quinta-feira, 24 de julho de 2014

Recolha de sementes no LIFE+ Terras do Priolo

A recolha de sementes é um passo fundamental na produção de plantas para recuperação dos habitats naturais, inclusive preservando e melhorando o património genético de cada espécie. Para a recuperação das áreas degradadas pelas plantas invasoras, a utilização de espécies herbáceas e mesmo fetos nativos é essencial para cobrir o solo e reduzir a re-invasão pelas exóticas.


Apesar do mau tempo não estar a ajudar neste mês de julho, já foi possível recolher alguns quilos de sementes de plantas nativas dos Açores. Para este ano e seguintes será feito um esforço de recolha de sementes de plantas herbáceas e alguns fetos. As espécies que foram recolhidas incidiram principalmente no bracel da rocha Festuca petraceae, bracel do mato Festuca francoi, sargasso Luzula purpureosplendens e feto real Osmunda regalis de acordo com a disponibilidade de sementes nesta altura do ano. 

Irá ser continuada esta recolha nas próximas semanas. As sementes de planta mais recolhidas este ano foramd o sargasso, estas sementes são recolhidas e depois são colocadas a secar por pelo menos 15 dias, se bem que o tempo varia de acordo com o teor de humidade das sementes. Depois de secas as sementes são semeadas dentro da estufa para controlar o melhor possível as germinações. 

sargasso Luzula purpureosplendens

Muitas destas espécies vegetais são não só importantes para a recuperação das áreas naturais mas também fornecem recursos alimentares para o priolo ao longo do ano.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Uma manhã na companhia das Aves

No sábado passado, 19 de julho, realizaram-se várias atividades no que foi uma manhã diferente na companhia das aves. Isto foi possível através de uma parceria entre a SPEA, Expolab e o Centro de Monitorização e Investigação da Lagoa das Furnas (CMIF) com o apoio do programa Biologia no Verão da Ciência Viva que em conjunto organizaram uma manhã que começou com uma anilhagem, depois uma observação de aves e uma visita às instalações do CMIF.

Grupo no inicio da atividade: Foto : Ana Mendonça
A manhã começou bem cedo para os cerca de 30 participantes que estiveram nas Caldeiras da Lagoa das Furnas, acompanhados pelo Dr. Paulo Catry, que capturaram, identificaram e anilharam várias aves. A anilhagem é uma técnica frequentemente utilizada para o estudo de varias espécies de aves e é util para a obtenção de diversas informações das suas populações como é o caso do seu número, migrações, entre outros.
Desta forma foi possível observar e conhecer um pouco mais sobre as 20 aves capturadas, todas passeriformes residentes que podemos encontrar nesta área, entre piscos-de-peito-ruivo, alvéolas, tentilhões e até toutinegras. Foi possível ainda conhecer a estrelinha, uma ave de pequenas dimensões que embora não tenha sido capturada nas redes fez questão de acompanhar a atividade.
Toutinegra fêmea capturada. Foto: Ana Mendonça

Tentilhão macho capturado. Foto : Ana Mendonça
A atividade continuou depois com a observação de algumas aves que se encontravam na Lagoa das Furnas. Foi possível registar a observação de duas íbis pretas consideradas raridades nos Açores, uma garça branca pequena e alguns galeirões. Para os mais curiosos, falou-se ainda das espécies residentes e dos seus cantos havendo um momento para a sua identificação.  
Íbis Preta. Foto: Ana Mendonça

Os participantes tiveram ainda oportunidade de visitar o CMIF no final da manhã. E quem quis pude ainda assistir às palestras que se realizaram de tarde no Expolab sobre lixo marinho e o trabalho da SPEA nos Açores.

Agradecemos a todos por terem participado e um especial agradecimento ao Dr. Paulo Catry, Expolab e CMIF que contribuíram para melhorar esta atividade.

Descubra mais sobre as atividades que temos para si em http://centropriolo.spea.pt

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Terras do Priolo, um espaço pedagógico

Realizou-se na semana passada, pela primeira vez, a ação de formação “Terras do Priolo, um espaço pedagógico”. Criada a pensar especialmente nos docentes das escolas de São Miguel, esta ação teve a duração de 25h e decorreu nos dias 7, 8, 9 e 10 de julho nas instalações da Escola Básica e Secundária da Povoação, numa parceria entre o Centro de Formação desta instituição e a SPEA.

