quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Tartaruga dá à costa no Corvo: efeitos do lixo marinho?

No passado dia 18 de agosto deu à costa na praia do Corvo uma tartaruga boba Caretta caretta morta. Uma vez que uma equipa do DOP (Departamento de Oceanografia e Pescas) se encontrava na ilha para estudar a fauna e flora marinhas do litoral costeiro, foi realizada a necrópsia da tartaruga no sentido de determinar as causas de morte. Assim junta-mo-nos a eles para mais uma acção de sensibilização ambiental da população.


Fotos: Frederico Cardigos

Ao observar o estômago da tartaruga foram observados pedaços de plástico, e ainda que a causa da morte não possa ser determinada com certeza, o plástico pode ter sido um factor determinante. Todos os anos morrem por asfixia ou ingestão de fragmentos de plástico mais de um milhão de animais marinhos, desde mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas, peixes e até o zooplâncton devido às micro-partículas.


Fotos: Frederico Cardigos

O lixo marinho, e em particular o plástico é hoje em dia uma das maiores ameaças para o meio marinho. Sabe-se que cerca de 80 % do plástico encontrado no mar tem origem terrestre. Este é levado por enxurradas para o mar ou despejado directamente nos rios ou no mar, percorrendo milhares de quilómetros até formar as ilhas de lixo devido à confluência das correntes oceânicas, neste momento existem 5 ilhas de lixo no planeta, muitas delas do tamanho de países.

Esta foi mais uma forma de rever conhecimentos já apreendidos nas aulas de educação ambiental e observar na prática todo o impacto que estamos a causar no meio marinho.

Fica ainda um Obrigado ao DOP pela disponibilidade e aos 12 participantes na actividade. Esperemos que tenham agora a vontade para mudar comportamentos e que contribuam para a diminuição do lixo no mar e efeito deste nos organismos marinhos.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O painho-de-monteiro, um valor natural presente nas Reservas da Biosfera Açorianas

A Graciosa, as Flores e o Corvo são as únicas ilhas no mundo onde podemos encontrar colónias de nidificação desta pequena ave marinha, o painho-de-monteiro. Curiosamente, esta espécie é o elo de ligação de três Reservas da Biosfera da UNESCO que podemos encontrar nos Açores, o que revela a sua importância como santuários naturais.

                                                              Painho-de-monteiro

Durante o passado mês de julho, a SPEA realizou várias expedições para monitorizar algumas das principais colónias de reprodução de painho-de-monteiro. Vários meios foram usados para aceder aos locais mais inacessíveis. Como por exemplo, no Corvo as prospecções foram realizadas a partir de um pequeno bote, enquanto nas Flores a equipa teve de recorrer a um kayak para aceder a alguns ilhéus e rochedos.

Com a ajuda de voluntários, a equipa da SPEA percorreu vários locais da costa da ilha das Flores com o intuito de detetar novas colónias desta espécies. De forma a definir os melhores pontos onde os técnicos poderiam realizar as escutas nocturnas, previamente foram selecionados os locais mais propícios para a nidificação. Cada  local foi visitado durante as primeiras horas da noite.


                                                               Medição do Tarso
                                     
A prospeção de ninhos de aves marinhas e a sua monitorização implicam, na maioria das vezes, trabalho nocturno, obrigando as equipas a usar ferramentas e tecnologias cada vez mais sufisticadas. Nos ilhéus de Baixo e da Praia (localizados ao largo da ilha Graciosa) foram recolhidos os aparelhos de gravação automática que tinham sido deixados meses antes. Estes aparelhos gravam as vocalizações produzidas ao cair da noite por estas aves, quando entram e saem dos ninhos. No ilhéu da Praia foram também montadas várias redes verticais para capturar os indivíduos que voam à noite em redor da colónia de reprodução. No final da campanha, foram capturados e anilhados186 painhos-de-monteiro e foram controlados cerca de 100 outras aves que já possuíam anilha. Entretanto durante o período diurno, a equipa aproveitou para monitorizar os vários ninhos conhecidos. A maioria das crias já tinha eclodido e encontrava-se em bom estado de saúde. No entanto, foram detetados alguns eventos de predação, provavelmente levados a cabo pela introduzida lagartixa-da-madeira.

                                              Prospeção nos Ilhéus da Alagoa (Flores)                  

Ao longo dos últimos dias, a equipa aproveitou para realizar uma sessão pública para as comunidades locais, onde foram apresentados os principais resultados do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos dois anos. Durante esta sessão, foram também apresentados os principais objetivos do projeto LIFE EuroSAP, tendo sido dada particular atenção à sua importância para o futuro desta pequena espécie de ave marinha - o painho-de-monteiro.



