quarta-feira, 7 de março de 2018

Anedota Biológica: a comédia como ferramenta de aprendizagem


Fevereiro foi o mês da Anedota Biológica onde o conceito for dar a conhecer algumas espécies de animais e o ambiente em seu redor através da comédia, em particular, nomeadamente com recurso a anedotas, estimulando assim, a expressão oral dos alunos. No total foram 32 os alunos que participaram nesta actividade entre a Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira (EBSMS) e o Jardim de infância "Planeta Azul".

Martim Mendonça a contar uma "anedota biológica"
Foto: Bárbara Ambrós

Jardim de infância "Planeta azul" a prestar atenção às "anedotas biológicas".
Foto: Bárbara Ambrós

Seguem alguns exemplos elucidativos:

"Qual é o animal mais antigo do Mundo? Resposta: É a zebra porque é a preto e branco."

Os alunos ficaram assim a saber que a zebra Equus quagga apresenta listas como forma de defesa para com os mosquitos parasitas (os mosquitos Tabanus e Glossina habitam a mesma região das zebras e alimentam-se de sangue equino, pelo que podem transmitir doenças). Uma vez que superfícies claras e escuras (listas pretas e brancas) confundem os mosquitos (Caro et al.2014), esta é até hoje a teoria mais aceite e com provas dadas.

"Na floresta houve um julgamento e uma toupeira foi condenada à morte. Quando o dia de execução chegou, perguntaram-lhe: Tem algum último desejo? Resposta: Enterrem-me viva!"

A toupeira (Talpa occidentalis) é um mamífero insectívoro pertencente à família Talpidae, tem um corpo cilíndrico e alongado, com cerca de 90-130 mm, uma cauda com 25-30 mm e pesa em média de 50 g (varia entre 34-66 g). A pelagem é densa e aveludada, de cor negra ou cinzenta-escura.
O corpo da toupeira está extremamente bem adaptado aos seus hábitos subterrâneos e escavadores. Os olhos encontram-se cobertos por pele e os ouvidos tapados por pêlos. Os membros dianteiros estão desenvolvidos destacando-se uma pata espalmada com 5 garras largas e fortes (a face palmar está virada para fora, funcionando como uma pá). O focinho é pequeno e afilado e tem a função táctil muito desenvolvida através de vibrissas sensitivas e dos órgãos de Eimer (papilas extensamente enervadas). 
A ideia foi sensibilizar os alunos para a função das toupeiras, uma vez que por construírem galerias, revolvem a terra e por vezes são mal vistas pelos agricultores e jardineiros, pois causam alguns prejuízos nas colheitas, no entanto, a sua presença é fundamental pois oxigena o solo ao escavar e revolver a terra e como predadora, consome animais prejudiciais para as colheitas.


"Um porquinho-espinho fez uma asneira e a mãe decidiu dar-lhe uma pancada.
Começou a bater-lhe no rabinho e disse: -Acredita, filho, isto doe-me muito mais a mim do que a ti."

O porco-espinho Hystrix sp. ( pode ter até 60cm de comprimento e 25cm de altura, chegando em alguns casos a pesar 15kg e preferencialmente são "vegetarianos") e o ouriço-cacheiro Erinaceus europaenus (os ouriços  podem ter até 30cm e 1kg apresentando patas curtas e corpo arredondado e é insectívoro) podem ser confundidos, mas na realidade são diferentes, além das características referidas anteriormente, diferem também na distribuição uma vez que os ouriços não existem no continente americano. Além disso, como curiosidade, os alunos ficaram a saber que apesar de porco-espinho de nome, na realidade, os "espinhos" são pêlos duros e robustos e não espinhos, que podem atingir os 8cm. Contrariamente ao que se pensa os porcos-espinhos não arremessam os seus espinhos quando se sentem ameaçados, na realidade estes desprendem-se, quando o animal se mexe.

"Foram descobertos muitos trampolins no pólo norte, sabem para quê? Resposta: É para o URSO POLAR."

