A SPEA participou no Fórum Internacional MARLICE 2026, que decorreu de 19 a 21 de maio, em Puerto de la Cruz, Tenerife, levando ao encontro o trabalho que está a desenvolver nos Açores no âmbito do projeto CircularOcean.
Este é um dos principais espaços internacionais dedicados ao debate sobre lixo marinho e economia circular. Ao longo de três dias, o fórum reuniu entidades públicas, investigadores, empresas, organizações da sociedade civil e projetos ligados à conservação marinha, criando um espaço de partilha de conhecimento, boas práticas e soluções para reduzir a quantidade e o impacto dos resíduos que chegam ao mar.
Para a SPEA, esta participação foi uma oportunidade importante para mostrar que, nos Açores, a prevenção do lixo marinho começa muito antes de o resíduo chegar ao oceano. Começa nas ruas, nas ribeiras, nos portos, nas zonas balneares, nas escolas e nas escolhas diárias de cada pessoa.
No âmbito do CircularOcean, a SPEA tem vindo a desenvolver várias ações de sensibilização, educação ambiental, monitorização e envolvimento comunitário em São Miguel. O trabalho apresentado no MARLICE destacou uma abordagem prática e próxima das comunidades: transformar preocupação em ação, recolher dados para apoiar decisões e envolver escolas, voluntários, municípios e setores ligados ao mar na procura de soluções circulares.
Entre as ações já desenvolvidas, destacam-se as limpezas costeiras, a monitorização dos resíduos recolhidos, os inquéritos e ferramentas de participação pública em zonas balneares, as contagens de utilizadores das praias e a produção de informação de apoio aos municípios. Este trabalho permite conhecer melhor a origem, quantidade e tipo de resíduos encontrados, contribuindo para medidas mais eficazes de prevenção e gestão.
Um dos focos principais tem sido também a problemática das beatas de cigarro, um resíduo pequeno, mas com grande impacto. Em apenas 14 ações de limpeza em São Miguel, a SPEA recolheu mais de 6 000 beatas de cigarro, com o envolvimento de perto de 300 voluntários. Estes números mostram que muitos resíduos que acabam no mar começam por ser descartados em terra, muitas vezes perto da costa, sendo depois transportados pelo vento, pela chuva ou pelas linhas de água.
A campanha “Oceanos sem Fumo” e a instalação de cinzeiros CircularOcean em zonas costeiras pretendem responder a este problema através da prevenção, da recolha seletiva e da sensibilização da população. A mensagem é simples: uma beata no chão não desaparece. Pode transformar-se em microplásticos, libertar substâncias tóxicas e acabar no oceano.
O trabalho com as escolas tem sido outro pilar essencial. Através de atividades educativas, desafios de cidadania ativa e iniciativas como os Eco-Guardiões, a SPEA procura envolver crianças e jovens na proteção dos oceanos. A prevenção começa onde se constroem hábitos, e as escolas são espaços fundamentais para despertar pensamento crítico, criatividade e vontade de agir.
Ao levar a experiência dos Açores a Tenerife, a SPEA contribuiu para mostrar que o combate ao lixo marinho exige ciência, educação, participação pública e ação no terreno. Mais do que retirar resíduos das praias, é preciso evitar que cheguem ao mar, valorizar materiais sempre que possível e transformar os resíduos em ponto de partida para novas formas de pensar a economia circular.
Saiba mais sobre o projeto CircularOcean em https://spea.pt/projetos/circularocean/ e acompanhe o trabalho do projeto em https://circularoceanproject.com/






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