quinta-feira, 28 de setembro de 2017

LuMinAves: SOS Estapagado 2017

No passado dia 12 de Agosto iniciou-se mais um "SOS Estapagado" na ilha do Corvo que decorreu até dia 12 de Setembro, após o salvamento do último juvenil. À semelhança do SOS Cagarro e de anos anteriores a SPEA realizou patrulhas diárias pela Vila do Corvo entre as 22h-24h com o intuito de salvar os juvenis de Estapagado Puffinus puffinus que abandonam o ninho em meados de Agosto até meados de Setembro e que nos Açores apenas nidifica nas ilhas do Corvo e das Flores. As patrulhas decorreram diariamente e realizaram-se no âmbito do projecto LuMinAves que decorre de 2017-2019 na Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias) com o intuito de mitigar o impacto da poluição luminosa sob as populações de aves marinhas, uma vez que assim como, os Cagarros, também estes são encandeados pelas luzes artificiais da Vila ao abandonar o ninho em direcção ao mar. Ficando desorientados e à mercê de gatos e cães, assim como, de atropelamentos e inclusive morrer por colisão, caso de 1 espécime que infelizmente acabou por não resistir à colisão com a rede do aeroporto, o que alerta ainda mais para o impacto da poluição luminosa sobre as populações das aves marinhas, em particular estas de menor dimensão e menor abundância nos Açores (estimativa de 115-235 casais no Grupo Ocidental, Monteiro et al.1999). De relembrar que este "primo" do Cagarro é de menores dimensões (221-243 mm asa) e por isso mais frágil.

Juvenil de Estapagado morto por colisão
Foto: Rui Pimentel

No total foram 18 os juvenis salvos e libertados com sucesso, aos quais foram registadas as biometrias e anilhados. Resta-nos agora desejar boa sorte a estas jovens aves na sua viagem até ao largo da América do Sul onde passarão o inverno regressando ao local onde nasceram dentro de 2 anos mas reproduzindo-se pela primeira vez com apenas 4 anos (em média 6-8 anos).

Juvenil de Estapagado salvo
Foto: T.Pipa

Deixamos um agradecimento especial a todos os que colaboraram no salvamento destes juvenis, desde a população mais jovem aos adultos e em particular ao Parque Natural de ilha e seu vigilante da Natureza, sem os quais não teria sido possível que estas aves chegassem sãs e salvas ao lugar que lhes pertence, o vasto Oceano Atlântico.

A cria da 5ª edição da Lua-de-mel no Corvo anda à procura de nome


A cria de Cagarro Calonectris borealis da 5ª edição da Lua-de-mel no Corvo está com 2 meses, pesa 1020g e já foi anilhada e à semelhança das edições anteriores gostaríamos de contar com a colaboração dos seguidores para escolher o nome da cria. 

Cria de Cagarro da 5ª edição Lua-de-mel no Corvo
Foto: T.Pipa

Para o fazerem basta sugerirem no facebook da SPEA ou do Centro Ambiental do Priolo até dia 9 de outubro. Escolheremos depois 3 dessas que irão a votos novamente pelos seguidores. A sugestão vencedora receberá a versão impressa do Atlas das Aves Marinhas de Portugal.

Contamos com a vossa colaboração. Continuem a acompanhar a cria de Cagarro mais famosa do mundo em http://cagarro.spea.pt/

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Descobrindo as plantas endémicas na orla costeira do Corvo

A SPEA realizou no dia 23 de Agosto mais uma actividade de educação ambiental inserida no Programa “Ciência nas férias” no Corvo. Esta foi a segunda saída de campo onde os pequenos corvinos (no total foram 6 os participantes) puderam aprender in situ os segredos da flora própria da costa dos Açores.





Alunos observando a flora
Foto: Sérgio Marín


A actividade teve lugar no trilho da costa, uma vez que este habitat costeiro apresenta espécies invasoras (o salgueiro Tamarix africana), e endémicas (vidália Azorina vidalii, Solidago azorica). Os alunos testaram a suas capacidades de observação e identificaram quais as espécies de flora que compõem a comunidade vegetal da orla costeira, assim como, os factores ambientais mais importantes e ainda os polinizadores que desempenham um importante papel na reprodução das plantas.

Para terminar, apuraram a sua capacidade de observação através da representação de uma planta observada, com a vidália (Azorina vidalii), género endémico dos Açores a revelar-se a preferida. 