Esta formação teve como finalidade complementar conhecimentos adquiridos sobre a biodiversidade dos Açores e aumentar a sensibilização dos docentes sobre habitats prioritários dos Açores e espécies ameaçadas. E pretende contribuir para a uniformização de conhecimentos sobre estas temáticas e potenciar a criação de instrumentos de apoio ao currículo escolar, numa perspetiva de aplicação dos conceitos obrigatórios a uma realidade mais próxima dos alunos, facilitando desta forma a sua aprendizagem. 

Descoberta das Aves, uma atividade realizada durante esta formação.
Esta teve uma componente teórica mas também prática que valorizou em muito a ação com a realização de duas saídas de campo que permitiram aos formandos consolidar conhecimentos sobre as aves dos Açores e sobre as plantas da Floresta Laurissilva: Viveiros de Produção de Plantas Nativas e a uma das áreas intervencionadas na ZPE Pico da Vara/Ribeira do Guilherme do Projeto LIFE Terras do Priolo. 
Visita aos viveiros do projeto LIFE Terras do Priolo.
Foi possível observar quase todas as espécies de aves residentes dos Açores e até houve oportunidade de salvar um pequeno pisco-de-peito-ruivo que tinha caído do ninho. O encontro com o priolo foi também um dos pontos altos da visita de campo à floresta Laurissilva.
Cria de Pisco-de-peito-ruivo encontrada durante o percurso.
Relativamente às plantas viram-se algumas das plantas da Floresta Laurissilva e identificaram-se algumas que são mais desconhecidas como é o caso do patalugo, a malfurada ou do bracel.
Malfurada, uma planta desconhecida para muitos.
Os 8 docentes participantes vieram de várias escolas da ilha de São Miguel, entre as quais Vila Franca do Campo, Ponta Delgada, Nordeste e Povoação o que demonstra o interesse e importância que estas temáticas têm como complemento ao currículo escolar dos seus alunos, segundo Ana Mendonça, a formadora da SPEA responsável pela ação.

O nosso muito obrigado a todos os que participaram e o apoio do Centro de Formação da Escola Básica e Secundária da Povoação. Fica a promessa de se realizarem mais ações deste género para o ano.

Percurso noturno “Rota dos Cagarros”

No dia 4 de julho realizou-se um percurso noturno para a observação de Cagarros Calonectris diodomea na freguesia da Pedreira, no Nordeste, uma atividade que juntou 4 participantes. O percurso começou por volta das 20h30 na Igreja da Pedreira onde os participantes combinaram encontrar-se e continuou, sempre a descer, por uma estrada de asfalto até chegar à praia da Fajã do Araújo.


A primeira paragem foi no meio do caminho onde os participantes puderam deleitar-se com a paisagem das falésias e das praias da Fajã do Araújo e do Lombo Gordo. O técnico Carlos Silva deu uma explicação muito interessante sobre os Cagarros e as Zonas Importantes para as Aves (IBA). O programa IBAs é uma iniciativa mundial com o objetivo de identificar e proteger uma rede de sítios críticos para a conservação das aves. O lugar visitado pertence à IBA da Faial da Terra e Ponta do Arnel. Esta zona tem especial relevância por ser um importante lugar de nidificação do Cagarro.

O grupo continuou a caminhada até chegar à praia da Fajã do Araújo onde puderam descansar e beber água. Ali o técnico da SPEA continuou a falar sobre algumas das curiosidades sobre o Cagarro. Os cagarros nidificam em buracos nas falésias perto da costa. Durante o dia um dos pais abandona o ninho para procurar alimento em pequenos bandos ou “jangadas” e voltam ao entardecer. Por volta das 22h30 começamos a ouvir e ver os primeiros cagarros, alguns deles a passar muito perto do grupo. Os cagarros emitem um som muito barulhento que se assemelha a um grito. No caso dos machos este som é mas agudo e nas fémeas é mais grave o que permite distingui-los.


Às 23h00 o grupo voltou à Pedreira pelo mesmo caminho, desta vez na escuridão da noite. Os participantes ainda tiveram a oportunidade de observar alguns cagarros à beira do caminho e apreciar a aparência desta ave. Para algumas das pessoas foi a primeira vez que viram cagarros e puderam observar o grande tamanho desta ave que atinge mais de 120 cm de envergadura.