                                           Painho-de-monteiro no Ilhéu Sentado (Flores)
                                                              
Gostaríamos de apresentar os nossos agradecimentos à Associação de Bombeiros Voluntários da Santa Cruz das Flores, ao Parque Natural da Ilha das Flores, ao Carlos Toste (do Hotel Ocidental) e à Sandra Quaresma, tendo sido essenciais para o sucesso das ações desenvolvidas na ilha das Flores. Um agradecimento especial ao Parque Natural da Ilha Graciosa e ao seu Diretor pelo enorme apoio que tem demonstrado para com a equipa da SPEA desde o início dos trabalhos. Obrigado também aos colegas do MARE/DOP da Universidade dos Açores pela partilha de conhecimento e de informação bem como pelos momentos no campo. Finalmente, obrigado ao Parque Natural da Ilha do Corvo pelo apoio prestado à equipa.





Fotos: Tânia Pipa





quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A cagarra na National Geographic

Pedro Geraldes e Nuno Oliveira, biólogos do departamento marinho da SPEA, em entrevista à National Geographic, falaram da evolução dos projetos de proteção das cagarras ao longo das últimas décadas.

O artigo de Gonçalo Pereira mostra como "Havia lacunas consideráveis até então no conhecimento sobre as aves marinhas a partir do momento em que abandonavam o ninho e procuravam alimento, como se a ave entrasse num buraco negro. “A anilhagem permitia (e permite) monitorizar aves já conhecidas nos pontos de partida e chegada, mas os loggers permitiram fazer muita ciência”, acrescenta Pedro Geraldes.



O cagarro capta a atenção dos investigadores. Os dados compilados pelos equipamentos dão conta de viagens de centenas de quilómetros e grande diversidade de comportamento de caça consoante a zona do Atlântico em que nidificam.
A SPEA acumula já séries temporais desde 2006 e registou desde então mais de quinhentas viagens destas aves solitárias em caça no Atlântico."

Saiba mais no extenso e completo artigo na edição impressa da National Geographic, deste mês ou AQUI.

Foto: ® Luís Ferreira

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Grupo de participação CETS-Terras do Priolo recolhe contributos no Facebook

No âmbito do processo de renovação da CETS Terras do Priolo foi criado um grupo fechado no Facebook denominado “CETS-Terras do Priolo”.

Neste grupo podem se juntar todos os interessados em participar da definição da nova Estratégia e Plano de Ação da Carta Europeia de Turismo Sustentável nas Terras do Priolo (2017-2021). Todos os comentários espressos neste grupo, serão tomados em consideração, porém a tomada de decisões e a justificação das mesmas será apenas realizada nos Fóruns presenciais a celebrar no território.


Esperamos que este grupo venha a servir para melhorar a comunicação entre o Gabinete da Carta e todos os empresários e agentes interessados do território.
 
Caso pretenda dar o seu contributo, mas não pretenda aderir ao Facebook, poderá contactar o Gabinete da CETS (gabinetecetspnism@azores.gov.pt).

Ficamos à espera dos seus contríbutos!

Junte-se em: https://www.facebook.com/groups/CETSterrasdopriolo/?ref=bookmarks

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Diretor da IUCN visita LIFE+ Terras do Priolo

Thomas Brooks,  é o Diretor de Ciência e Conhecimento da IUCN (International Union for Conservation of Nature) com sede na Suíça.


O Dr. Brooks está na ilha da Terceira no congresso internacional "Island Biology 2016", que junta especialistas de diversas áreas que estão a discutir a biologia das Ilhas.

Tendo grande interesse em ornitologia e conservação de espécies e habitats, aproveitou a vinda aos Açores para conhecer melhor os trabalhos de conservação do Priolo em São Miguel, bem como tentar observar esta espécie endémica.


As crias de painho-de-monteiro já nasceram

O projeto LIFE EuroSAP junta 10 países europeus, nos quais Portugal está incluído, e tem como objetivo unir sinergias para enfrentar os novos desafios e ameaças a que algumas das nossas aves icónicas estão sujeitas. Este projeto, que teve início em abril de 2015 e que irá ser implementado até março de 2018, conta com o envolvimento de 13 parceiros, sendo a SPEA o representante do projeto em Portugal. 


Durante os três anos de duração, este projeto irá desencadear, neste caso especifico, o processo de definição do Plano de Ação para o painho-de-monteiro. A SPEA irá coordenar as ações que envolvem esta espécie.  

É neste seguimento que têm vindo a ser desenvolvidas ações de monitorização desta espécie na Ilha da Graciosa, local onde ocorre. 