Vidália Azorina vidalii
Foto: Bàrbara Ambrós 


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Terras do Priolo promovidas na Conferência EUROPARC 2017

Produtos típicos e a oferta ecoturística das Terras do Priolo, concelhos de Nordeste e Povoação, e do Parque Natural de São Miguel foram apresentados a mais de 300 participantes de 37 países, todos eles com atividade relacionada com a conservação da biodiversidade e das áreas protegidas na Conferencia da EUROPARC 2017 que decorreu nos dias 7 a 9 de Setembro nas Montanhas Mágicas (concelhos de Arouca, Castelo de Paiva, Castro Daire, Cinfães, São Pedro do Sul, Sever do Vouga e Vale de Cambra).




Para além de ser uma oportunidade de dar a conhecer às Terras do Priolo, a conferencia permitiu realizar um encontro de territórios com a Carta Europeia de Turismo Sustentável (CETS) de Portugal para discutir as metodologias para avançar para as fases II e III desta metodologia que permitirão a inclusão de empresas turísticas e operadores turísticos nesta rede de promoção do Ecoturismo ligado à Áreas Protegidas da Europa.



NOTAS:

A Federação EUROPARC é uma Rede Europeia formada por entidades publicadas e privadas que trabalham pela conservação das Áreas Protegidas. Tem como objetivo melhorar a gestão das Áreas Protegidas na Europa através da cooperação internacional, o intercâmbio de ideias e experiências, e a influência das políticas públicas.

A Carta Europeia de Turismo Sustentável em Áreas Protegidas é uma ferramenta prática de gestão que permite às Áreas Protegidas desenvolver o turismo de forma sustentável.
É um processo dividido em 3 partes:
•    Tornando-se um destino sustentável - Carta Parte I
O primeiro passo é tornar a Área Protegida e o território envolvente num destino turístico sustentável. Este galardão é atribuído à entidade gestora da área protegida.
•    Parceiros sustentáveis nos Territórios com Carta - Carta Parte II
Permite que as empresas de turismo que operam no Território com Carta adiram à metodologia e sejam reconhecidas pela Federação EUROPARC.
•    Operadores de Turismo Sustentável em Territórios com Carta - Carta Parte III
Permite que operadores turísticos sustentáveis colaborem com às áreas protegidas e os parceiros turísticos para trazer turistas ao território. Esta fase já está em funcionamento em países como Espanha e França.

Países presentes na conferência:
Austria, Belgica, Bosnia, Brazil, Bulgaria, Croacia, Rep. Checa, Dinamarca, Egipto, Estónia, Israel, Italia, Letonia, Lituania, Finlandia, Francia, Georgia, Alemania, Grecia, Hungria, Islandia, Irlanda, Holanda, Noruega, Polonia, Portugal, Romania, Rusia, Eslovaquia, Eslovania, Espanha, Suecia, Suiza, Macedonia, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Terras do Priolo promovidas como destino turístico em Inglaterra

A SPEA esteve novamente presente na British Birdwatching Fair que se realiza anualmente em Rutland, Inglaterra, e representa o maior evento europeu dedicado à observação de aves.

Nesta feira, contam-se expositores de inúmeros vendedores de material ótico, livros, trabalhos artísticos, roupa e outro equipamento aplicado à observação de aves, mas também operadores turísticos que mostram e vendem programas de turismo ornitológico. Somam-se ao programa várias palestras e outras atrações, e todos os lucros da organização anual do evento são doados para projetos de conservação da BirdLife International.

 

No expositor da SPEA, foi promovido o turismo ornitológico em Portugal dando destaque a dois locais onde esta organização coordena projetos de conservação: o arquipélago das Berlengas e as Terras do Priolo. Cerca de 350 visitantes quiseram saber mais informações sobre estes destinos e, esperamos ver alguns deles, em breve, nas Terras do Priolo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Plantas endémicas alvo de estudo na ilha do Corvo

A SPEA está a colaborar com a Universidade dos Açores na recolha de amostras de plantas endémicas dos Açores no Corvo (através do estagiário do Programa Eurodisseia, Sérgio Marín que se encontra a colaborar na implementação do Plano de Ação dos Pós-Projecto LIFE "Ilhas Santuário para as Aves Marinhas"), nomeadamente, Euphrasia azorica e as não-me-esqueças (Myosotis maritima; Myosotis azorica) espécies protegidas pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats, e inclusive endémicas do Grupo Ocidental, caso da M. azorica com uma distribuição e abundância extremamente pequena.

Não-me-esqueças Myosotis azorica
Foto: T.Pipa
 
A recolha de Myosotis é realizada com o intuito de estudar a genética de populações, pois ainda não existe informação sobre a variabilidade genética populacional destas plantas, o que é fundamental para a sua conservação. Recolhemos assim folhas (guardadas em sílica-gel para retirar a humidade e possibilitar a sua conservação) para analisar em laboratório na Universidade dos Açores.

