quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Reserva Biológica do Corvo tem cria pela primeira vez


A primeira vedação antipredadores da Europa, a Reserva Biológica do Corvo tem pela primeira vez uma cria de cagarro Calonectris borealis. A cria nasceu no dia 24 de julho e é fruto da 2ª tentativa de nidificação do casal que desde 2015 prospectou pela primeira vez o topo superior da reserva. Em 2016 a nidificação foi confirmada com a postura de ovo, que infelizmente se revelou inviável. Felizmente este ano deu-se a eclosão da cria e se tudo correr como esperado esta abandonará com sucesso o ninho no final de Outubro. 


1ª cria da Reserva Biológica do Corvo
Foto: T.Pipa

De ressalvar que esta é a única cria na ilha do Corvo que não está ao alcance de predadores introduzidos como os gatos que são responsáveis por 84% dos eventos de predação das crias (Hervías et al. 2013). 

Cria predada por gato
Foto: T.Pipa
Este sucesso é fruto do trabalho realizado no âmbito do Projecto LIFE "Ilhas Santuário para as aves marinhas" e do Plano de implementação do Pós-projecto com a colaboração do Governo Regional, Parque Natural de ilha e da Câmara Municipal do Corvo.

sábado, 29 de julho de 2017

Priolo Visita Centro Ambiental do Priolo

Nos últimos dias, têm sido observados priolos no Centro Ambiental do Priolo. Estas observações têm suscitado muita curiosidade por parte dos nossos visitantes visto que não é habitual observar priolos nesta área.
O priolo é uma espécie endémica que necessita da Floresta Laurissilva dos Açores para a sua sobrevivência e é aí que encontra o seu alimento e refúgio. Fruto de mais de 10 anos de conservação, temos vindo a assistir a um aumento da sua população e melhoramento do seu estatuto de conservação que hoje em dia é vulnerável.

O priolo tem sido observado a alimentar-se de Hypericum humifusum, uma espécie herbácea muito comum nesta altura do ano no exterior do Centro.

Esperamos continuar a vê-los no Centro e dar oportunidade aos nossos visitantes de o ver.

terça-feira, 25 de julho de 2017

A Cria da Lua-de-mel V já nasceu


No passado dia 18 de julho pelas 13h37 eclodiu a pequena cria de Cagarro Calonectris borealis do casal de Cagarros mais famoso do Mundo que vai na 5ª edição e já teve mais de 94 000 visualizações desde a 1ª edição em 2011, de 71 nacionalidades diferentes. Para continuar a acompanhar o crescimento desta pequena cria até abandonar o ninho no fim de outubro basta ir a cagarro.spea.pt .


Esta é uma parceria entre a SPEA, a Câmara Municipal do Corvo, a MEO e o Governo dos Açores no âmbito da implementação do Plano de Ação do Pós-Projeto LIFE "Ilhas Santuário para as aves marinhas" e pretende dar a conhecer a época de nidificação da ave marinha mais emblemática dos Açores.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Life+ Terras do Priolo já iniciou a recolha de semente

Para podermos recuperar o habitat do Priolo, a Floresta Laurissilva dos Açores, é muitas vezes necessário reflorestar as áreas intervencionadas pelo Projeto Life+ Terras do Priolo. É com este intuito que produzimos espécies endémicas e nativas da Floresta Laurissilva dos Açores nos viveiros de produção de plantas do projeto.



Assim, durante os meses de verão, quando as plantas nativas começam a florir e a dar sementes, a equipa do projeto inicia a recolha de sementes, primeiro em zonas costeiras, com o bracel-da-rocha (Festuca petraea), depois a urze (Erica azorica) e por último a faia (Myrica faya) e o pau-branco (Picconia azorica). Há, no entanto, muitas outras espécies que não são tão conhecidas do público mas que também são recolhidas, como é o caso da diabelha (Plantago coronopus), o olho-de-mocho (Tolpis azorica), a vidália (Azorina vidalii), entre outras.


Seguidamente, inicia-se a recolha em áreas de maior altitude para espécies como o sargasso (Luzula purpureosplendens), a malfurada (Hypericum foliosum), o azevinho (Ilex azorica), o louro (Laurus azorica) e a uva-da-serra (Vaccinium cylindraceum). Este ano, com o apoio de novos estagiários, efetuaram-se dois dias de recolha que contabilizaram mais de 5 kg de sementes recolhidas. 