Os nossos agradecimentos a todos os participantes e ficam convidados a participar nas restantes atividades programadas para os próximos meses de verão.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Aprender e Ajudar a Conservar


Durante o mês de Julho a SPEA está a organizar na Ilha do Corvo, algumas atividades para os jovens dos 8 aos 14 anos que queiram colaborar connosco nos trabalhos a decorrer no estufim do Projeto LIFE "Ilhas Santuário para as aves marinhas". 


Estas atividades pretendem dar a oportunidade aos jovens de aprenderem e ajudarem em algumas das ações pós-projeto LIFE.

Não percas tempo e inscreve-te junto dos técnicos da SPEA no Corvo.

Uma noite, uma insónia

Este é um dos resultados obtidos pela equipa da SPEA e Parque Natural de Ilha de São Miguel, que se deslocou ao Ilhéu de Vila Franca do Campo na noite de 22 de Junho. 

Esta visita teve o intuito de avaliar a presença de roedores, acompanhar a população de cagarros e instalar novas parcelas de monitorização de vegetação. Os resultados continuam surpreendentes. O IVFC continua sem roedores e foram capturados cerca de 40 novos individuosde cagarro. 


Novas visitas se avizinham e os ovos de cagarros começam em breve a sua eclosão.

domingo, 6 de julho de 2014

Painho-de-monteiro é alvo de projeto de conservação

Projeto para a conservação do painho-de-monteiro, financiado pela BirdLife International, arrancou no passado dia 1 de junho sendo coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA). Os objetivos deste projeto passam pela monitorização da espécie nos ilhéus da Praia e de Baixo, a implementação de medidas de conservação e pela formação de uma equipa de especialistas dedicada à elaboração e implementação do plano de ação para o painho-de-monteiro.



O projeto “Painho-de-monteiro (fase 1)”, recentemente aprovado e financiado ao abrigo do Programa “Preventing Extinctions” (PEP) da BirdLife International (que a SPEA representa em Portugal), teve início em junho e irá ser implementado até abril de 2015 pela SPEA. Os principais objetivos do projeto são a monitorização da população reprodutora de painho-de-monteiro, a identificação das principais causas de ameaça, a construção de 50 ninhos artificiais no Ilhéu de Baixo, a recuperação dos ninhos artificiais construídos anteriormente pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP) no Ilhéu da Praia, a constituição de uma equipa de especialistas (“Monteiroi task-force”) e, por fim, definir o Plano de Ação para o painho-de-monteiro. 

O painho-de-monteiro é uma pequena ave marinha que apenas nidifica no Ilhéu da Praia e no Ilhéu de Baixo, localizados ao largo da Ilha Graciosa. Contudo, existem suspeitas da sua nidificação também nas ilhas das Flores e do Corvo. Com uma população de apenas 300 casais reprodutores, esta espécie apresenta um estatuto de conservação desfavorável. São várias as ameaças a que a espécie se encontra susceptível, mas a predação por gaivotas no Ilhéu de Baixo deverá ser a mais relevante. Todavia, é a sua localização restrita a estes dois ilhéus que mais preocupa os especialistas e que originou a necessidade de implementar um projeto de conservação dirigido à espécie.

A SPEA pretende com este projeto garantir a continuação dos largos anos de trabalho levado a cabo pelo DOP no estudo e conservação desta espécie, contando com o apoio e a longa experiência dos investigadores que pertencem ou já pertenceram aquele departamento da Universidade dos Açores. Para além do DOP, neste momento o projeto conta ainda com o apoio do IMAR – Centro do Mar e Ambiente da Universidade de Coimbra e da Secretaria Regional dos Recursos Naturais através da Direção Regional dos Assuntos do Mar e do Parque Natural da Ilha Graciosa. No entanto pretende-se que representantes de outras entidades relevantes para a conservação desta espécie façam parte da equipa de especialistas, tais como, a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa e o setor turístico privado a operar na ilha.



Entre os passados dias 28 de junho e 2 de julho, decorreu a primeira campanha de monitorização no âmbito deste projeto, com a deslocação de 3 técnicos da SPEA ao Ilhéu da Praia. Foram contabilizados 73 ninhos de painho ocupados, onde no interior de alguns já se podia observar a pequena cria acabada de nascer. A equipa visitou também o Ilhéu de Baixo com o mesmo objetivo e avaliou ainda o impacto da predação de gaivota-de-patas-amarelas sobre o painho. Esta visita contou com o apoio do Parque Natural da Ilha Graciosa que garantiu o transporte e acompanhamento dos técnicos aos ilhéus e cedeu a casa de apoio do Ilhéu da Praia.