quinta-feira, 14 de maio de 2026

O trabalho invisível por detrás do Atlas do Priolo

Uma ave, mais de 50 voluntários, uma manhã e uma fotografia instantânea da sua população!

É esta a premissa do Atlas do Priolo, um dos mais ambiciosos exercícios de monitorização de aves realizados nos Açores. Numa única manhã, dezenas de voluntários percorrem mais de 300 pontos de observação na parte Este da ilha de São Miguel para obter uma “fotografia instantânea” da população do Priolo. Como a SPEA tem divulgado ao longo das várias edições do Atlas do Priolo, esta simultaneidade é fundamental para garantir dados rigorosos sobre a distribuição da espécie e para acompanhar a sua evolução ao longo do tempo.


Entretanto, este trabalho começa vários meses antes do dia do Atlas e existe uma tarefa fundamental que é a marcação dos pontos no terreno. Para que cada voluntário consiga encontrar corretamente os seus pontos de observação, é necessário marcar no terreno 307 locais com elevada precisão. Este trabalho é realizado pela equipa da SPEA em áreas remotas e de difícil acesso, recorrendo a veículos todo-o-terreno, GPS, percursos a pé e spray biodegradável para fazer marcações discretas.

Depois da componente de campo, toda a informação é integrada em sistemas de informação geográfica (SIG), permitindo produzir mapas, percursos e ficheiros digitais que serão utilizados pelos voluntários no terreno durante a realização do censo. Esta preparação é essencial não só para garantir a qualidade científica do censo, mas também para facilitar a navegação e aumentar a segurança dos participantes.

A organização do Atlas do Priolo envolve uma complexa preparação logística e técnica que muitas vezes permanece invisível. No entanto, é precisamente este trabalho de bastidores que torna possível realizar, numa única manhã, um censo coordenado em mais de 300 pontos e continuar a acompanhar a conservação de uma das aves mais emblemáticas dos Açores.

Relembramos que este ano realizaremos a quinta edição do Atlas do Priolo, entre os dias 22 e 26 de junho. A equipa da SPEA já se encontra no terreno, a percorrer montanhas, vales e florestas do habitat do Priolo para garantir que este grande projeto de ciência cidadã possa acontecer com rigor, segurança e sucesso.


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