No dia 15 de julho 2017 realizou-se uma atividade do Ciência Viva no Verão denominada “SOS invasoras Terras do Priolo”. Esta atividade tem como propósito sensibilizar o público para a problemática das plantas invasoras.
Muitas das plantas que nos rodeiam foram transportadas do seu habitat natural para outros locais pelo que são denominadas plantas exóticas. Algumas destas espécies coexistem com as espécies nativas de forma equilibrada, mas outras há que se desenvolvem muito rapidamente e escapam ao controlo do Homem tornando-se nocivas – estas são designadas espécies invasoras.
Uma planta exótica passa a ser considerada invasora quando produz populações reprodutoras numerosas e separadas da inicial, tanto no espaço como no tempo, autonomamente do grau de perturbação do meio e sem a intervenção direta do Homem. Frequentemente a proliferação destas espécies promove alterações ambientais e/ou prejuízos económicos.
Na atividade SOS invasoras Terras do Priolo, foi usada uma aplicação (http://invasoras.pt/) desenvolvida pela Universidade de Coimbra com objetivo de mapear e localizar plantas invasoras com recurso ao GPS e camara fotográfica presentes em qualquer smartphone.
Realizou-se um pequeno percurso na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme fazendo interpretação da Paisagem e reconhecendo as plantas invasoras.
Esta atividade contou com 4 participantes que se mostraram surpreendidos pelo número de espécies com caracter invasor e pela sua dispersão. No futuro, estes paticipantes esperam continuar a utilizar a aplicação para reportar a localização destas problemáticas espécies.
Existem alguns projetos de gestão e controlo de invasoras a decorrer em Portugal:
• Projeto BRIGHT – Bussaco´s Recovery from Invasions Generating Habitat Threats
• Projeto Laurissilva sustentável
• Projecto Terras do Priolo
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Capturado priolo na estação de esforço constante da Cancela do Cinzeiro
O Projeto de Estações de Esforço Constante (PEEC), um projeto de monitorização organizado em conjunto entre o Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) e a Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves (APAA), que tem por objetivo estimar parâmetros fundamentais para avaliar as tendências populacionais de aves nidificantes (abundância de adultos, produtividade e sobrevivência), através de um esforço constante de captura e anilhagem de aves com redes verticais durante a nidificação.
A SPEA Açores iniciou este ano, com o apoio do Serviço Florestal do Nordeste, uma estação de esforço constante no Parque Florestal da Cancela do Cinzeiro, a primeira estação do PEEC nos arquipélagos portugueses. Nas sessões de anilhagem que se têm realizado, desde março, é frequente capturar melros (Turdus merula), estrelhinhas (Regulus regulus), tentilhões (Fringilla coelebs), piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), alvéolas-cinzentas (Motacilla cinerea) e toutinegras-de-barrete-preto (Sylvia atricapila). No entanto, no final de maio, foi também capturado um priolo (Pyrrhula murina)! Esta mesma ave, à qual foi atribuída a anilha C85635, foi recapturada em junho na seguinte sessão e a sua estimativa de idade aponta para que tivesse nascido em 2016.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Nova espécie extinta de passeriforme descoberta na ilha Graciosa
Foi descrita uma espécie extinta de passeriforme nos Açores, Pyrrhula crassa n.sp., tendo por base registos fósseis descobertos na Furna do Calcinhas, uma pequena gruta localizada na Caldeira da ilha Graciosa, Açores. Tanto o crânio como os ossos do seu esqueleto pós-craniano são maiores que aqueles dos seus parentes, o dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), no continente europeu, e o priolo (Pyrrhula murina), na ilha de São Miguel.
Esta nova espécie é a maior de todas as conhecidas para este género. Segundo os autores desta investigação (https://www.biotaxa.org/Zootaxa/article/view/zootaxa.4282.3.9), a extinção desta espécie, esteve muito provavelmente relacionada com a destruição da floresta laurissilva nos Açores e com a introdução de espécies exóticas durante a colonização do arquipélago, ameaças idênticas àquelas que o priolo enfrenta.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Confirmada nova colónia para espécie rara na Europa
Durante o trabalho de campo realizado em junho
pelos técnicos da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) no ilhéu
de Baixo, junto à costa da ilha Graciosa nos Açores, foi confirmada a
nidificação de alma-negra (Bulweria
bulwerii) naquela que é a colónia mais setentrional desta espécie.
Foi no âmbito dos trabalhos de investigação sobre a mais pequena ave
marinha dos Açores e endémica do arquipélago, o paínho-de-monteiro (Hydrobates monteiroi), que surgiu esta
descoberta relativa a outra espécie rara de ave marinha, a alma-negra. Foram
identificados 13 ninhos de alma-negra no ilhéu de Baixo, mas apenas quatro eram
acessíveis dado que esta pequena ave escava o ninho bem fundo em fendas e
buracos. As suspeitas passaram a certezas nesses quatro ninhos, uma vez que
estavam ocupados com aves incubando o seu único ovo. A estimativa populacional
desta colónia aponta para a existência de cerca de 20 casais reprodutores.