Aqui os alunos ficaram a conhecer o maior carnívoro terrestre, o Urso Polar (Thalarctos maritimus) e como a nossa acção tem contribuído para a destruição do seu habitat através do degelo em consequência das alterações climáticas. No entanto, a maior curiosidade relacionou-se com a pelagem/coloração do urso, uma vez que contrariamente ao observado, os ursos não são brancos, apresentam pêlos individuais transparentes, ocos que além de diminuírem a perda de calor pois a luz chega facilmente à pele, que por ser preta ajuda a absorver a luz, aumentam a dispersão da luz solar resultando na coloração branca, que ajuda o urso a camuflar-se no Ártico.

Estes foram apenas alguns exemplos de como a comédia pode ser uma excelente ferramenta de aprendizagem.

Anedota Biológica na EBSMS
Foto: Bárbara Ambrós



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Povoação recebe Fórum Permanente da Carta Europeia de Turismo Sustentável nas Terras do Priolo

O Fórum Permanente da Carta Europeia de Turismo Sustentável (CETS) nas Terras do Priolo reuniu-se a 20 de fevereiro no Auditório Municipal da Povoação. Esta reunião, aberta a toda a população, celebra-se todos os anos com o intuito de apresentar o balanço e recolher contributos para as ações de promoção do turismo sustentável desenvolvidas no território, que compreende os concelhos de Nordeste e Povoação. Nesta ocasião, o Fórum contou com 40 participantes entre empresários da Marca Priolo, entidades parceiras da CETS e alunos da Escola Profissional do Nordeste.


Após a abertura do Fórum, presidida pela Dra. Hélia Palha, diretora do Parque Natural de Ilha de São Miguel acompanhada pelo Vereador da Câmara Municipal da Povoação, o Dr. Rui Fravica e o Coordenador da SPEA Açores, o Dr. Ricardo Ceia, foram apresentadas as ações da responsabilidade da Câmara Municipal da Povoação que irão integrar o Plano de Ação da CETS (2017-2021).

Deste modo, a Câmara Municipal da Povoação consolida o seu compromisso em integrar esta iniciativa e contribuir de forma coordenada com outras entidades públicas e privadas para a promoção do turismo sustentável. A Câmara Municipal da Povoação apresentou um total de 12 ações que incluem uma campanha de sensibilização sobre a recolha seletiva, a criação e promoção da Agenda Cultural da Povoação e a melhoria das acessibilidades no concelho, num contributo para o desenvolvimento de um turismo de qualidade, com respeito pelo ambiente e com mais-valias também para os residentes.



De seguida, foi apresentado o balanço da implementação das ações já integradas no Plano de Ação, sendo que perto do 60% das ações já se encontram em implementação no primeiro dos cinco anos em que vigorará este plano. Os empresários presentes no Fórum foram também convidados a selecionar as ações que, na sua opinião serão prioritárias para o próximo ano, tendo sido a ação intitulada “Curso de Guias da Natureza” destacada como prioritária no âmbito do Plano de Ação em execução.

Aproveitou-se este Fórum para apresentar aos empresários a proposta de novo site para as Terras do Priolo e o vídeo promocional das Terras do Priolo desenvolvido no âmbito do projeto LIFE+ Terras do Priolo pelo Achiel Buyse e o Fórum encerrou com a assinatura de duas renovações de empresas com a Marca Priolo, que revalidam o compromisso de empresas que já aderiram à marca há mais de 3 anos.


As Terras do Priolo, concelhos de Nordeste e Povoação, detêm o galardão da Carta Europeia de Turismo Sustentável em Áreas Protegidas desde 2012, tendo já implementado um primeiro Plano de Ação (2012-2016) com sucesso e renovando o galardão numa recandidatura dinamizada pela Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo, através da Direção Regional do Ambiente e com a parceria da Direção Regional de Turismo, a Direção Regional dos Recursos Florestais, a Camara Municipal de Nordeste, a Câmara Municipal da Povoação, a Associação de Turismo dos Açores, a Associação de Desenvolvimento Local do Nordeste, a Azorina, o Geoparque Açores, o Observatório Microbiano dos Açores a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves

Este galardão permite às Terras do Priolo integrar uma Rede Europeia de Áreas com Carta, incluindo atualmente 157 destinos sustentáveis em 19 diferentes países.