Durante os meses de agosto e setembro a recolha vai continuar de modo a não perder produção, com o objetivo de abranger uma diversidade de espécies, mais do que grandes quantidades de poucas espécies.

Atividade SOS invasoras nas Terras do Priolo

No dia 15 de julho 2017 realizou-se uma atividade do Ciência Viva no Verão denominada “SOS invasoras Terras do Priolo”. Esta atividade tem como propósito sensibilizar o público para a problemática das plantas invasoras.


Muitas das plantas que nos rodeiam foram transportadas do seu habitat natural para outros locais pelo que são denominadas plantas exóticas. Algumas destas espécies coexistem com as espécies nativas de forma equilibrada, mas outras há que se desenvolvem muito rapidamente e escapam ao controlo do Homem tornando-se nocivas – estas são designadas espécies invasoras.


Uma planta exótica passa a ser considerada invasora quando produz populações reprodutoras numerosas e separadas da inicial, tanto no espaço como no tempo, autonomamente do grau de perturbação do meio e sem a intervenção direta do Homem. Frequentemente a proliferação destas espécies promove alterações ambientais e/ou prejuízos económicos.


Na atividade SOS invasoras Terras do Priolo, foi usada uma aplicação (http://invasoras.pt/) desenvolvida pela Universidade de Coimbra com objetivo de mapear e localizar plantas invasoras com recurso ao GPS e camara fotográfica presentes em qualquer smartphone.


Realizou-se um pequeno percurso na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme fazendo interpretação da Paisagem e reconhecendo as plantas invasoras.


Esta atividade contou com 4 participantes que se mostraram surpreendidos pelo número de espécies com caracter invasor e pela sua dispersão. No futuro, estes paticipantes esperam continuar a utilizar a aplicação para reportar a localização destas problemáticas espécies.

Existem alguns projetos de gestão e controlo de invasoras a decorrer em Portugal:
•    Projeto BRIGHT – Bussaco´s Recovery from Invasions Generating Habitat Threats
•    Projeto Laurissilva sustentável
•    Projecto Terras do Priolo

Capturado priolo na estação de esforço constante da Cancela do Cinzeiro

O Projeto de Estações de Esforço Constante (PEEC), um projeto de monitorização organizado em conjunto entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) e a Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves (APAA), que tem por objetivo estimar parâmetros fundamentais para avaliar as tendências populacionais de aves nidificantes (abundância de adultos, produtividade e sobrevivência), através de um esforço constante de captura e anilhagem de aves com redes verticais durante a nidificação.



A SPEA Açores iniciou este ano, com o apoio do Serviço Florestal do Nordeste, uma estação de esforço constante no Parque Florestal da Cancela do Cinzeiro, a primeira estação do PEEC nos arquipélagos portugueses. Nas sessões de anilhagem que se têm realizado, desde março, é frequente capturar melros (Turdus merula), estrelhinhas (Regulus regulus), tentilhões (Fringilla coelebs), piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), alvéolas-cinzentas (Motacilla cinerea) e toutinegras-de-barrete-preto (Sylvia atricapila). No entanto, no final de maio, foi também capturado um priolo (Pyrrhula murina)! Esta mesma ave, à qual foi atribuída a anilha C85635, foi recapturada em junho na seguinte sessão e a sua estimativa de idade aponta para que tivesse nascido em 2016.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Nova espécie extinta de passeriforme descoberta na ilha Graciosa

Foi descrita uma espécie extinta de passeriforme nos Açores, Pyrrhula crassa n.sp., tendo por base registos fósseis descobertos na Furna do Calcinhas, uma pequena gruta localizada na Caldeira da ilha Graciosa, Açores. Tanto o crânio como os ossos do seu esqueleto pós-craniano são maiores que aqueles dos seus parentes, o dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), no continente europeu, e o priolo (Pyrrhula murina), na ilha de São Miguel. 



Esta nova espécie é a maior de todas as conhecidas para este género. Segundo os autores desta investigação (https://www.biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.4282.3.9), a extinção desta espécie, esteve muito provavelmente relacionada com a destruição da floresta laurissilva nos Açores e com a introdução de espécies exóticas durante a colonização do arquipélago, ameaças idênticas àquelas que o priolo enfrenta.