A equipa aguarda
agora a eclosão dos ovos, em finais de julho. No final de setembro e início de
outubro as crias irão começar um périplo pelo oceano até ao hemisfério sul, regressando
à colónia por volta dos três anos. Embora visitem anualmente as colónias desde
essa idade, apenas se começarão a reproduzir quando atingirem os sete anos.
| Alma-negra Foto: T.Pipa |
Esta evidência enquadra-se na pesquisas desenvolvidas pela SPEA, com o apoio do Parque Natural da Graciosa nos recentes projetos LuMinAves “Contaminação luminosa e conservação dos arquipélagos da Macaronésia reduzindo os efeitos nocivos da luz artificial sobre as populações de aves marinhas” e MISTIC SEAS II “Aplicar medidas coerentes e coordenadas a um nível sub-regional para monitorizar e avaliar a biodiversidade marinha na Macaronésia no 2º ciclo da Diretiva Quadro da Estratégia Marinha (DQEM)”, resultantes da parceria entre várias entidades em três arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira e Canárias), sendo que nos Açores para além da SPEA participam a Direção Regional dos Assuntos do Mar (DRAM) e o Fundo Regional para a Ciência e a Tecnologia (FRCT). Para além de fomentar a importância dos programas de monitorização implementados no âmbito da DQEM, esta nova colónia dá um novo ímpeto à conservação desta espécie “rara” na Europa, protegida pela Diretiva Aves e Diretiva Habitats, no que respeita à sua pequena e restrita população nos Açores classificada como “Em Perigo” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
Segundo Ricardo Ceia “esta descoberta confirma as suspeitas da
existência de outra colónia de alma-negra nos Açores, que até ao momento estava
apenas certa no ilhéu da Vila em Santa Maria onde nidificam 50 casais. Aumenta
assim a sua área de distribuição, o que para uma população tão pequena e
restrita é extremamente importante para a sua conservação, pois caso aconteça
alguma coisa à população de Santa Maria, esta colónia na Graciosa será a última
esperança para a espécie nos Açores”.
De Alicante para o Corvo
Olá a todos,
Chamo-me Sergio de Tomás Marín e nasci em
San Vicente del Raspeig (Alicante, Espanha) em 1986. Em
2010 licenciei-me em Biologia pela Universidade de Alicante, onde fiz também o mestrado em Biodiversidade.
Sérgio de Tomás Marín a recolher sementes de bracel Festuca petraea Foto: T.Pipa |
Escolhi vir para o Corvo através do
Programa Eurodisseia porque o meu trabalho ideal é ao ar livre. Além disso, a ideia de viver num lugar tão especial
como é o Corvo, isolado e tradicional, com uma cultura própria, é um desafio
muito atraente para mim.
A oportunidade de poder ajudar a conservação da natureza e colaborar na implementação do Plano de Ação do Pós-Projeto LIFE "Ilhas Santuário para as aves marinhas", a minha principal motivação tanto pessoal como
profissional, e fazê-lo numa Reserva da Biosfera foi outro factor.
Fico muito contente e grato por poder
desfrutar desta experiência única, conhecer a ilha do Corvo e as sua gente e
voltar com uma lembrança inesquecível.
Sergio de Tomás Marín
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Divulgar para preservar com Andreas Lang
A ilha do Corvo atrai pessoas de
todo o mundo pela sua singularidade. O facto de ser uma ilha tão pequena
situada no meio do Oceano Atlântico desperta muita curiosidade, e é por isso
que pessoas como Andreas Lang, realizador e editor independente de documentários originário da Alemanha (www.anderslang.de) visitou a
mais pequena ilha do arquipélago, com o intuito de fazer um pequeno documentário sobre o quotidiano desta singular ilha.
| Andreas Lang Foto: T.Pipa |
Uma vez que a SPEA está em permanência na ilha há 8 anos tivemos o prazer de acompanhar o Sr. Lang e mostrar-lhe as diversas áreas de intervenção do Pós-Projeto LIFE "Ilhas Santuário para as aves marinhas", Reserva Biológica do Corvo, a primeira vedação antipredadores da Europa, o estufim, único local onde se faz a produção de espécies nativas que são plantadas nas áreas de intervenção, assim como, na Vila do Corvo aumentando os espaços verdes e ainda visitar o casal de cagarros Calonectris borealis mais famoso do mundo e cujo dia-a-dia pode ser seguido em direto através do seguinte site: http://cagarro.spea.pt/.
| Andreas Lang acompanhando-nos e ao Parque Natural de ilha no Censo de Garajaus Foto: Patrícia Guimil |
| Andreas Lang no estufim do projeto Foto: T.Pipa |
| Visita à Lua-de-mel no Corvo Foto: T.Pipa |
Para terminar a estadia o Sr. Lang acompanhou-nos ainda na Limpeza Atlântica realizada o dia 11 de Junho em comemoração do nascimento do Rei dos mares Jacques-Yves Cousteau.