Life+ Terras do Priolo no workshop de Restauro de Ecossistemas Insulares

O Projeto Life+ Terras do Priolo, a decorrer nos concelhos do Nordeste e Povoação,  esteve representado no workshop de Restauro de Ecossistemas Insulares promovido no âmbito do projeto Life Berlengas, de 29 a 31 de janeiro.


O evento de três dias teve como principal objetivo a partilha de experiências relativamente a ações de controlo e remoção de espécies exóticas invasoras,  com projetos semelhantes que decorrem em outras ilhas espalhadas por esse mundo fora. Demonstrou também resultados práticos com uma visita à ilha da Berlenga. 


Durante as diferentes apresentações, as principais espécies invasoras referidas pelos participantes foram os ratos, principalmente o rato preto, e também o chorão das praias (Carpobrotus edulis).

O técnico Filipe Figueiredo apresentou as diferentes técnicas de controlo de erosão em taludes no ambito da ação A5 do projeto Life+ Terras do Priolo que já apresentam bons resultados. No final do segundo dia de trabalho discutiram-se ideias sobre a recuperação das Berlengas, com trocas de experiências e ideias entre os mais de 15 oradores convidados.

Projeto Life+ Terras do Priolo com dois novos estagiários

O projeto Life+ Terras do Priolo recebeu em janeiro dois novos estagiários. Jon Momblona natural de Pasajes de San Juan, Espanha e Manex Alday natural de Urnieta, Espanha, irão permanecer em São Miguel durante os próximos 6 meses no âmbito de um estágio profissional.

Jon Momblona é técnico em Gestão Florestal e do Meio Natural pela Escola Agrária de Derio (Vizcaya). É um apaixonado pelas aves e pela natureza.


Manex Alday é licenciado em Engenharia Agro Alimentar e do Meio Rural pela Universidade Pública de Navarra e é Técnico em Gestão dos Recursos Paisagísticos e do Meio Rural pela Escola Itsasmendikoi (Guipúzcoa). Em 2012 realizou um estágio de 3 meses na Nature Trust Malta, colaborando em diversas áreas como na conservação da flora autóctone e das tartarugas marinhas. Trabalhou na área de venda de produtos fitossanitários, fertilizantes, terras e turfas.


Ambos estão nos Açores desde janeiro de 2018, através do programa Global Training, onde irão desenvolver um estágio de 6 meses a colaborar nos trabalhos dos viveiros de produção de plantas nativas e na monitorização da vegetação no âmbito do projeto LIFE+ Terras do Priolo.
A SPEA Açores dá-lhes as boas vindas e deseja-lhes uma boa estadia nas Terras do Priolo.



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

CAP recebe alunos de PDL

No dia de ontem, 15 de fevereiro, o Centro Ambiental do Priolo (CAP) recebeu a visita de 30 alunos da Escola Secundária Antero de Quental. Esta atividade inserida no Programa Escolar do CAP e no projeto LIFE Terras do Priolo contou com o apoio da Agência Melo.


Esta visita teve como tema principal o turismo, sustentabilidade e naturalmente os recursos naturais dos Açores e a sua conservação. Os alunos tiveram oportunidade de visitar não só o CAP mas também os viveiros de produção de plantas nativas dos Açores do projeto LIFE Terras do Priolo e desta forma conhecer mais sobre as Terras do Priolo  e o seu potencial para o Turismo.



O nosso muito obrigado à Escola e aos docentes pelo seu interesse.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Calonectris plasticus: um exemplo do futuro?


No mês de janeiro a Escola Básica e Secundária Mouzinho da Silveira e o Jardim de Infância "Planeta Azul" receberam uma visita muito especial. Um cagarro Calonectris borealis que foi o primeiro a chegar à ilha do Corvo este ano, este cagarro "Calonectris plasticus" tornou-se num símbolo para o futuro se continuarmos com o uso desmedido de plástico.