No caso da E. azorica o objectivo é estabelecer um protocolo de germinação para a espécie e para isso precisamos saber se a espécie necessita de hospedeiros para germinar. Assim, foram feitas prospecções para encontrar as populações e foram recolhidas sementes de vários indivíduos das populações mais acessíveis, uma vez que esta tem como habitat preferencial falésias inacessíveis. As sementes serão posteriormente enviadas para a Universidade dos Açores que tentará a sua germinação em estufa sob condições controladas.

Recolha de sementes de Euphrasia azorica
Foto: T.Pipa 
Os trabalhos foram realizados no âmbito da licença 63/2017/DRA e em colaboração com o Parque Natural de ilha.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Life+ Terras do Priolo com novos estagiários e voluntários

Durante o mês de julho o projeto Life+ Terras do Priolo recebeu 3 novos estagiários naturais da Bélgica e uma voluntária, natural do distrito de Leiria. Achiel Buyse, Isabelle Tonglet e Pauline Legrand estão em São Miguel através do Programa Europeu Eurodisseia e o estágio terá a duração de 6 meses. Por seu turno, Sofia Santos, irá fazer voluntariado no projeto pelo período de 2 meses no âmbito da sua tese de mestrado.

"Olá, meu nome é Achiel Buyse, tenho 24 anos e sou natural da Bélgica. Eu fiz o meu mestrado em Belas Artes, com especialidade em Artes dos Media. O meu trabalho tem sido desenvolvido principalmente com áudio e vídeo, mas também fiz instalações digitais e experimentei programação. Estou fazendo um estágio na SPEA para fazer filmes curtos / documentários sobre os vários projetos que a SPEA está a desenvolver.
Estou muito contente com este trabalho porque me permite ter novas experiências, assim como me permite aprender melhor a língua portuguesa e conhecer a cultura dos Açores."

Achiel Buyse


"Olá! O meu nome é Sofia Santos, tenho 23 anos e sou do Souto da Carpalhosa (Leiria, Portugal).
Estudei Biologia em Coimbra e vou começar o Mestrado em Ecologia, também em Coimbra. Para a minha tese, queria muito ter um projeto de investigação relacionado com a conservação da natureza e surgiu a oportunidade de trabalhar com a SPEA em São Miguel, cujo foco principal reside na conservação do priolo.
O meu trabalho cá (em S. Miguel) começou muito recentemente e estou a adorar! A minha experiência passa por descobrir uma cultura portuguesa com a qual nunca tinha contactado, conhecer um local lindíssimo, que precisa da nossa intervenção para manter as suas características naturais e ,a parte mais importante, intervir e ganhar experiência da forma que mais me dá prazer, em contacto direto com a natureza.
Sei que será uma experiência muito enriquecedora, é meter mãos à obra."



                                                                       Sofia Santos

Isabelle Tonglet é natural da Bélgica, licenciou-se em comunicação social em 2014 pela Institut des Hautes Études de Communication Sociale (IHECS) (Bruxelas). Desde 2015 é educadora sócio-cultural numa associação quem faz rádio num bairro em Bruxelas. Entre 2008 e 2016, foi voluntária em diferentes associações que trabalham com crianças.
Em Julho de 2017, iniciou o seu estágio na SPEA no Centro Ambiental do Priolo na ilha de São Miguel.


                                                                     Isabelle Tonglet

"Chamo-me Pauline Legrand e nasci na Bélgica.  Em 2014 eu fiz a minha tese de mestrado em Bio-Engenharia sobre o impacto de um peixe invasor, "Peixe-dourado" no habitat do "Tritão-alpino". Após a minha graduação, trabalhei com uma outra espécie invasora durante dois anos : a Joaninha asiárica. O meu trabalho passava por estudar o porquê do comportamento desta espécie a tornar invasora.
Porque o problema das espécies invasoras é internacional, eu queria ganhar experiência no exterior e  assumir um novo desafio. Portanto, em julho vim fazer um estágio com SPEA em São Miguel, Açores, que trabalha para reduzir o impacto das plantas invasoras no habitat do Priolo. Através deste projeto, posso aprender o funcionamente dos projetos europeus, LIFE, na proteção do ambiente.
Fico muito contente e grata por poder ajudar a conservação da natureza dos Açores  e por aprender uma nova forma de vida e de trabalho."



                                                                 Pauline Legrand

A SPEA dá as boas vindas a estes novos colaboradores e espera poder contribuir, não só para a sua formação profissional, mas também para que esta experiência nos Açores seja enriquecedora e inesquecível.