, que procura contribuir para a redução do lixo marinho através da monitorização, sensibilização ambiental, envolvimento das comunidades e promoção de comportamentos mais sustentáveis e uma economia circular.


quinta-feira, 9 de julho de 2026

V Atlas do Priolo: amizade, ciência e conservação

Entre os dias 22 e 26 de junho, a SPEA realizou a quinta edição do Atlas do Priolo, uma iniciativa que tem como objetivo atualizar a estimativa populacional do priolo (Pyrrhula murina), avaliar a sua tendência populacional e conhecer melhor a distribuição desta ave única dos Açores.

Priolos: Pedro Neto

Como refere Tarso Costa, técnico da SPEA e responsável pelo Atlas, esta iniciativa permite obter uma verdadeira “fotografia” da população mundial de priolos, uma vez que a espécie existe apenas numa pequena área da ilha de São Miguel. Por essa razão, trata-se de um projeto singular, com poucas comparações a nível internacional.


Esta edição reuniu 70 voluntários de nove países, que aceitaram o desafio de ajudar a contar todos os priolos do mundo num único dia. Antes das contagens, os participantes receberam formação para aprender a identificar a espécie e familiarizar-se com a metodologia de monitorização utilizada. Houve também tempo para conhecer os locais de amostragem e aplicar no terreno os conhecimentos adquiridos.


Em paralelo com o Atlas, os voluntários colaboraram na instalação de 50 gravadores AudioMoth, no âmbito de um estudo desenvolvido por Ricardo Jorge Lopes (ce3c – Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). Estes equipamentos permitem realizar monitorização acústica passiva, registando os sons da floresta ao longo do tempo. A informação recolhida complementará os dados obtidos pelas equipas de campo, abrindo novas possibilidades para o estudo do priolo através da bioacústica e de ferramentas de Inteligência Artificial.


No dia do Atlas, ao nascer do sol, os voluntários distribuíram-se pela área de ocorrência do priolo para realizar as contagens. Cada observação registada contribui para acompanhar a evolução desta espécie emblemática, um verdadeiro símbolo do sucesso da conservação da natureza nos Açores.

Mas o Atlas é muito mais do que ciência. Ao longo da semana, houve espaço para criar amizades, partilhar experiências e viver momentos inesquecíveis na Laurissilva açoriana. Muitos participantes observaram um priolo pela primeira vez e destacaram o ambiente acolhedor, a aprendizagem e o espírito de equipa como alguns dos aspetos mais marcantes da experiência.


A SPEA agradece profundamente a todos os voluntários e monitores que tornaram possível esta edição do Atlas, bem como às entidades parceiras que apoiaram a iniciativa: o Governo dos Açores, a EBS do Nordeste, o Município do Nordeste, a Wayzor Rent a Car, a Accional, a Melo Travel e o Grupo Bensaude.

Terminamos esta edição com mais conhecimento sobre o priolo e o seu habitat, novas amizades criadas e a certeza de que a conservação se faz com o contributo de muitas pessoas. Até ao próximo Atlas!

Priolo: Alexandre Dolgner