Neste momento os painhos-de-monteiro estão em plena época de reprodução e a maioria das crias já eclodiu. A equipa da SPEA tem estado nos últimos dias a realizar uma sessão intensiva de anilhagem no ilhéu da praia, contando até ao momento com cerca de 200 painhos monitorizados.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Mistic Seas: teste de metodologias

Nos dias 24 a 26 de junho os especialistas das aves marinhas, mamíferos marinhos e tartarugas marinhas do projecto Mistic Seas* (Indicadores e critérios standard para as ilhas da Macaronésia através de metodologias e medidas comuns de monitorização da biodiversidade marinha na Macaronésia) voltaram a reunir-se, desta vez na ilha da Madeira com o intuito de testar as metodologias de monitorização propostas anteriormente.
Aqui os grupos dividiram-se e a equipa das aves marinhas pernoitou na Deserta Grande para testar algumas das metodologias que permitem obter os indicadores do Bom Estado Ambiental, nomeadamente, através da abundância, sucesso reprodutor e taxa de sobrevivência. Para isso, a área foi prospectada, e foram monitorizados alguns ninhos de alma-negra Bulweria bulwerii que se encontrava em incubação, além disto foram ainda montadas redes de anilhagem no sentido de usar a marcação-recaptura e foi ainda testada a câmara térmica que poderá ser muito útil para encontrar colónias de difícil acesso. 

Equipa das aves marinhas na Deserta Grande
Foto: Instituto das Florestas e Conservação da Natureza

Monitorização de ninhos de alma-negra
Foto: T. Pipa

Registo da biometria da alma-negra Bulweria bulwerii
Foto: T. Pipa

Estes trabalhos tiveram ainda o apoio da Doutora Patrícia Pedro investigadora do IMAR que se encontrava a seguir o sucesso reprodutor da alma-negra. Aqui ficou bem patente o que já havia sido discutido, algumas vezes, e ainda que se pretendam metodologias comuns para a Macaronésia, estas tem que ser adaptadas consoante os arquipélagos, ilhas e mesmo colónias, uma vez que, nem todas as metodologias são exequíveis em algumas das áreas em questão e diferem muito entre si consoante as características do terreno e inclusive estão à mercê da acção das causas naturais, por exemplo, em algumas colónias é possível monitorizar e seguir ninhos durante uma escala temporal que nos permita obter dados viáveis do estado da população e noutras áreas, sujeitas à erosão por exemplo, não é fácil monitorizar o mesmo número de ninhos e a área, pois todos os anos desaparecem ninhos. Fica um agradecimento pela forma como fomos recebidos pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza pela maneira como nos receberão e pela organização do workshop.


Equipa das aves marinhas no cimo da Deserta Grande
Foto: T. Pipa

Vista de cima da casa de apoio na Deserta Grande
Foto: T. Pipa

De volta à ilha da Madeira, os Grupos de Trabalho reuniram-se e discutiram as fichas de monitorização, assim como, os passos a seguir para definir o Plano de Acção para atingir o Bom Estado Ambiental na região biogeográfica da Macaronésia. A equipa das aves marinhas teve ainda a oportunidade de realizar escutas na parte oriental do Maciço Montanhoso Central junto à colónia da rara Freira-da-madeira Pterodroma madeira a mais de 1600m de altitude em pleno Pico do Areeiro e deixar-se encantar pelas freiras que ecoaram pela noite dentro. Esta é a ave marinha mais ameaçada da Europa e é endémica da Madeira estando restrita a esta área e tendo apenas 65-80 casais reprodutores. Na última noite, tivemos ainda a sorte e privilégio de apoiar o Dr. Frank Zino na marcação-recaptura com recurso a redes das freiras no sentido de recapturar os loggers colocados por este, onde fomos afortunados com a captura de um indivíduo, e principalmente com as histórias deste médico e naturalista, filho do naturalista e ornitólogo Paul Alexander Zino que junto com o pastor João Gouveia redescobriram a espécie que se pensava extinta, em 1969. Uma oportunidade que certamente ficará nas nossas memórias e que guardaremos connosco como privilegiados por trabalhar com e para a conservação de aves marinhas.

Freira-da-madeira Pterodroma madeira
Foto: T. Pipa

Frank Zino a registar as biometrias à Freira-da-madeira
Foto: T. Pipa

Equipa com a Freira-da-madeira
Foto: Frank Zino

* O projecto é coordenado pelo Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, pela Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, e pelo Governo Regional dos Açores, em parceria com a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, Governo Regional da Madeira (Direcção Regional do Ordenamento do Território e Ambiente/Serviço do Parque Natural da Madeira), Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, Fundação Biodiversidade do Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente, Instituto de Oceanografia Espanhol e Direcção Geral da Sustentabilidade da Costa e do Mar, e com a colaboração de diversas entidades, nomeadamente a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, IMAR- Universidade de Coimbra, Fundação Gaspar Frutuoso-Universidade dos Açores, Grupo de Investigação e Conservação das ilhas Canárias, ADS Biodiversidad, Universidade da Madeira, ALNILAM e SECAC.