Conscientes do poder da
divulgação e difusão da informação, foi um prazer acompanhar e dar a conhecer
os trabalhos de conservação de aves marinhas desenvolvidos pela SPEA na ilha do Corvo.
Unindo esforços para preservar a mais pequena ave marinha dos Açores
De 16 a 23 de junho uma equipa da SPEA deslocou-se à ilha branca (Graciosa) para iniciar os trabalhos de campo dos dois novos projetos (LuMinAves e MISTIC SEAS II) para a conservação/monitorização das aves marinhas nos Açores.
Para começar e seguindo o que tem vindo a ser feito no âmbito do projeto LIFE EuroSAP e sempre com o apoio do Parque Natural de ilha a quem desde já agradecemos montamos acampamento no ilhéu de Baixo, a segunda maior colónia da mais pequena ave marinha dos Açores, o painho-de-monteiro Hydrobates monteiroi para substituir um gravador automático (ARU, unidade de gravação automática) que nos ajuda a estimar a população presente no ilhéu, uma vez que o número de vocalizações está relacionado com o número de ninhos e desta forma sabemos quantos casais de painho aí se encontram e montar redes verticais para relacionar com o ARU através da marcação-recaptura.
Para começar e seguindo o que tem vindo a ser feito no âmbito do projeto LIFE EuroSAP e sempre com o apoio do Parque Natural de ilha a quem desde já agradecemos montamos acampamento no ilhéu de Baixo, a segunda maior colónia da mais pequena ave marinha dos Açores, o painho-de-monteiro Hydrobates monteiroi para substituir um gravador automático (ARU, unidade de gravação automática) que nos ajuda a estimar a população presente no ilhéu, uma vez que o número de vocalizações está relacionado com o número de ninhos e desta forma sabemos quantos casais de painho aí se encontram e montar redes verticais para relacionar com o ARU através da marcação-recaptura.
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Painho-de-monteiro
Foto: Ruben Coelho
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Ao continuar os trabalhos no âmbito dos dois novos projetos e unindo sinergias permitir-nos-à obter tendências e o estado da população o que é essencial para poder implementar medidas de gestão e conservação da espécie.
Unidade de Gravação automática
Foto: T.Pipa
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Foram 4, as noites de montagem das redes e no total foram capturados 145 painhos e recapturados 24. Todos os espécimes foram anilhados e as suas biometrias registadas (peso, asa, tarso, bico, cabeça e pelada).
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Anilhagem registo de biometrias
Foto: Rúben Coelho
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Para animar ainda mais as noites ouvimos ainda por 33 vezes o estapagado Puffinus puffinus (nos Açores nidifica apenas no Grupo Ocidental com cerca de 115 a 235 casais Monteiro et al.1999), aqui ouvido pela primeira vez, o que pode indiciar uma possível nidificação no ilhéu e que se possível será confirmada no futuro.
Estapagado
Foto: T.Pipa
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Para terminar o trabalho de campo nada como fazer uma paragem na maior colónia de painho-de-monteiro, o ilhéu da Praia, para substituir o ARU aí presente e recolher a informação necessária.
Nos dias 22 e 23 decorreu mais uma reunião da Taskforce monteiroi com todas as entidades competentes e partes interessadas (DOP, Joel Bried, Renata Medeiros, DRAM, Turismo dos Açores, CMSCG, PNG e Nautigraciosa) para revisão da primeira versão do Plano de Ação e planeamento futuro, incluindo a apresentação dos novos projetos LuMinAves e Mistic Seas II, na Biblioteca Municipal, espaço que nos foi cedido pela CMSCG.
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Taskforce Monteiroi
Foto: Rúben Coelho
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E como não se protege o que não se conhece realizamos ainda uma sessão pública com a participação de alunos do ATL de Santa Cruz da Graciosa (cerca de 50 participantes) no sentido de dar a conhecer a espécie e sensibilizar a população local para a importância da sua preservação através do jogo "Quem quer ser Monteiroi?"
É tudo por agora! Continuaremos a desenvolver esforços para a conservação das aves marinhas. Deixamos um agradecimento a todos os que contribuíram e contribuem para preservar estas espécies tão emblemáticas nas ilhas de Bruma.
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