Construção Calonectris plasticus.
Foto: Bárbara Ambros

A sensibilização para a problemática do lixo marinho baseou-se nas estimativas de que até 2050, 99% das aves marinhas terão ingerido plástico (Wilcox et al. 2015) e ainda da informação recolhida pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, no âmbito do projeto LIXAZ que até 2019 vai monitorizar a evolução do lixo marinho no arquipélago e o impacto deste em várias espécies, desde tartarugas (83% dos indivíduos analisados tinham ingerido plástico) a aves marinhas (86% dos indivíduos ingeriram plástico). Estas espécies estão assim sujeitas a intoxicação devido aos elementos químicos presentes no plástico, obstrução das vias respiratórias e trato digestivo e ainda ao ficar presas nos aparelhos de pesca, inclusive nas redes fantasmas que se encontram perdidas pelo oceano fora (Efferth and Paul, 2017).

Assim, esta actividade pretendeu consciencializar a população mais jovem para o excesso de uso de plástico, que se encontra praticamente em todas as suas tarefas diárias, onde um simples iogurte (no lanche) que é consumido uma única vez, demora 50 anos a desaparecer completamente no mar.  E este é um dos melhores exemplos no que concerne à escala temporal de degradação deste material.Tendo um impacto nefasto no ecossistema e resultando também para diminuição da nossa qualidade de vida, seja pela poluição das praias e mar, tão apreciadas como zonas de lazer, na perda da biodiversidade que é a "alma" deste planeta (pessoas são mais felizes se contactarem mais com a natureza, MacKerron and Mourato (2013)) e particularmente para a nossa saúde (ainda que essa ingestão tenha que ser em grandes quantidades) através do consumo de pescado que vai acumulando elementos químicos provenientes dos microplásticos ao longo da teia trófica (Vethaak and Leslie, 2016).

Para isso, além de sensibilizarmos os alunos para o impacto e tempo de degradação do plástico, foi-lhes pedido que trouxessem o plástico utilizado por eles durante um dia, para construir a nossa mascote, o Calonectris plasticus (construído pela Câmara Municipal do Corvo, a quem desde já agradecemos a colaboração). No final, o nosso Calonectris plasticus agregou o plástico utilizado por 37 alunos que participaram na sua elaboração e a estimativa de degradação do mesmo no mar é de 7200 anos. Facto que despertou os alunos para o problema, resta-nos agora passar das palavras à ação e esperar que estas tenham de facto tido algum efeito.


Jardim de infância "Planeta azul" a agregar os materiais
Foto: T.Pipa

Não se esqueçam, é essencial que a redução de consumo deste material seja uma realidade, evite produtos embalados em plástico e se tiverem que o fazer, reutilizem-nos e reciclem. Mas sempre por esta ordem, Reduzir, Reutilizar e Reciclar, o Planeta agradece e todos nós também, precisamos de um planeta saudável para sermos mais felizes, ninguém quer morar numa casa "doente".


Projeto "Chegadas Açores"

Numa altura, em que se antecipa a chegada de espécies marinhas migradoras ao nosso arquipélago, a SPEA Açores desafia todos os cidadãos e visitantes a participar no projeto "Chegadas - Açores " e a colaborar na recolha de informação sobre a chegada destas aves utilizando a plataforma PortugalAves - Ebird para registar as suas observações.

@Ana Mendonça


Uma destas espécies é o cagarro, uma ave marinha migradora que nidifica nos arquipélagos portugueses, Açores, Madeira e Berlengas. O Cagarro está ausente durante o inverno e regressa nos meses de Fevereiro a Março às suas zonas de nidificação no nosso arquipélago, onde se mantêm até ao final do verão.

Os primeiros cagarros já foram observados, este ano, sobrevoando junto à costa da Ponta do Arnel, no Nordeste, em São Miguel, durante as contagens da Rede de observação de Aves e Mamíferos Marinhos (RAM) realizadas no passado sábado.

A SPEA Açores pretende promover a observação de aves e registar as chegadas destas espécies nos Açores e convida todos a participar e a enviar o registo visual e/ou auditivo das vossas observações em terra, indicando a data, local e concelho, na plataforma PortugalAves - Ebird e através do email acores@spea.pt.

Boas observações e sejam bem vindos amigos Cagarros.